O custo do silêncio para as organizações
Adiar conversas difíceis, calar-se no feedback e diante de assédio ou dos méritos de um colaborador têm impacto financeiro.

Passar dias ou até semanas preso a um problema não resolvido no trabalho, mantendo silêncio sobre a questão, não é apenas frustrante, mas um desperdício significativo de tempo e recursos. Segundo uma pesquisa da Crucial Learning, 43% dos entrevistados afirmam que esse tipo de impasse pode se estender por mais de duas semanas. O impacto financeiro também é expressivo: um em cada três funcionários estima que a dificuldade em lidar com momentos cruciais já representou um prejuízo de pelo menos US$ 25 mil para suas empresas.
O silêncio tem um custo alto e muitas vezes invisível. Quando casos de bullying e assédio são ignorados, a omissão se transforma em conivência, alimentando uma cultura de medo. Nessas situações, em uma empresa, por exemplo, não é apenas o bem-estar emocional da pessoa que está em jogo, mas também a reputação da organização. Tolerar esse tipo de dinâmica é correr o risco de comprometer a credibilidade e até sua sustentabilidade no longo prazo.
Vácuo de feedback
O silêncio em devolutivas de atividades, o chamado feedback, também é um fator crítico em diversos setores e pode comprometer resultados quando há ausência de posicionamento. Essa lacuna pode decorrer da falta de empatia entre lideranças e colaboradores. Uma pesquisa da Mindsight aponta que seis em cada dez entrevistados já enfrentaram problemas com a chefia, sendo a falta de feedback a questão mais citada por 13% dos profissionais. Quando uma tarefa não é concluída e não há qualquer manifestação ou intervenção, o silêncio se torna um peso para todos ao redor, impactando inclusive o engajamento.
O silêncio também cobra um alto preço quando se trata da falta de reconhecimento e do desmerecimento. Situações em que um supervisor assume injustamente o crédito por um projeto, por exemplo, geram desmotivação imediata.
É preciso citar, ainda, que conversas difíceis são inevitáveis e essenciais para a saúde de qualquer ambiente, seja corporativo, escolar ou familiar. Adiar esses diálogos e optar pelo silêncio compromete a cultura organizacional. No entanto, é fundamental que essas trocas aconteçam em um ambiente seguro, sem medo de retaliações, para que possam gerar mudanças reais e produtivas.
Romper com a cultura do silêncio exige disposição para o diálogo, empatia e um ambiente que valorize a transparência. Quando a comunicação se torna uma prática primordial, as organizações não apenas evitam prejuízos financeiros e emocionais, mas também fortalecem vínculos, impulsionam a produtividade e constroem uma reputação sólida.
Quatro dicas para evitar os impactos negativos do silêncio nas organizações:
Não adie conversas difíceis
Questões delicadas, como conflitos e falhas operacionais, devem ser abordadas com transparência.
Mantenha a cultura de feedback contínuo
O silêncio no retorno sobre o desempenho pode desmotivar equipes e comprometer resultados.
Reforce a valorização
O silêncio diante um bom trabalho pode ser tão prejudicial quanto uma crítica injusta.
Enfrente comportamentos tóxicos
Jamais ignore casos de assédio, bullying ou desmerecimento.
* Patricia Ansarah é psicóloga organizacional e fundadora do Instituto Internacional de Segurança Psicológica (IISP).