NR-1: 35% dos líderes não sabem como apoiar as empresas no cumprimento da norma
Estudo da The School of Life Brasil com a Robert Half revela ainda que só 27% dos gestores acreditam que suas companhias estão preparadas para lidar com o tema.
A contagem regressiva está chegando ao fim: em 26 de maio, a atualização da norma reguladora número 1 (NR-1) entra em vigor, tornando obrigatório que as empresas atuem para mapear e mitigar riscos psicossociais no ambiente de trabalho. Como contamos na matéria de capa da edição 103 da Você RH, descumprir a norma traz graves consequências: organizações reincidentes terão de pagar multas, serão fiscalizadas com maior frequência e podem até ter suas atividades paralisadas.
Ainda assim, a 8ª edição da Pesquisa Inteligência Emocional e Saúde Mental no Ambiente de Trabalho, realizada pela The School of Life Brasil em parceria com a Robert Half, constatou que 35% dos líderes não têm conhecimento básico para apoiar as empresas no cumprimento das novas exigências. E, desse grupo, 21% sequer sabem da existência da norma, enquanto outros 14% ignoram a atualização, apesar de conhecerem a regra.
Além disso, quando questionados a respeito do preparo das empresas frente à nova NR-1, apenas 27% dos gestores afirmaram acreditar que as companhias em que atuam estão “bem” ou “totalmente” preparadas e estruturadas para lidar com o tema.
Para Diana Gabanyi, colunista da Você RH e cofundadora e CEO da The School of Life Brasil, é preocupante saber que algumas organizações ainda tratam o assunto como tendência. Segundo ela, a mudança coloca a psicologia em um lugar estratégico nas empresas e é um reconhecimento de que a mente precisa ser cuidada.
“Agora, não basta falar de saúde mental. É preciso agir com constância, intenção e responsabilidade. Planos claros, ações contínuas e uma cultura que sustente motivação e engajamento deixam de ser diferencial e se tornam compromissos. Embora sutis, são essas dimensões que movem pessoas, e pessoas movem resultados”, afirma.
Reconhecendo os riscos
Os especialistas da The School of Life Brasil mergulharam na psicologia e na medicina ocupacional para identificar fatores do cotidiano corporativo que comprometem o bem-estar. E encontraram uma lista extensa: metas inalcançáveis, ausência de apoio e reconhecimento da liderança, sobrecarga, conflitos interpessoais, pressão excessiva por resultados, assédio moral ou sexual, exigências incompatíveis com a capacidade do profissional e ambientes inseguros não são apenas falhas de gestão, mas representam riscos reais à saúde mental.
Esses fatores também se manifestaram nas respostas do questionário aplicado na pesquisa. Quase metade dos profissionais, por exemplo, disse operar em um regime de sobrecarga intermitente ou contínua e 35% dos líderes e 32% dos liderados afirmaram que apenas “às vezes” os prazos são realistas ou compatíveis com os recursos disponíveis. Além disso, 45% da chefia e 40% dos colaboradores disseram que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” conseguem manter um equilíbrio saudável entre suas demandas profissionais e sua vida fora do trabalho.
A falta de clareza de responsabilidades, prioridades e expectativas de desempenho também é um ponto sensível: 26% dos gestores e 34% dos membros de equipes vivem algum grau de ambiguidade nesse quesito, respondendo que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” têm clareza. Quanto à autonomia, 22% dos líderes e 26% dos liderados relataram que somente “às vezes” têm liberdade suficiente para organizar e executar seu trabalho da forma que considera mais adequada.
5 sinais de um ambiente de trabalho tóxico
Mais da metade das lideranças e liderados afirmaram que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” podem contar com seus respectivos gestores quando enfrentam sobrecarga de trabalho ou desafios emocionais. E 47% dos líderes declararam que seu esforço é reconhecido de forma justa “frequentemente” ou “sempre”, enquanto entre os colaboradores esse percentual cai para 31%.
Ainda que os conflitos interpessoais sejam tratados de forma adequada para a maioria dos entrevistados, as relações respeitosas e colaborativas não são regra: 12% dos gestores e 17% dos membros de equipes relatam que interações saudáveis com colegas acontecem “às vezes”, “raramente” ou “nunca”. E 39% dos líderes e 48% dos liderados afirmam que “às vezes”, “raramente” ou “nunca” sentem que podem expressar opiniões, discordar ou admitir erros sem receio de retaliações ou julgamentos.
“Os dados mostram que saúde mental é hoje um fator estratégico de competitividade. Empresas que normalizam sobrecarga e insegurança enfrentam queda de produtividade, aumento de turnover e dificuldade para atrair talentos. Estruturar a gestão de riscos psicossociais e fortalecer a liderança não é apenas cumprir a norma: é construir reputação, engajamento sustentável e vantagem competitiva no longo prazo”, diz Maria Sartori, diretora da Robert Half.







