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Sua empresa está pronta para falar sobre depressão?

Em busca de requalificar o diálogo sobre a doença, Movimento Falar Inspira Vida lança cartilha especial com orientações para o ambiente corporativo

Por Abril Branded Content Atualizado em 21 jul 2021, 14h28 - Publicado em 23 jul 2021, 09h00

De todas as causas que levam um colaborador a faltar no trabalho no Brasil, a depressão é a terceira mais comum. E seu impacto negativo sobre os profissionais vem aumentando: em 2020, o total de afastamentos provocados por transtornos mentais e ansiedade cresceu 33% em relação a 2019.

Além disso, o gasto com consultas, exames laboratoriais e internações hospitalares é de duas a quatro vezes maior entre as pessoas diagnosticadas com a doença. O Brasil é o segundo país do planeta em perdas relacionadas à depressão no trabalho: 63,3 bilhões de dólares.

Ainda assim, em geral, os profissionais não abordam essa doença no ambiente de trabalho. “Muitos pacientes com depressão dizem que não podem contar para o chefe. Acreditam que, se não comentarem muito sobre seus problemas e apenas fizerem seu trabalho, a doença vai passar despercebida”, relata o psiquiatra Jair Mari, professor titular do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador do programa de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da instituição.

“Essa postura denota um estigma muito presente na sociedade, o de que os profissionais têm que ser fortes”, prossegue ele. “A depressão ainda é considerada uma doença de pessoas fracas, que estão nessa situação porque não reagem, o que não é verdade.” Em junho, o especialista participou da live especial Movimento Falar Inspira Vida – Os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho, promovida em parceria com VEJA SAÚDE.

Informação de qualidade

É para requalificar a abordagem sobre a doença que surgiu, em 2020, o Movimento Falar Inspira Vida. “Trata-se de uma coalizão formada por diversas instituições renomadas que defendem a causa da saúde mental no Brasil”, informa Patricia Queijo, diretora de RH da Janssen Brasil. “Trabalhamos para levar informação de qualidade. Queremos quebrar o tabu que ronda o tema.”

A iniciativa atua para atualizar, por meio do conhecimento, a conversa sobre depressão e suicídio, criando um ambiente favorável para quem precisa de acolhimento e ajuda especializada.

Em 2021, o movimento vem com o objetivo de fortalecer o tema saúde mental e depressão no ambiente de trabalho, com menos julgamento e mais acolhimento das pessoas que convivem com depressão, depressão resistente e ideação suicida, e, ainda, estimular nas empresas o comportamento de “aliadas” dos pacientes na busca do suporte especializado e na jornada de tratamento.

Com relação aos espaços profissionais, o mundo do trabalho foi transformado pela pandemia causada pelo novo coronavírus, o que gerou novos desafios tanto para as pessoas quanto para as organizações. A fim de realizar um diálogo livre, sem julgamentos e acolhedor, o movimento lançou em junho o guia Depressão: como acolher no ambiente de trabalho, que propõe ações concretas para atacar os tabus que cercam a saúde mental.

“O lançamento do guia tem como intuito garantir um novo tom para a conversa sobre depressão, influenciando a rotina de trabalho e a cultura das organizações”, afirma Queijo. “Juntos, podemos promover uma mudança profunda.”

Nova abordagem

“Havia um conceito de que saúde mental ficava dentro de casa. Agora, com o trabalho acontecendo nas residências, não dá mais para negar essa realidade”, avalia Fábio Yoshio Sato, diretor de novos negócios da Vitalk, empresa especialista em gestão de saúde mental. “Pessoas com sinais de depressão perdem o foco, faltam mais ao trabalho e veem o desempenho ser reduzido. Olhando para esses sinais, sem saber do contexto, o líder pode interpretar que o colaborador está menos engajado ou mesmo procurando outro emprego.”

As críticas, ou uma possível demissão, podem agravar o quadro do paciente, segundo o psiquiatra Jair Mari. “Se ele ficar desempregado ou for afastado, vai se sentir um peso, uma pessoa sem capacidade, e tende a ver os sinais da doença piorarem.”

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Como afirma ele, “uma empresa que dialoga, identifica o problema e colabora para que o profissional encontre ajuda cria um ambiente acolhedor, que reduz os desgastes provocados pela substituição de profissionais. Assim, retém talentos e aumenta o grau de comprometimento dos times com a organização”.

Os líderes são, de fato, fundamentais para que a saúde mental seja tratada com transparência no ambiente de trabalho. Sato afirma que CEOs e líderes que já fizeram ou fazem terapia têm maior facilidade para levar adiante programas sobre o tema. “Com o apoio da liderança, fica muito mais fácil para os setores de RH e de saúde ocupacional aprovarem orçamentos para formar programas internos.”

Mas ele explica que o líder não é o único responsável por iniciar esse diálogo. “Ele também é pressionado, ainda mais em um cenário de crise. Ele precisa saber que as lideranças apoiam essa preocupação.”

Os colaboradores também podem ajudar, lembra ele, com comentários acolhedores. Por exemplo, no lugar de: “Como clientes, fornecedores, colegas e chefes podem confiar em alguém tão sensível assim, cheio de frescura?”, é mais recomendável afirmar: “Você não precisa ser forte o tempo todo. É importante falar sobre seus sentimentos e cuidar da saúde mental”.

Novo cenário

A empatia é fundamental para gerar um debate produtivo sobre o tema. Afinal, como lembra o doutor Jair Mari, ninguém está livre de desenvolver um quadro depressivo. “Todo ser humano pode, em determinado momento da vida, desenvolver depressão. Se tivermos isso em mente, podemos gerar acolhimento e, assim, romper preconceitos.”

O especialista reforça que a pandemia representa um experimento psicológico inédito e de grandes consequências: “Nunca tantas pessoas ficaram isoladas por tanto tempo. Sabemos que os resultados, para a saúde mental, serão massivos. Vamos observar uma verdadeira epidemia na saúde mental”.

Patricia Queijo recorda que a Janssen Brasil já realizava uma série de iniciativas internas tendo em vista a saúde mental, incluindo um programa de assistência 24 horas aos colaboradores. Com o movimento, tem observado uma nova atenção de outras corporações para o tema.

A proposta, tanto da Janssen quanto do Movimento Falar Inspira Vida, é debater as ações que podem ser desenvolvidas no ambiente corporativo quando chegar a hora de todos voltarem ao presencial. Como será o retorno? Como estarão os colaboradores? As corporações estarão prontas para recebê-los?

“Quando as pessoas voltarem para os escritórios, elas estarão marcadas pelas experiências difíceis provocadas pela pandemia. Vamos nos ver diante de um grande volume de casos de depressão”, avalia. “Será uma oportunidade enorme para dar um salto na atenção à saúde mental dentro das corporações. Queremos liderar esse debate, que vai se tornar crucial ao longo dos próximos meses.”

O Movimento Falar Inspira Vida é idealizado pela Janssen Brasil e tem como membros CVVVitalkVita AlereAbrataIPqCDD – Crônicos do Dia a DiaUnifespAbril e VEJA SAÚDE.

Para saber mais, acesse https://www.falarinspiravida.com.br/

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