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61% das pessoas acreditam que as empresas as preparam para o futuro

Mesmo assim, pesquisa da consultoria Mercer mostra que há discrepância entre as habilidades consideradas mais importantes pelos trabalhadores e pelo RH

Por Juliana Américo Atualizado em 15 dez 2020, 08h57 - Publicado em 13 abr 2020, 14h31

O trabalho como conhecemos e praticamos hoje, está com os seus dias contados. Muitos especialistas já falavam que o futuro prometia transformações no mundo profissional, mas a crise do coronavírus pode adiantar algumas tendências, como a forma como empresas se organizam, o avanço da tecnologia, o crescimento do trabalho remoto, o aumento da preocupação com a saúde mental dos funcionários e o desenvolvimento da comunicação entre gestores e equipe. 

E a maioria dos profissionais confia nas empresas quando o assunto é futuro do trabalho. Dados do Estudo Global de Tendências de Talentos 2020, da consultoria Mercer e realizado com mais de 7.300 pessoas em 34 países, indicam que 61% dos funcionários confiam em seu empregador para prepará-los para as transformações do mercado. 

Com as mudanças na previdência social e o aumento na expectativa de vida que levarão as pessoas a trabalhar mais, essa confiança é importante. Ainda mais porque a tecnologia e avanço da inteligência artificial prometem reduzir os postos de trabalho. 

E os números provam isso: 34% dos trabalhadores acreditam que seus empregos serão substituídos em três anos, mas 55% confiam que sua organização possa requalificá-los se seu trabalho mudar por conta da automação. Já 72% dizem que planejam continuar trabalhando após a idade de aposentadoria.

  • Habilidades

    A requalificação é o investimento de talento mais importante para impulsionar o sucesso do negócio e a maioria (99%) das organizações concordam com isso. No entanto, muitas ainda relatam lacunas nas habilidades da força de trabalho: por exemplo, 78% dos funcionários afirmam estar prontos para aprender novas habilidades, mas 38% alegam que não têm tempo suficiente para treinamentos. 

    Além disso, apenas 34% dos líderes de RH estão investindo no aprendizado e na qualificação das pessoas como parte de sua estratégia de preparação para o futuro do trabalho. E o mais alarmante: 40% não sabem quais habilidades seus empregados possuem atualmente. 

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    Também existem divergências sobre as habilidades mais importantes. Segundo a pesquisa, no Brasil, os funcionários afirmam que a inovação e a resolução de problemas complexos serão as principais habilidades demandadas nos próximos 12 meses. Entretanto, para os líderes de RH, o marketing digital e o empreendedorismo é que são as prioridades.

    “Transformação não é uma questão de se adaptar, mas de como melhor se adaptar. Para se manter à frente, as organizações precisam se requalificar em escala, com velocidade e em todas as gerações de sua força de trabalho”, diz Ana Laura Andrade, líder da área de estratégia de talentos da Mercer no Brasil.

    Preocupação com o funcionário

    Por mais que muitas empresas afirmem que um dos seus pilares ou valores é um cuidado com os funcionários, nos próximos anos esse discurso vai precisar sair do papel e começar a ser, de fato,  praticado pelas companhias. Isso porque 63% dos profissionais sentem que estão correndo o risco de sofrer de algum tipo de esgotamento mental ou burnout. 

    E, embora 61% dos funcionários confiem no empregador para cuidar de seu bem-estar e 48% dos executivos classifiquem o tema como uma das principais preocupações da força de trabalho, a verdade é que apenas 29% dos líderes de RH têm uma estratégia de benefícios de saúde e bem-estar estruturada.

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  • Segundo Ana Laura, os profissionais que trabalham em empresas focadas em saúde e bem-estar têm quatro vezes mais chances de estar motivados “E os funcionários energizados são essenciais para realizar a agenda de transformação das organizações: são mais propensos a permanecer, mais resilientes e mais prontos para se requalificar”, explica. 

    Tecnologia no RH

    A pesquisa ainda indica que as empresas estão usando cada vez mais a inteligência artificial – subindo de 10%, na edição de 2016, para 39% na atual. Por outro lado, nem todas utilizam essas tecnologia dentro da área de recursos humanos: apenas 43% aproveitam os dados para identificar funcionários com probabilidade de deixar a companhia; 41% usam as informações para saber quando é provável que um talento se aposente e apenas 18% aproveitam para conhecer o impacto das estratégias de remuneração no desempenho. 

    Como o RH está lidando com o coronavírus?

    A consultoria de desenvolvimento humano Wisnet desenvolveu o estudo RHs em Rede: Perguntas para Esse Tempo. Na pesquisa, foram entrevistados, entre 23 e 28 de março deste ano, 115 diretores, superintendentes e coordenadores de gestão de pessoas de empresas de médio e grande porte. Os resultados são divulgados com exclusividade pela VOCÊ RH. Confira os resultados:

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