Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês

A crise chegou na área de recursos humanos

A terceira edição da pesquisa exclusiva VOCÊ RH - DELOITTE mostra que o salário em quase todos os níveis da área de gestão de pessoas caiu em 2017

Por Marcia Kedouk Atualizado em 5 dez 2020, 19h13 - Publicado em 18 dez 2017, 04h00

Depois de um período de alta, a remuneração dos profissionais de recursos humanos teve queda nos últimos dois anos. Em 2013, um diretor de RH recebia um total de 39 746 reais, considerando o salário-base acrescido de comissão, bônus e participação nos lucros. Em 2015, ele passou a ganhar 41% mais, chegando a 56 074 reais. Hoje, seu rendimento médio encolheu 8%, ficando em 51 479 reais.

O pagamento de gerentes e supervisores também oscilou, com alta em 2015 — de 2% e 18%, respectivamente —, seguida de baixa em 2017, de 6% e 3%. Se avaliada só a remuneração-base, o tombo foi menor, mas ainda assim caiu de 0,2% a 4%. Apenas a função de analista teve acréscimo em ambos os critérios — de 4% nos últimos 24 meses. Mas o ganho perdeu para a inflação. (O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo acumulado de maio de 2015 a abril de 2017 foi de 13,74%.)

Os dados são da terceira edição da pesquisa exclusiva encomendada por VOCÊ RH à consultoria de negócios Deloitte, que mapeou o salário em 18 cargos da área de recursos humanos, do analista ao vice-presidente. Participaram do estudo 252 empresas (129 a mais do que a última análise, de 2015), de 12 segmentos da economia, sendo metade delas com faturamento acima de 200 milhões de reais.

Toque para ampliar Ricardo Teles/ Vale/Divulgação

A crise pela qual passa o Brasil está na raiz das perdas. “Como os dois últimos anos não foram de bons resultados para a maioria das companhias, a remuneração variável ficou menor, principalmente entre os executivos”, afirma Roberta Yoshida, sócia da área de consultoria em gestão de capital humano da Deloitte e uma das responsáveis pelo estudo.

Não foi só o dinheiro que diminuiu — as equipes também. Pouco mais de 45% das corporações participantes afirmam que empregam até dez profissionais no departamento de recursos humanos. Dois anos atrás, a maior parte das organizações tinha até 20 pessoas nesse setor.

Continua após a publicidade

Com menos gente, o líder de RH (CHRO, da sigla em inglês) precisa alocar recursos em ações mais estratégicas. O desafio — que virou bordão — de “fazer mais com menos”, de formar pessoas para encarar o futuro imprevisível e de economizar com os cursos encaixotados do mercado fez com que os especialistas em treinamento e desenvolvimento (T&D) fossem valorizados.

Toque para ampliar

O gerente de T&D, o terceiro mais bem pago do RH em 2013, passou a ser o segundo em 2015 e alcançou a liderança neste ano, com ordenado médio de 22 152 reais. No mesmo período, o supervisor de treinamento saiu da lanterninha e também chegou ao topo, com ganho mensal de 11 383 reais. Ambos os níveis desbancaram os profissionais de remuneração, tradicionalmente os de maior salário entre seus colegas. A diferença, de 1% a 2%, é pequena, mas reflete uma tendência de negócio.

As empresas não têm mais como ampliar a oferta salarial nem de onde cortar custos. O estratagema de números parece ter se esgotado. “Hoje, o que as diferenciam num ambiente competitivo é a capacidade de engajar os funcionários, papel que depende da liderança”, diz José Augusto Figueiredo, presidente para o Brasil e vice-presidente para a América Latina da consultoria Lee Hecht Harrison (LHH). “Por isso, a questão central nas companhias é o desenvolvimento dos líderes e das novas gerações.”

Capacitação sempre foi prioridade, mas ultimamente tem se mostrado um desafio. Não só o aprendizado em si é um fator importante para os trabalhadores se apegarem ao empregador, como a forma como se ensina tem passado por uma profunda revisão. Os modelos tradicionais de treinamento, em que um fala enquanto outros escutam, entretêm cada vez menos, principalmente os jovens. “Essa é uma área que está lidando com novas demandas, que requerem pessoas inovadoras e antenadas com as tendências”, diz Roberta, da Deloitte.

A expectativa de que os profissionais sejam capazes de traduzir as necessidades do mercado e aplicá-las ao negócio não se restringe à equipe de treinamento e desenvolvimento. Essa é uma visão que permeia a gestão de pessoas e exige que o principal executivo da área seja, de fato, um líder para toda a corporação.

Toque para ampliar Minerva Studio/Thinkstock
Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Continue no caminho para se tornar uma referência. Assine VC RH e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da VOCÊ RH! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da VOCÊ RH, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Pautas fundamentais para as lideranças de RH.

Cobertura de cursos e vagas para desenvolvimento pessoal e profissional.

Receba todo bimestre a VOCÊ RH impressa mais acesso imediato às edições digitais no App VOCÊ RH, para celular e tablet.

a partir de R$ 14,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Acesso ilimitado ao Site da VOCÊ RH, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Pautas fundamentais para as lideranças de RH.

Cobertura de cursos e vagas para desenvolvimento pessoal e profissional.

App VOCÊ RH para celular e tablet, atualizado mensalmente

a partir de R$ 12,90/mês