Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Corrida por talentos: como atrair profissionais de tecnologia?

A área de tecnologia terá que recrutar cerca de 420.000 profissionais nos próximos três anos — mas o Brasil só forma 46.000 pessoas

Por Caroline Marino Atualizado em 16 ago 2021, 19h42 - Publicado em 20 ago 2021, 07h00

Esta reportagem faz parte da edição 75 (agosto/setembro) de VOCÊ RH

Com a corrida pela digitalização, as empresas vivem um paradoxo: estão abrindo vagas de TI, mas não conseguem preenchê-las. Uma projeção da Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom) afirma que a área terá que recrutar aproximadamente 420.000 profissionais nos próximos três anos — mas o Brasil só forma 46.000 pessoas por ano. “O mercado já estava aquecido, com muitas empresas investindo na automação de processos, mas com a pandemia de covid-19 isso se intensificou, e novos pilares entraram na busca por pessoas de TI”, diz Caio Arnaes, diretor de recrutamento da Robert Half.

O primeiro pilar, segundo ele, é que a adesão ao home office, com a maior parte dos trabalhadores trabalhando de casa, abriu muitas brechas de segurança, e os ataques cibernéticos aumentaram — o que demanda profissionais especializados. O segundo está relacionado à quebra de barreiras geográficas nas contratações de funcionários, já que as companhias perceberam que é possível contar com pessoas de qualquer lugar. “Vimos um movimento de muitos negócios de fora, como Estados Unidos e Europa, buscando pessoas aqui no Brasil”, afirma Caio. Empresas do Vale do Silício, por exemplo, contrataram desenvolvedores brasileiros fluentes em inglês com um salário muito atrativo. Isso fez a disputa por talentos — que já era alta — ficar ainda maior.

Outro ponto, de acordo com Aliesh Costa, CEO da consultoria Carpediem RH, é a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), em vigor desde setembro de 2020, que obrigou as empresas a buscar adequações na forma de tratar os dados pessoais de seus clientes. “Para se adequar à nova lei, as organizações passaram a contratar mais profissionais de TI”, diz.

  •  Seleção redesenhada

    Essas mudanças exigem do RH um novo olhar para as ações de recrutamento e seleção dessa área — e uma das mais urgentes é diminuir o número de etapas. Processos de cinco ou seis fases devem dar lugar a programas mais ágeis. “Quanto mais curto, melhor. É preciso ter em mente que, geralmente, os profissionais estão participando de mais de uma seleção por causa do mercado aquecido, e corre-se o risco de perder talentos com processos muito longos”, explica Caio.

    Na Atos, empresa que atua com serviços de tecnologia, a forma de abordagem já mudou. “Não dá mais para aplicar um programa de testes intenso e cansativo. O número de etapas depende da posição, mas tentamos que, entre o contato do recrutador e a entrevista com o gestor imediato, haja no máximo três interações”, diz Alexandre Benatti, diretor de recursos humanos da Atos para a América do Sul. A ideia é pensar no recrutamento como uma jornada de experiência, sem baixar a régua de qualidade, mas oferecendo um processo que seja interessante e atrativo para o candidato. Em alguns casos, por exemplo, a aposta é realizar entrevistas em grupo, com duas ou três pessoas falando com o profissional em apenas um contato.

    Outra iniciativa da empresa é estabelecer parcerias com instituições de ensino para capacitar profissionais de TI em diversas regiões do país. No início deste ano, por exemplo, a companhia iniciou uma parceria com a Universidade Franciscana (UFN) de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Com isso, foi possível a criação do primeiro centro tecnológico da região, o que beneficiou os estudantes da UFN e os moradores da cidade de Santa Maria. De acordo com Alexandre, as academias, como são chamadas as capacitações, abordam temas que envolvem toda a jornada de tecnologia — da programação ao atendimento ao cliente —, como service desk, Java, ABAP e SAP. A iniciativa é uma das estratégias de recrutamento da empresa que, além de formar mais profissionais para o mercado, seleciona os melhores talentos para atuar na Atos. “Todos os programas são acompanhados por especialistas da Atos, seja para desenhar o curso, seja para disseminar conhecimento. Assim, conseguimos ver quem está se destacando e tem potencial e perfil para entrar na empresa”, afirma.

    Este trecho faz parte de uma reportagem da edição 75 (agosto/setembro) de VOCÊ RH.  Clique aqui para se tornar nosso assinante

    Continua após a publicidade
    Publicidade