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Para 70% da geração Z, home office impacta no crescimento profissional

Pesquisa feita pelo LinkedIn com profissionais de 16 a 24 anos mapeia as percepções dos jovens sobre o mercado de trabalho na pandemia

Por Elisa Tozzi Atualizado em 16 out 2021, 08h47 - Publicado em 16 out 2021, 07h00

Como a geração Z está encarando as mudanças que a pandemia trouxe para o trabalho? Foi para responder a essa pergunta que o LinkedIn conduziu uma pesquisa com profissionais de 16 a 24 anos. No levantamento, fica claro que esse pessoal está preocupado com o trabalho remoto, já que 70% dizem que atuar à distância pode impactar no crescimento da carreira. Para Milton Beck, diretor geral do LinkedIn para América Latina, as empresas precisam olhar com cuidado para esse dado que pode revelar aspectos da saúde mental dos jovens. E os líderes têm um papel importante nisso. “São nas conversas dos líderes com seus liderados que avaliamos o mais pessoal; em discussões e reflexões que vão além do território profissional e criam conexões”, diz o executivo. Leia a entrevista completa a seguir.

O levantamento mostra que 70% dos profissionais da geração Z dizem que o trabalho remoto pode prejudicar seu desenvolvimento. O que as empresas que adotaram o trabalho à distância ou que migrarão para o trabalho híbrido podem fazer para ajudar esses jovens a se desenvolverem no home office?

Treinamento e contato mais próximo dos gestores são fatores importantes no desenvolvimento desses jovens, seja no trabalho presencial, remoto ou híbrido. Neste momento, há também a necessidade de um cuidado especial com o onboarding, que é o processo em que a empresa começa a integrar os funcionários e apresentá-los à cultura organizacional, suas respectivas funções e procedimentos internos. Em outras palavras, a experiência de trabalho remoto ou híbrido é diferente para os profissionais que já estão na empresa e para aqueles que estão entrando. Os entrantes sentem mais dificuldade de se adaptar, já que perdem um pouco do contato do dia a dia, no qual você aprende ou conhece algo novo sobre a empresa até na hora do café. 

Mas, um dos pontos que tenho observado é como a saúde mental dos funcionários cada vez mais precisa estar em pauta nas empresas, principalmente nesses novos modelos de trabalho. E é esse ponto que gostaria de enfatizar. Acredito que empresas e lideranças possam adotar duas abordagens para entender o estado da saúde mental de todos da equipe, incluindo os jovens. Pesquisas de clima e questionários com respostas anônimas permitem captar as informações do grupo. Mas são nas conversas dos líderes com seus liderados que avaliamos o mais pessoal; em discussões e reflexões que vão além do território profissional e criam conexões. A partir dessa combinação de dados, é possível agir de maneira mais assertiva para ajudar a preservar a saúde mental dos jovens – e ações como a contratação de psicólogos, dias de folga ou eventos internos de conscientização podem ser implementadas.

A falta de contato com os líderes e a dificuldade para aprender são os dois principais motivos que dificultam o desenvolvimento dos jovens, segundo os entrevistados. Quais são as dicas para os gestores que querem auxiliar a Geração Z a superar esses desafios?
É importante que haja um esforço conjunto de líderes, gerentes e do mercado como um todo para apoiar a geração Z. Os líderes precisam reconhecer o impacto desproporcional que a pandemia teve sobre os jovens. Para ajudá-los a desenvolver as habilidades que precisam para ter sucesso, líderes e empresas devem identificar onde estão as lacunas de habilidades, introduzir trilhas de desenvolvimento e estimular experiências de aprendizagem que atendam à força de trabalho dentro desses novos modelos (híbrido e remoto).
E as empresas devem reforçar o desenvolvimento de habilidades para ajudar os funcionários a se adaptarem. Recentemente, lançamos o LinkedIn Learning Hub, uma plataforma inteligente, ágil e responsiva de aprendizado e desenvolvimento de competências, exatamente com esse foco: ajudar as empresas e seus colaboradores nas mudanças que estão por vir.
Outro ponto importante é que a geração Z acha que a pandemia prejudicou o desenvolvimento de habilidades comportamentais. De onde vem essa percepção e o que fazer para correr atrás do prejuízo?
Os escritórios/espaços físicos são lugares de troca, onde as pessoas conhecem a cultura organizacional e têm a possibilidade de aprenderem por “osmose”, ou seja, vendo outros se relacionarem e, ao mesmo tempo, exercerem suas funções. Além disso, o contato presencial no dia a dia faz com que a gente desenvolva mais nossa comunicação, resiliência, entre outros “soft skills”. Por exemplo, a pausa do cafezinho, além de um descanso que todos precisamos, é um momento em que podemos conversar, conhecer uns aos outros e trocar experiências.
Com a pandemia, a falta da presença física prejudicou essa troca, esse contato.Estamos experimentando a maior mudança no local de trabalho em uma geração e os jovens que estão menos estabelecidos em suas carreiras precisam do nosso apoio. Promover mais conversas e estabelecer relações de confiança, mesmo que à distância, promovem um ambiente em que o jovem se sente mais à vontade para se desenvolver profissionalmente. Já por parte dos jovens, existem diversos cursos online (e muitos deles gratuitos) que podem auxiliá-los no aprendizado e desenvolvimento dessas habilidades. No próprio LinkedIn Learning temos cursos de Inteligência Emocional, Como se Comunicar com Confiança, entre outros.

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