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A epidemia da solidão

Importante para conter o coronavírus, o isolamento social aumenta a sensação de vazio. Saiba quais são os impactos desse estado mental no trabalho

por Marcia Di Domenico Atualizado em 16 abr 2021, 08h57 - Publicado em
16 abr 2021
08h00

Esta reportagem faz parte da edição 73 (abril/maio) de VOCÊ RH

V

ivemos um paradoxo: nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão sozinhos. As interações constantes via celular ou redes sociais, a forte polarização e o medo constante (de contaminação, da violência, de perder o emprego) têm levado as pessoas a se recolher cada vez mais, paralisando as relações e aumentando a distância entre nós. Não se trata de um cenário gerado pela pandemia, mas que certamente foi agravado pela crise do coronavírus.

No estudo Percepções dos Impactos da Covid-19, do Instituto Ipsos, que ouviu participantes em 28 países, o Brasil é o local onde as pessoas mais se sentem solitárias: 50% das que responderam à pesquisa têm essa sensação. Turquia (46%) e Índia (43%) vêm na sequência. Para 52% dos brasileiros, a pandemia aumentou o sentimento de solidão (a média global é de 41%), e para 46% teve reflexo negativo na saúde mental.

  • Considerada um sintoma do nosso tempo, a solidão faz parte da vida e pode nos atingir em diversos momentos, sobretudo naqueles que demandam adaptação a algum tipo de transição, como uma separação, a morte de alguém próximo ou uma mudança de cidade ou de emprego. Nessas situações, é normal sentir-se isolado com as próprias dores.

    A experiência da solidão é totalmente subjetiva; não tem definição fácil nem contornos definidos. Não é simplesmente estar sozinho, algo que pode ser encarado com felicidade por muitas pessoas que precisam de um tempo só para si. A falta de companhia se torna um problema quando envolve tristeza, melancolia, medo, sensação de vazio e vergonha — muito por causa da percepção socialmente errada de que se alguém está sozinho é porque fracassou.

    Mas a solidão também é feita de sensações mais difusas. “Tem a ver com desamparo, com a sensação de não pertencimento, de não ser importante para ninguém e de não ter com quem contar”, diz Elson Asevedo, psiquiatra da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Além disso, é importante distinguir entre o isolamento físico (que é, objetivamente, o que vivenciamos na pandemia) e o isolamento afetivo (que traz a sensação de estar solitário). “A falta de relacionamentos significativos é a principal causa da solidão”, diz o psiquiatra.

    As faces do problema

    A solidão se tornou pauta de saúde pública em países como Canadá, Austrália e Dinamarca, que vêm criando campanhas e alianças para a formulação de políticas com foco na redução de danos à saúde física e mental ligados ao isolamento.

    No Reino Unido, onde 9 milhões de pessoas (quase 15% da população) declararam se sentir sozinhas a maior parte do tempo, foi criado o Ministério da Solidão, em 2018, com foco em endereçar ações para aliviar o peso que ela impõe à vida das pessoas e ao sistema de saúde. Afinal, solidão não é doença, mas é considerada fator de risco para várias.

    Este é um trecho da reportagem de capa da edição 73 (abril / maio) de VOCÊ RH. Para ler o texto completo, compre a edição 73 de VOCÊ RH, que já está nas bancas de todo o país. Ou clique aqui para se tornar nosso assinante e tenha acesso imediato à edição digital, disponível para Android e iOS.

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