Adaptabilidade: a característica para uma carreira internacional
A flexibilidade cognitiva, a resiliência diante da ambiguidade e uma comunicação eficaz são pontos fortes para trabalhar no exterior.

A crescente presença de empresas internacionais no Brasil está transformando o cenário do mercado de trabalho. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que o Brasil foi o segundo país que mais recebeu investimentos estrangeiros diretos (IED), atrás apenas dos Estados Unidos, durante o primeiro semestre de 2024. Um exemplo da presença internacional no país são os 34,5 mil empregos criados no Brasil entre 2003 e 2020, segundo estimativa do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), por conta da entrada de novos projetos chineses. O atrativo mercado interno, custos de produção competitivos e a assinatura de acordos comerciais são fatores que justificam o crescente interesse dessas companhias pelo Brasil.
Essa globalização comercial e internacionalização de ambientes corporativos exige dos profissionais uma adaptação a um ambiente plural, como o desenvolvimento de competências interculturais e a superação de barreiras linguísticas e estilos de gestão distintos.
As competências mais valorizadas pelas empresas multinacionais refletem a necessidade de profissionais adaptáveis e inovadores, preparados para enfrentar desafios complexos e dispostos a contribuir para o crescimento sustentável da organização.
Características-chave
Sensibilidade cultural, adaptabilidade e uma comunicação eficaz em diferentes contextos são algumas das habilidades essenciais que permitem aos profissionais se destacarem e colaborarem em ambientes multiculturais. Essas características não apenas ajudam a construir relacionamentos de confiança, mas também evitam mal-entendidos e conflitos, promovendo uma convivência harmoniosa e produtiva.
O aumento da presença de empresas estrangeiras e o crescimento de relações comerciais internacionais fazem do gestor internacional uma peça-chave para conectar o Brasil com o restante do mundo, gerando intercâmbio de conhecimento, inovação e novas perspectivas para o mercado local.
A capacidade de empatia cultural e a atenção global ampliam a perspectiva dos profissionais, permitindo que compreendam e valorizem diferentes visões de mundo. A flexibilidade cognitiva e a resiliência diante da ambiguidade, típicas de ambientes culturais diversos, garantem uma abordagem criativa e estratégica para a solução de problemas. Por fim, desenvolver-se como um profissional pronto para o mercado de trabalho internacional é ter a capacidade de desafiar estereótipos e preconceitos, além de demonstrar uma mentalidade inclusiva e aberta, pronta para superar os desafios atuais.
* Elizabeth Ribeiro Martins é professora e coordenadora da Graduação Digital 4D em Gestão Internacional da PUCPR.