Vale-refeição é fator decisivo para ingresso ou permanência nas empresas
Na comparação entre propostas com salários similares, benefícios robustos reforçam a percepção de que as organizações se preocupam com os colaboradores.
Em um mercado de trabalho cada vez mais competitivo, o vale-refeição (VR) está se consolidando como um pilar estratégico na atração e retenção de talentos nas empresas brasileiras. Dados do estudo “Benefícios 2025”, da consultoria Robert Half, apontam que o VR tem impacto direto e significativo no bem-estar, na saúde financeira e na produtividade dos colaboradores, sendo o terceiro benefício mais desejado pelos trabalhadores e exercendo influência na relação entre profissionais e empregadores.
Parte da realidade brasileira desde a criação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) em 1976, o VR também ganha importância diante da inflação, que fechou o ano de 2025 em 4,5%, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Para Nathalie Panzarini, professora de Recursos Humanos na UniCesumar de Ponta Grossa (PR), nesse contexto inflacionário, o vale-refeição se tornou uma ferramenta de preservação do poder de compra, além de um sinal claro de que a empresa se preocupa com a qualidade de vida e a estabilidade financeira de seu colaborador.
“A alimentação representa uma parcela significativa do orçamento. Com dados do DIEESE mostrando que a cesta básica pode comprometer até 55% de um salário mínimo nas capitais, o VR não é um luxo, mas um mecanismo essencial de equilíbrio financeiro. O benefício deixou de ser um acessório para ser percebido como parte integrante da remuneração total. Sua ausência gera insatisfação e compromete a competitividade da empresa”, explica.
A segurança de poder se alimentar bem, sem pressionar o orçamento, tem uma relação direta com o desempenho profissional. Quando o colaborador possui essa tranquilidade, o estresse financeiro diminui, abrindo espaço para maior concentração, disposição e engajamento. “A previsibilidade de um bom benefício de alimentação contribui para um melhor planejamento financeiro, o que impacta positivamente o clima organizacional, a motivação e a permanência do profissional na empresa”, pontua a professora da UniCesumar.
5 dicas para manter a motivação dos colaboradores
Do ponto de vista da gestão de pessoas, um valor de VR competitivo pode ser o fator de desempate entre duas propostas de emprego com salários similares. Os candidatos avaliam o pacote de remuneração de forma integral, e um benefício robusto que alivia o orçamento mensal reforça a percepção de valorização.
Na retenção de talentos, a lógica é a mesma. A especialista alerta que “um vale-refeição defasado, que não acompanha a inflação ou as práticas de mercado, pode ser o gatilho para que um bom funcionário, mesmo engajado, comece a procurar outras oportunidades. É um sinal de que a remuneração total não está sendo devidamente valorizada pela organização”.
Com a ampla oferta do benefício, a disputa estratégica deslocou-se do “oferecer” para o “como oferecer”. A competitividade agora reside no valor diário concedido, na abrangência da rede credenciada e, principalmente, na flexibilidade de uso, que permite a utilização em supermercados, padarias e serviços de entrega, adaptando-se às novas realidades de trabalho.
“O diferencial está na forma como o benefício é estruturado e percebido. Empresas que dividem os valores entre vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), por exemplo, ampliam a percepção de valor, contemplando tanto a refeição diária quanto as compras do mês, o que reforça seu impacto positivo na vida do colaborador e fortalece a proposta de valor da empresa”, finaliza Panzarini.







