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Isis Borge Diretora da divisão de recrutamento Engenharia, Supply Chain, Marketing e Vendas da Talenses

Por que este é o melhor momento para procurar vagas de emprego

O lema de que o ano só começa depois do Carnaval não vale para 2021. Empresas estão recrutando em janeiro e quem busca oportunidade tem boas chances agora

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH Atualizado em 14 jan 2021, 20h43 - Publicado em 15 jan 2021, 10h00

O ano de 2021 inicia de forma atípica. Nos anos anteriores, muitas empresas esperavam esse período para começar a pensar em contratações e existia até aquele jargão no mercado que “o ano só começa após o carnaval”. Mas 2021 tem se mostrado bastante intenso desde o primeiro dia útil, o que é uma boa notícia para quem está em busca de uma oportunidade de emprego. Acredito que esse cenário se deva pelo fato de que, depois de um longo período de desaceleração de contratações e congelamento de muitas vagas, no último trimestre de 2020 as companhias iniciaram a retomada.

No entanto, ainda tenho visto aumentos salariais tímidos. Também tenho acompanhado muitos profissionais migrando lateralmente, mais pela perspectiva de novos desafios e de crescimento e carreira do que por aumentos nos pacotes de remuneração. A questão do propósito tem se mostrado um fator muito importante na hora de um profissional aceitar uma nova proposta.

A adaptação de empresas e profissionais já está mais evoluída

O cenário, como um todo, é bastante novo para todo mundo. As empresas levaram algum tempo para se adaptar aos processos de contratação remota, incluindo entrevista, admissão e onboarding. Algumas precisaram se adaptar da noite para o dia, tanto com tecnologia quanto com relação à processos e cultura, para que os profissionais pudessem trabalhar remotamente. Agora, parece que grande parte já está mais adaptada a essa nova realidade.

Com relação ao pacote de benefícios, tenho visto muitas revisões. Para profissionais que estão trabalhando de forma remota, o transporte fretado, o estacionamento e o vale-refeição têm sido menos úteis do que um vale-alimentação e um auxílio financeiro para equipar o home office. Eu tive algumas vagas nesse início de ano cujo modelo de trabalho era home office definitivo.

Um ponto interessante disso tudo é ver que as empresas estão dispostas a inovar e arriscar, inclusive contratando pessoas de outras localidades sem a preocupação de que elas irão trabalhar a maior parte do tempo de forma remota. Isso é ótimo para o empregador, que fica menos limitado a contratar prioritariamente pessoas que moram nas proximidades de suas estruturas. Por outro lado, aumenta a competitividade, do ponto de vista dos profissionais.

Devido a esses movimentos, também iniciamos o ano vendo grandes empresas desmobilizando espaços físicos, devolvendo andares em escritórios e restabelecendo o modo operante da organização como um todo. Como consequência, em locais de grande circulação de profissionais, como as regiões do Itaim, Vila Olímpia e Brooklin, em São Paulo, vemos grandes prédios vazios e os comércios ao redor sofrendo bastante com esse novo modelo de trabalho.

Acredito que o trabalho híbrido vá prevalecer

Muita gente me pergunta o que eu acho que irá acontecer ao longo de 2021. Tenho observado que empresas afastadas das grandes capitais têm optado mais pelo modelo presencial de trabalho, quando possível. Já em grandes capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre, têm priorizado o trabalho remoto. Acredito que, após termos a maior parte da população vacinada, muitas empresas irão retomar gradualmente os trabalhos presenciais para as atividades administrativas, mas em um modelo mais híbrido, com a semana mesclada entre trabalho remoto e presencial.

A verdade é que as pessoas aprenderam a trabalhar de casa e as equipes, em sua maioria, têm se mostrado produtivas trabalhando de forma distribuída, sem o cansaço do trânsito e sem tantas interrupções. O grande desafio do trabalho remoto continua sendo no quesito de inserir novos colaboradores na cultura da empresa e de garantir o engajamento e a motivação dos times. Isso sem falar nos desafios dos líderes de aprender a confiar mais e liderar de uma forma mais inspiradora.

Mercados aquecidos e desaquecidos

Os mercados menos afetados pela pandemia devem continuar aquecidos, como: logística, tecnologia, e-commerce, agronegócios, farmacêutico, equipamentos médicos e serviços para saúde, além de parte do setor de consumo, como alimentos, cuidados com a casa e cuidados pessoais. Os setores químico e de energia também se mantiveram relativamente estáveis e contratando.

