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David Laloum, presidente da Y&R: brasileiros fazem acontecer

O francês David Laloum, que preside a Y&R, acredita que vivenciar outras culturas traz crescimento profissional e pessoal

Por Tamires Vitorio Atualizado em 5 dez 2020, 19h36 - Publicado em 15 fev 2018, 04h00

O publicitário David Laloum trocou a França pelo Brasil por um motivo que ele chama de escolha de vida: casou-se com uma brasileira.

O executivo deixou o cargo de diretor da agência Wunderman em Paris para liderar, em 2006, a área de planejamento da Young & Rubicam, empresa de publicidade e propaganda, em São Paulo. Dez anos depois, assumiu o posto de presidente da companhia.

O ambiente de trabalho brasileiro é muito diferente do francês?

No Brasil, as questões profissionais e pessoais são menos separadas. Isso traz aspectos positivos, porque o envolvimento e o compromisso são maiores, as conversas são mais densas e essa construção de relação pode gerar resultados melhores, como o trabalho para chegar a um objetivo comum. Por outro lado, há menos objetividade na busca desse resultado. O balanço geral dessas diferenças, para mim, é extremamente positivo, pela vontade de fazer acontecer e pela energia que os brasileiros colocam no ambiente de trabalho. Aqui, você consegue produzir, em uma semana, o que na França eu não faria em um mês e meio.

O que você aprendeu durante a sua carreira que ajuda na tomada de decisões como presidente?

A primeira é a transparência radical. Ela está ligada a outro aspecto, que é a coragem. Fazer escolhas o tempo inteiro traz riscos, porque as pessoas podem gostar ou não delas – então, para isso, precisa de coragem. Também aprendi com o tempo sobre velocidade das ações: é preciso executar as decisões de maneira rápida.

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Quais os benefícios de ter construído uma carreira no Brasil?

O maior benefício é cultural, é a possibilidade de aprender uma cultura que não a sua de origem. Fui educado de um jeito, ouvi músicas e li livros que são, naturalmente, muito diferentes da cultura brasileira – e isso gera uma complementariedade extraordinária, tanto pessoal quanto profissional. Tento não perder o bom do que tinha no meu background e procuro agregar a isso coisas boas de agora. Sair do país, para estudo ou trabalho, e poder somar ao que assimilou no seu lugar de origem faz crescer como ser humano e como profissional. Se você ficar muito gringo, você sofre. Deve haver um equilíbrio em trazer o que já conhece e aprender coisas novas.

O que mudou no mercado publicitário desde que você chegou no Brasil?

Tudo. Mudou a conjuntura. Estamos em um país que está sofrendo uma crise há três anos e isso impacta seu olhar sobre o negócio, sobre a gestão de uma empresa, sobre as decisões. É mais difícil, mas, ao mesmo tempo, obriga a fazer um trabalho mais profundo de gestão. Não há espaço para observar – você tem que fazer acontecer. A segunda parte está ligada à revolução tecnológica dos últimos anos, que gera evolução nos negócios. No caso da propaganda, há um leque muito maior de opções para se conectar com os consumidores, uma precisão e uma complexidade de informações que trazem mais segmentação. Isso muda toda a organização. Continuamos fazendo o que fazíamos antigamente, mas agregando novas competências para uma entrega mais completa.

Como você enxerga o seu papel na empresa?

Acho que estou começando a virar presidente da agência. Não tenho um olhar hierárquico sobre isso – penso que o papel do presidente não é um papel só de operação. A questão cultural é muito forte: está ligada a valores, à capacidade de dar uma visão de médio e longo prazos para a companhia e criar um ambiente em que as pessoas possam embarcar nessa visão, que é construída a partir de muitos pontos de vista. Na posição que ocupo, vive-se com a empresa. É uma prática de acordar e dormir com ela, porque há uma responsabilidade muito grande, não só pelo cargo, mas pela vontade de impactar o futuro positivamente. Ainda assim, para mim, sou igual ao copeiro, ao manobrista. Não me sinto diferente, porque somos seres humanos e cada um contribui de uma forma. A função de CEO implica em estar na mesa com os funcionários, mostrar que faz parte do ecossistema e se colocar ao alcance dos outros. A partir dessa visão, decidi que não vou mais ter sala. Vou sentar em uma bancada com todo mundo.

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