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Isis Borge

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Executive Director Talenses & Managing Partner Talenses Group

Empatia: a habilidade mais subestimada pela liderança

Gestores sem essa soft skill minimizam os problemas da equipe e desconsideram o impacto emocional das decisões. Entenda.

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH
19 mar 2025, 09h15
Fotografia de duas mulheres de mãos dadas.
 (Tatsiana Volkava/Getty Images)
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A palavra empatia tem origem no grego empatheia, que significa “paixão” ou “entrar no sentimento do outro”. Mais tarde, o conceito foi adaptado pelo alemão Einfühlung, utilizado na filosofia estética para descrever a capacidade de se conectar emocionalmente com uma obra de arte. No início do século 20, a psicologia adotou o termo para se referir à habilidade de compreender e compartilhar emoções alheias, tornando-se uma peça essencial na comunicação e nas relações humanas.

No contexto corporativo, a empatia sempre foi tratada como um traço desejável, mas raramente como uma habilidade central para o sucesso de uma organização. No entanto, em um mundo em que as empresas precisam lidar com ambientes de trabalho cada vez mais complexos, dinâmicos, multiculturais e com diferentes gerações dividindo o mesmo espaço, a capacidade de se conectar verdadeiramente com os colaboradores e entender suas perspectivas tornou-se essencial.

Durante muito tempo, acreditou-se que um bom líder deveria ser essencialmente estratégico, analítico e assertivo. Porém, o cenário atual mostra que um fator intangível tem um impacto tão grande quanto qualquer métrica de desempenho: a capacidade de compreender e se conectar verdadeiramente com as pessoas. Muitos defendem a importância da empatia nas empresas, mas será que ela realmente está presente na cultura organizacional ou ainda é vista como um conceito abstrato, secundário diante da busca incessante por resultados?

O que ainda impede muitas lideranças de exercitá-la de forma genuína é a crença de que empatia e alta performance são opostas. Há quem pense que ser um líder empático significa aliviar cobranças, aceitar desculpas ou abrir mão da exigência por esses resultados. Mas isso não poderia estar mais distante da realidade. A empatia não é complacência e tampouco significa suavizar conversas difíceis. Pelo contrário, líderes empáticos conseguem equilibrar firmeza e sensibilidade, compreendendo os desafios e as motivações de suas equipes para tomar decisões justas, estratégicas e humanas ao mesmo tempo.

Muitos acreditam que são empáticos apenas por terem boas intenções ou por dizerem frases como “eu sei como você se sente”. Eles se esquecem de que empatia não é assumir que entendemos o outro – é dar espaço para que essa pessoa se expresse sem julgamentos ou interrupções. Não se trata de apenas ouvir, mas de se abrir para compreender o que está por trás das palavras, reconhecendo emoções, contextos e dificuldades.

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Como inspirar os colaboradores a serem empáticos?

Para as organizações, o grande desafio não é apenas reconhecer a importância da empatia, mas ensinar os colaboradores a serem empáticos. Diferentemente de habilidades técnicas, a empatia exige autopercepção, desenvolvimento da escuta ativa e, principalmente, um esforço contínuo para sair da própria perspectiva e enxergar o mundo pelo olhar do outro. Treinar lideranças para serem mais empáticas não pode ser um processo mecânico ou superficial. Workshops e treinamentos são úteis, mas desde que haja um genuíno esforço de praticar tudo o que for aprendido e ampliar as reflexões sobre o tema.

O primeiro passo para desenvolver a empatia em líderes é ajudá-los a perceber a ausência dessa habilidade em sua abordagem de gestão. Muitas vezes, executivos e gestores não se dão conta de que sua comunicação é pouco empática até que seus times comecem a dar sinais de desmotivação, com aumento da rotatividade ou baixa colaboração. Algumas perguntas podem servir como um “espelho” para líderes avaliarem seu nível de empatia: “Como você reage quando um colaborador compartilha uma dificuldade?”; “Você o interrompe ou permite que ele conclua seu raciocínio?”; “Sua primeira resposta é para julgar ou tentar compreender?”; “Você realmente escuta ou apenas espera a sua vez de falar?”.

Líderes que não possuem empatia suficiente costumam cair em alguns padrões comuns, como minimizar os problemas da equipe, interromper conversas para dar soluções rápidas, desconsiderar o impacto emocional das decisões e demonstrar impaciência diante de questões interpessoais. Um dos desafios na formação de lideranças empáticas é justamente romper com esses comportamentos automáticos e substituí-los por práticas mais conscientes, como escutar ativamente, validar sentimentos, fazer perguntas abertas e criar um ambiente seguro para diálogos honestos.

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Liderança: um ponto de atenção nessa jornada

Os benefícios de uma liderança empática são evidentes. Empresas que investem nesse tipo de cultura desfrutam de maior engajamento, menor rotatividade e menos casos de burnout, além de mais inovação e colaboração. No entanto, à medida que os profissionais sobem na hierarquia, a tendência é que o exercício da empatia diminua. Isso ocorre porque a rotina da alta liderança, muitas vezes, afasta executivos do dia a dia da operação, tornando suas decisões mais distantes da realidade dos times. Quando essa desconexão acontece, os impactos se multiplicam: as equipes se sentem desvalorizadas, a motivação cai e a organização passa a ter dificuldades em atrair e reter talentos.

Felizmente, a empatia não é um traço imutável de personalidade, mas sim uma habilidade que pode – e deve – ser desenvolvida. O primeiro passo para incorporá-la na liderança é motivar esses profissionais a ouvir de verdade, sem antecipar respostas ou conclusões. Também é essencial que eles sejam capazes de validar as emoções do outro, reconhecer perspectivas e respeitar os limites das pessoas, sem pressa para oferecer soluções. Um bom líder não precisa ter todas as respostas, mas deve ser capaz de criar um ambiente em que a equipe se sinta segura para expressar dúvidas, opiniões, ideias, dificuldades e desafios sem medo de julgamentos.

Em um mercado cada vez mais competitivo, em que a retenção de talentos se tornou um dos maiores desafios para as empresas, a empatia se consolida como um verdadeiro diferencial estratégico. Líderes que sabem se conectar com suas equipes criam organizações mais fortes, resilientes e inovadoras. Afinal de contas, os resultados vêm de pessoas – e pessoas entregam mais quando se sentem valorizadas.

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Empatia não é um modismo do mundo corporativo, mas uma peça-chave na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e de equipes mais comprometidas. A grande questão é: “Sua organização está realmente preparada para liderar com empatia?”.

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