Outros mercados foram bastante impactados e, por essa razão, devem continuar mais conservadores com relação a novas contratações, como é o caso do setor de maquinários (bens de capital), automotivo e  aeronáutico. O varejo foi outro setor que sentiu bastante as oscilações do mercado e agora, timidamente, começa a dar sinais de melhora. Um setor que tem se mantido conservador há tempos e demonstra sinais de boa retomada é o de construção civil para edificações, prédios residenciais, comerciais e galpões logísticos, mas ainda bastante tímido quando olhamos para infraestrutura.

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Com base nas minhas percepções e em conversas com líderes e profissionais em geral, acredito que mesmo nos mercados mais abalados existem vagas. Algumas pessoas estão sendo substituídas por não estarem se adaptando a esse novo modelo de trabalho, outras estão se movimentando, algumas se aposentam ou são desligadas por baixa performance. Isso sem falar nas vagas imprescindíveis de serem preenchidas.

Perfil desejado pelo mercado

Com relação ao perfil desejado pelo mercado, tenho visto as habilidades comportamentais contarem muito, apesar de a qualificação técnica ser muito importante na primeira triagem dos perfis. As empresas têm valorizado bastante: comunicação, comprometimento, senso de dono, flexibilidade, autogerenciamento, abertura ao novo, disposição para estudar e aprender coisas novas, proatividade, adaptabilidade e positividade, além da capacidade de ser multitarefa e de se relacionar com outras pessoas

Muitas das substituições que tenho visto são por entregas de resultados abaixo do esperado, mas também por fatores comportamentais de pessoas mais resistentes a mudanças. Nesse modelo remoto, também ouço líderes queixando-se de profissionais que não os atualizam do andamento das ações no dia a dia, não cumprem prazos ou ficam indisponíveis por longos períodos.

Habilidades comportamentais também estão sendo exigidas dos gestores. Perfis que não estão sabendo fazer a gestão das equipes à distância ou que se mostram muito donos da verdade ou muito firmes e rudes também têm perdido espaço nos processos seletivos e dentro das empresas. O mercado está à procura de líderes com perfis inspiradores, que confiem mais e consigam extrair as melhores características e os melhores resultados de cada um, entre outras habilidades que mencionei no artigo Saiba Quais Tipos de Líderes Estão Mais Valorizados Nesse Momento.

Na alta liderança, vemos as empresas pedindo profissionais que decidam com agilidade e precisão, com capacidade de levar a empresa aos patamares de resultados esperados pelos acionistas. Nessa faixa da pirâmide, estão valorizados profissionais com boa visão de mercado para propor e abrir novos negócios, encerrar negócios não rentáveis, identificar novas aplicações para os produtos ou serviços existentes além de identificarem oportunidades de empresas que possam ser compradas ou mesmo buscar opções de capitalização por investidores externos, bancos ou com projetos de abertura de capital.

O perfil do gestor mais valorizado são perfis que liderem com empatia, abertos e que promovam mudanças, que ajam como mentores, abertos à diferentes opiniões e que promovam diversidade dentro das empresas.

A diversidade está cada vez mais presente

O mercado de trabalho em geral espera que tanto líderes quanto liderados estejam abertos a apoiar a diversidade. Temos empresas em um estágio bem avançado na discussão e implementação de ações sobre o tema. Algumas já estão definindo qual será o foco do ano, inclusive com formação de comitês internos para tratar o tema. Eu vejo com bons olhos o mercado de trabalho migrando para esse momento mais aberto e igualitário.

Por tudo isso, acredito que esse é o melhor momento para buscar uma nova oportunidade de trabalho. O mercado está dando sinais de retomada e muitas empresas estão iniciando novos processos seletivos e dispostas a contratar. As companhias, de uma forma geral, estão mais abertas a flexibilizar habilidades técnicas e questões relacionadas à localização geográfica do profissional. Sinto o mercado mais positivo e com boas oportunidades surgindo.

Tenha foco, coloque na agenda as ações necessárias para a busca de uma nova oportunidade como se fosse um projeto e vá atrás do seu próximo desafio.

Te desejo sucesso nessa jornada!

 

Foto de Isis Borge
Divulgação/VOCÊ S/A
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