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Rotina de trabalho é o obstáculo que mais afasta os brasileiros das consultas médicas

Para metade deles, excesso de demandas profissionais, horários inflexíveis e dificuldade de liberação estão à frente de fatores como custo e burocracia.

Por Izabel Duva Rapoport 1 Maio 2026, 14h56 | Atualizado em 4 Maio 2026, 11h26
Estetoscópio ao lado de um notebook.
 (National Cancer Institute nci/Unsplash)
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Encontrar tempo para cuidar da própria saúde é um desafio para muitos brasileiros – o que torna o trabalho, hoje, o principal obstáculo para manter consultas e exames médicos em dia. Uma pesquisa feita pela plataforma de atendimento via chat, Olá Doutor, revela que, para cerca de 50% dos pacientes, a rotina profissional é o que mais prejudica a constância dos check-ups. Entre os fatores citados estão os horários inflexíveis do expediente e a dificuldade de liberação por parte das lideranças.

Isso explica outro dado do estudo: 2 em cada 5 entrevistados afirmam ter ido menos ao médico do que deveriam no último ano, recorrendo à inteligência artificial e ao Google em busca de informações.

“Sabemos que o trabalho e as ocupações não param, mas o cuidado com nossa saúde também não deveria esperar”, defende Anderson Zilli, CEO da Olá Doutor, que realizará uma ação de conscientização em São Paulo neste mês. Em maio, quem passar pela linha 11-Coral da CPTM terá a oportunidade de ter assistência médica. “O objetivo é destacar a praticidade das consultas online, mostrando na prática como o atendimento pode ser rápido, acessível e sem fila – até mesmo durante o deslocamento para o escritório”.

Jornada extensa impede regularidade

Ir ao médico com regularidade é a recomendação quando o assunto é prevenção. Porém, isso está longe de fazer parte do dia a dia de 4 em cada dez pessoas do país, que deixam o cuidado com a saúde em segundo plano.

O cenário, embora preocupante, não chega a surpreender: segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 30 milhões de brasileiros cumprem jornadas de 40 horas semanais distribuídas em cinco dias. Já 20 milhões trabalham seis dias por semana, com cargas de 44 horas ou mais e pouca flexibilidade no expediente, o que dificulta o acesso a consultas médicas.

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Comportamento médico também afasta 

Embora boa parte dos impedimentos para ir ao médico esteja relacionada a fatores externos à consulta, como falta de tempo ou questões financeiras, o estudo da Olá Doutor mostra que a própria experiência dentro do consultório também tem um papel relevante nessa decisão. “Segundo os pacientes, alguns comportamentos recorrentes no atendimento acabam contribuindo para o afastamento ao longo do tempo”, descreve.

A falta de empatia e escuta ativa, mencionadas por 5 em cada 10 entrevistados, lideram nesse contexto. Na sequência, aparecem a pressa durante a consulta (42,8%) e os atrasos excessivos (37,4%), ao lado de fatores como orientações pouco claras (36,4%) e a sensação de que os sintomas foram minimizados pelos profissionais (30%).

Não por acaso, pacientes buscam alternativas: 53,2% relatam que recorrem à internet para tirar dúvidas de saúde, enquanto 45,8% usam ferramentas de IA para mais informações sobre o próprio corpo e organismo. “A consulta médica, independentemente de acontecer no digital ou no presencial, é um momento em que o paciente precisa ser ouvido com atenção”, ressalta o médico Jairo Bauer. “É ali que o profissional deve ir além dos dados e indicadores, buscando compreender de forma mais ampla aquilo que o paciente está trazendo”.

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