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Insônia ligada ao burnout aumenta no fim do ano e desafia o bem-estar corporativo

Reconhecer que o período exige ajustes no ritmo de trabalho e, sobretudo, incorporá-los à gestão, é decisivo para manter performance, alerta especialista.

Por Izabel Duva Rapoport 28 nov 2025, 19h00 •
Fósforos queimando enfileirados.
 (Freepik/Reprodução)
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  • É uma via de mão dupla: o estresse crônico no trabalho, que leva ao burnout, prejudica a qualidade do sono. Por outro lado, a insônia crônica pode diminuir a resiliência do colaborador à tensão, aumentando o risco de desenvolver o esgotamento profissional.

    Essa conexão, nos últimos meses do calendário anual, tende a se intensificar com a sobrecarga marcada por metas a cumprir, fechamento de projetos e avaliações de desempenho. De acordo com Sara Giampá, pesquisadora científica da Biologix, especializada em saúde do sono, o fim do ano reúne três estressores principais que impactam o repouso profundo e reparador:

    • Sobrecarga operacional: picos de demanda, planejamento do ano seguinte e entregas simultâneas intensificam a carga cognitiva e mantêm o organismo em estado de hiperativação.
    • Redução do tempo de recuperação: agendas cheias, eventos sociais e jornadas prolongadas diminuem o período disponível para descanso, comprometendo a restauração natural do organismo.
    • Pressão emocional: expectativas de “encerrar o ano bem” aumentam a  autocobrança e intensificam a resposta ao estresse, dificultando a desaceleração necessária para uma boa noite de sono.

      O efeito combinado, segundo a especialista, compromete funções como foco, tomada de decisão e gestão de conflitos. “O sono é um regulador fisiológico. Quando ele é interrompido por longos períodos, o organismo entra em estado de alerta contínuo, dificultando os processos de recuperação”, explica. “Isso compromete a produtividade e o equilíbrio emocional, razão pela qual tantas equipes chegam ao fim do ano esgotadas”.

      É preciso dormir bem

      Para reduzir os picos de exaustão, Sara recomenda que as empresas revejam a jornada de trabalho, incorporando gestão de carga, promoção da saúde mental e educação sobre o sono à cultura organizacional. Confira suas orientações para o dia a dia:

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      • Estabelecer ciclos de trabalho que prevejam pausas estratégicas
      • Evitar concentrações excessivas de entregas no mesmo período
      • Ampliar a autonomia das equipes para organizar rotinas
      • Oferecer workshops sobre saúde do sono e gerenciamento de estresse
      • Monitorar indicadores de exaustão e absenteísmo

      “Equipes que descansam melhor tomam decisões mais assertivas, têm menos conflitos e mantêm maior engajamento”, afirma a pesquisadora. Para ela, incluir o descanso nas políticas de RH tende a ganhar força ainda antes do final de 2026. “Reconhecer que o fim do ano exige ajustes no ritmo de trabalho – e incorporar isso à gestão – será decisivo para manter a performance no próximo ciclo”.

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