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Brasil é o país da América Latina com a maior redução de estresse no trabalho

People at Work 2025 revela que os índices passaram de 14% para 8% em um ano - mas também mostra que os profissionais enfrentam dificuldades para crescer.

Por Izabel Duva Rapoport
17 out 2025, 16h00 •
Natureza morta ilustrando o conceito de ética
 (Freepik/Reprodução)
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  • Os níveis crônicos de estresse no ambiente de trabalho têm diminuído significativamente no Brasil desde o fim da pandemia: de 19% em 2021, foi para 16% em 2022, 14% em 2023 e 8% em 2024. A sequência de números, publicada pelo ADP Research por meio dos relatórios People at Work (que acaba de lançar a edição 2025), se refere aos índices de estresse negativo (ou distresse) – aquele em que a pessoa se sente ameaçada ou intimidada, resultando, muitas vezes, em queda de desempenho e bem-estar.

    Mary Hayes, diretora de pesquisa de pessoas e desempenho no ADP Research, explica que há uma forte relação entre a frequência de estresse negativo e a sensação de sobrecarga ou prosperidade. “Aqueles que relatam estresse negativo diariamente têm muito mais probabilidade de se sentirem saturados. Mas à medida que essa frequência diminui, a proporção de funcionários sobrecarregados cai e a chance de prosperar aumenta”.

    Dessa forma, medir a regularidade do estresse negativo e positivo (quando a descarga de adrenalina está associada à sensação de motivação, satisfação e produtividade) permite classificar os trabalhadores em três categorias: prosperando, abalados ou sobrecarregados. “Enquanto aqueles que vivenciam distresse têm mais chances de se sentirem sobrecarregados, os colaboradores em ascensão tendem a perceber as pressões do trabalho como eustresse, o que leva a maior engajamento, resiliência e reduz as taxas de rotatividade.

    Sobrecarga ou prosperidade?

    Globalmente, quase 32% dos trabalhadores que vivenciam estresse diário dizem sentir-se sobrecarregados, enquanto 7% sentem-se prosperando. O novo estudo mostra ainda que, entre as pessoas que reportaram experimentar o sentimento uma vez por semana ou menos (estresse mínimo), 11% relatam sobrecarga, enquanto 34% afirmam estar prosperando. No recorte por regiões, os top 5 territórios em que os profissionais mais reportaram sofrer de distresse no trabalho são: a Europa (19%) – com destaque para Suécia (24%) e República Tcheca (23%) -, o Japão (14%), a Tailândia (12%), França e Argentina (que empataram com índices de 11%), e Taiwan (10%). Na outra ponta, as top 5 regiões com os menores índices de distresse são os Países Baixos (5%), Indonésia e Singapura (empatadas com 4%), a África do Sul e a China (também empatadas em 3%).

    No contraste, os índices mais significativos de eustresse são observados na Polônia (32% dos trabalhadores prosperando, frente a 13% de pessoas com sobrecarga), Polônia e Espanha (empatadas, com 31%), e França (20%). O dado mais positivo foi relatado pela China, onde está a maior proporção de pessoas prosperando (40%). Em seguida estão a América Latina (34% dos respondentes revelaram estar prosperando, frente a 10% de sobrecarregados); e a América do Norte (23%).

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    Entre os destaques da pesquisa, Singapura apresentou o maior aumento na proporção de trabalhadores prosperando (subiu de 11% para 26%); e a Coreia do Sul é o local com o menor percentual de funcionários prosperando (15%).

    A análise demográfica dos participantes também revela notáveis disparidades nos níveis reportados de estresse, com as mulheres relatando níveis ligeiramente mais elevados em diversas regiões (10% com alta carga de estresse, em comparação com 8% dos homens). Já o perfil etário combinado com o recorte por regiões mostra que, enquanto na América do Norte, profissionais com idade entre 27 e 39 anos são os mais afetados (11%), no Oriente Médio e África, são os trabalhadores com mais de 55 anos que relatam distresse (10%). Na América Latina, o grupo mais impactado está na faixa dos 40 a 54 anos.

    O peso de quem se sente julgado

    O relatório também analisa o impacto psicológico da percepção de julgamento no ambiente corporativo. Entre os entrevistados, 32% relataram sentir-se observados ou julgados, especialmente em contextos híbridos e remotos. “Essa percepção da pressão pode intensificar o distresse, levando à redução da produtividade e da satisfação no trabalho: profissionais que se sentem julgados têm 3,4 vezes menos probabilidade de prosperar no emprego”, descreve a executiva. Há, ainda, segundo ela, uma relação semelhante entre estresse e a sensação de estar sendo vigiado. “Aqueles que sentem que seus gestores monitoram tudo o que fazem têm 3,3 vezes menos chance de prosperar”.

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    O Oriente Médio e a África apresentaram os maiores índices de percepção de julgamento (36%) e de monitoramento pelos gestores (42%). Na América Latina, apenas 29% dos colaboradores relataram sentir-se julgados, o menor percentual entre as regiões pesquisadas; e na Europa está a menor proporção de trabalhadores que se sentiram fortemente monitorados pelos gestores (31%).

    “A simples ausência de estresse negativo no trabalho, [no entanto], não garante que os colaboradores prosperem. Outros fatores, como a falta de relações de confiança com colegas ou líderes, ou sentimentos de liberdade e flexibilidade limitadas no ambiente corporativo também podem estar envolvidos”, avalia Nela Richardson, economista-chefe da ADP. “Isso é relevante para os empregadores, pois uma força de trabalho sobrecarregada e estressada geralmente é menos eficiente e produtiva”. Além disso, ela explica que essas pessoas têm mais probabilidade de procurar novas oportunidades de emprego. “Em contraste, funcionários que prosperam tendem a permanecer em suas posições”, destaca.

    Metodologia People at Work

    Anuais, os relatórios usam como base a Pesquisa Global da Força de Trabalho, conduzida há uma década pelo ADP Research, com informações sobre o mercado profissional a partir da perspectiva dos próprios empregados – que, hoje, somam quase 38 mil adultos em 34 mercados de seis continentes. A ideia é apresentar uma amostra global para fornecer comparações regionais e entre mercados sobre a percepção dos trabalhadores nas regiões Ásia-Pacífico, Europa, América Latina, Oriente Médio e África, e América do Norte. Os respondentes vêm de diferentes setores, níveis educacionais, regimes (presenciais e remotos) e habilidades, além de cargos de liderança e funções técnicas, trabalhando para empregadores de todos os tamanhos.

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