Dia das Mães: Você RH em casa por 9,90

Abril Verde: recorde de licenças por saúde mental e NR-01 pressionam empresas

Em mês de conscientização sobre segurança no trabalho, especialista alerta: “hoje, os riscos psicossociais devem ser tratados com o mesmo rigor que os físicos”.

Por Izabel Duva Rapoport 14 abr 2026, 14h21
Close-up da mão segurando a fita verde simbolizando a conscientização e o apoio à saúde mental.
 (boonstudio/Getty Images)
Continua após publicidade

“O adoecimento mental deixou de ser uma questão individual e passou a refletir a forma como o trabalho é organizado”. Esta afirmação, atribuída ao médico e CEO da Aventus Ocupacional, Marco Aurélio Bussacarini, revela a mudança estrutural que vem ocorrendo no mercado em razão da alta nos afastamentos de colaboradores por transtornos psicológicos. “Hoje, os riscos psicossociais precisam ser tratados com o mesmo rigor que os físicos”, afirma ele, que também é autor do livro Fatores Psicossociais no Trabalho: para líderes de empresas, gestores de RH, profissionais de SST e contadores.

Só no ano passado, o Brasil registrou 546.254 licenças por saúde mental,  o maior volume da série histórica e o segundo recorde consecutivo, com crescimento de 15% em relação ao ano anterior, de acordo com dados do INSS. A ansiedade liderou os diagnósticos, com 166.489 casos, seguida pela depressão, com 126.608 registros. Juntas, as duas condições já configuram o segundo maior motivo de afastamento no país, atrás apenas das doenças da coluna.

 

 

Nesta conjuntura, o médico ocupacional acredita que o tema deixa de ser periférico e passa a integrar a gestão estratégica das organizações. “Quando o adoecimento começa a impactar afastamentos, produtividade e engajamento, estamos falando de um risco operacional. Ignorar isso significa comprometer o desempenho do negócio”.

Fatores invisíveis no radar corporativo

O alerta torna-se ainda mais forte neste mês, período de sensibilização da campanha Abril Verde, sobre a importância da saúde e da segurança no ambiente de trabalho. De acordo com Marco Aurélio, a mudança de perspectiva das empresas acompanha um entendimento mais amplo sobre o que configura risco no cotidiano corporativo.

Elementos como demanda, autonomia na execução das atividades, participação nas decisões, qualidade da liderança, apoio dos colegas, relações interpessoais, clareza na definição de funções e comunicação efetiva passam a ser tratados como variáveis críticas para o desempenho das organizações, pois, embora menos tangíveis, eles têm impacto nos resultados. Segundo o especialista, quando mal geridos, podem causar ausências, elevar o turnover e reduzir a produtividade, surgindo gastos que abalam a operação de maneira contínua. “Os maiores impactos da saúde mental no trabalho nem sempre aparecem de forma imediata nos indicadores”, comenta o doutor.

Continua após a publicidade

3 pontos decisivos para se adequar à NR-1 em 2026

 

 

“Vemos isso principalmente no aumento do absenteísmo e da rotatividade, prejuízos que, mesmo silenciosos, afetam diretamente os custos e a performance das companhias”. Para o CEO da Aventus, o desafio é que muitos fatores são invisíveis. “Clima, liderança, relações internas… Tudo isso não aparece na planilha, mas contribui para o desempenho da empresa”.

NR01: novas exigências

A resposta institucional a esse cenário vem com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), que passa a exigir a inclusão de fatores psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) a partir de 26 de maio, conforme as diretrizes do Ministério do Trabalho, sob pena de autuações e multas.

Continua após a publicidade

O objetivo da mudança é ampliar o conceito de segurança do trabalho, considerando o ambiente organizacional como fator determinante para a saúde. Segundo o médico, a antecipação será decisiva. “As empresas que se prepararem antes da vigência terão mais segurança jurídica e ganhos operacionais relevantes”, diz.

Pare ele, não por acaso, o Abril Verde desse ano se destaca por marcar a consolidação de uma nova etapa na gestão corporativa, em que saúde mental, produtividade e estratégia passam a caminhar juntas. “Ainda existe uma percepção de que investir em prevenção é custo, mas, na prática, é uma estratégia de eficiência”, afirma, concluindo que as organizações que cuidam de seus ambientes produzem mais, reduzem perdas e preservam resultado. “Quem não incorporar o fator emocional nos processos de segurança continuará tratando sintomas, e não causas”, finaliza.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

Gestores preparados vencem!
Por um valor simbólico , você garante acesso premium da Você RH Digital à informação que forma líderes de verdade.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 52% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba Você RH impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
De: R$ 26,90/mês
A partir de R$ 12,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).