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17% dos brasileiros sofreram ou presenciaram assédio no trabalho em 2025

Quantidade de casos pode ser muito maior, pois fenômeno segue subnotificado, diz Censo de Saúde Mental da Vittude.

Por Gabriela Teixeira 20 fev 2026, 14h00 | Atualizado em 20 fev 2026, 14h35
Fotografia de uma sombra da palma de uma mão sobre um teclado sem fio.
 (IAN HOOTON/SCIENCE PHOTO LIBRARY/Getty Images)
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Um levantamento da Vittude, plataforma de desenvolvimento e gestão de programas de saúde mental para empresas, avaliou as percepções dos trabalhadores brasileiros em relação ao assédio dentro das empresas. Dos 174.475 participantes do Censo de Saúde Mental 2025, 30.193 (ou 17%) afirmaram ter sofrido ou presenciado episódios de assédio no ambiente de trabalho no ano passado. Desse total, 72% dos casos foram do tipo moral e 28% sexual.

Os números, entretanto, podem estar aquém da realidade. Isso porque o fenômeno segue subnotificado, explica Tatiana Pimenta, CEO e cofundadora da Vittude. “A prevalência real tende a ser ainda maior. É quando percebemos a dimensão da cultura do silêncio que permeia esses casos. Entre 78% e 84% das pessoas que presenciaram ou sofreram assédio optaram por não denunciar, e esse número, por si só, revela um risco psicossocial profundo”, diz.

Segundo Tatiana, além do medo, o que também alimenta o silêncio é a falta de segurança psicológica, a baixa credibilidade dos canais de denúncia, a percepção de uma fragilidade institucional e a normalização de comportamentos abusivos. Em tais contextos, as pessoas evitam se posicionar por receio de retaliações.

Outros indicadores

Além do assédio, o Censo também mapeou outros fatores de riscos psicossociais – como segurança psicológica, suporte, equidade, pertencimento – e indicadores de saúde mental no ambiente corporativo.

Em relação ao burnout, por exemplo, 5,94% dos colaboradores demonstraram grande propensão ao esgotamento. À primeira vista a porcentagem parece pequena, mas é, na verdade, expressiva e preocupante: em termos epidemiológicos, índices acima de 3% em grandes populações já são sinônimos de alto risco, diz o estudo.

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Já para o presenteísmo – fenômeno em que o trabalhador está fisicamente presente, mas sintomas físicos, emocionais ou cognitivos reduzem sua capacidade produtiva – o índice foi de 32%. Ou seja, em média, cada colaborador perdeu um terço de sua produtividade potencial. Em termos financeiros, isso também significa que para cada R$ 100 investidos em salários, R$ 32 não retornaram em forma de trabalho efetivo.

Quanto à segurança psicológica, que diz respeito à percepção de liberdade para se manifestar e admitir erros no trabalho sem medo de punição ou julgamento, o Censo revelou que 45% dos profissionais atuam em ambientes marcados pela insegurança.

O estudo também aponta esse indicador como o mais importante, pois possui correlação (seja ela positiva ou negativa) com os demais fatores de saúde mental. Onde há alta segurança psicológica, por exemplo, os níveis de burnout são praticamente inexistentes. E o inverso também é válido: ambientes inseguros possuem os piores índices de sofrimento, risco psicossocial e improdutividade.

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Segundo Tatiana, a ausência de segurança gera uma cultura de conformismo que bloqueia a inovação e paralisa o crescimento. “Liderar com segurança psicológica é justamente criar as condições para que as pessoas possam ser reais com erros, dores, opiniões e perguntas. E para isso, não basta uma campanha no Setembro Amarelo. É preciso ação consistente, liderança madura e cultura de escuta ativa”, afirma a CEO.

Área administrativa lidera ranking de riscos psicossociais

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