O que você pretende aprender em 2025?
Desenvolver habilidades constantemente é essencial para sua carreira. Então reflita sobre quais aprendizados serão mais benéficos para você. E foque neles.

“Que língua eu preciso saber para falar com as pessoas do mundo todo?”. Essa foi a pergunta que eu, então com meus 4 ou 5 anos, fiz aos meus pais quando fui informada de que as pessoas falavam idiomas diferentes ao redor do planeta. Essa pergunta me veio à mente hoje quando, após quase 30 anos trabalhando com educação e desenvolvimento humano, me sentei ao computador para escrever minha primeira coluna sobre aprendizagem para a Você RH. Me reconectei com aquela criança e com sua vontade de aprender, com sua curiosidade e, principalmente, com seu pragmatismo ao assumir que haveria um idioma que permitiria falar com todas as pessoas e, assim, não seria necessário aprender várias línguas. Ou seja, já aplicava intuitivamente a regra do 80/20. O Princípio de Pareto, ou a regra 80/20, data de 1895 e afirma que, para muitos fenômenos, 80% dos resultados vêm de 20% do esforço. Esse princípio recebeu o nome de Vilfredo Pareto – um economista italiano.
Na pergunta que fiz aos 4 ou 5 anos, parece haver uma crença de que eu AINDA não sabia o que precisava saber para poder me conectar com quem quisesse, onde quer que fosse, mas que esse estado de coisas seria temporário e eu poderia mudar minha sina aprendendo essa provável língua franca. Talvez alguns de vocês já reconheçam nesse destaque da palavra AINDA um ponto central da teoria de Carol Dweck em seu livro Mindset: A nova psicologia do sucesso. Segundo a autora, existiriam duas abordagens diferentes que nossa mente pode assumir – duas mentalidades diversas –, e essa diferença faz com que alguns de nós sejamos aprendizes mais eficazes que outros: podemos crer que somos capazes de desenvolver novas habilidades e novas competências por meio de nossas experiências ou, por outro lado, acreditar que temos um limite ao que é possível alcançar, definido ao nascer, decorrente de competências inatas.
Os que acreditam ser possível desenvolver habilidades e competências ao longo do tempo teriam uma vantagem sobre os que não compartilham dessa crença, pois esse segundo grupo apresentaria uma “mentalidade fixa”.
Fracassos também ensinam
A ideia de que a crença das pessoas em sua capacidade de superar dificuldades, desenvolver-se e alcançar resultados desejados é um fator fundamental para o sucesso, transcende a academia. Em seu famoso discurso de setembro de 2009, “Let Your Failures Teach You” (“deixe que os seus fracassos o ensinem”, em tradução livre), o então presidente Barack Obama afirmou: “a maior parte das pessoas bem-sucedidas do mundo são aquelas que tiveram mais fracassos”. E ele segue elencando vários exemplos, como J.K. Rowling (que teve seu manuscrito de Harry Potter rejeitado 12 vezes até ser aceito e se tornar o tremendo sucesso que conhecemos) e Michael Jordan (que foi cortado de seu time de basquete do ensino médio), entre outros.
Para Dweck, o que importa é a forma como atribuímos significado ao fracasso. A ideia de AINDA não ter conseguido, em vez da autocrítica tão disseminada de “eu não sou bom (boa) nisso ou naquilo”.
Pense em sua trajetória: Quais foram seus fracassos? O que aprendeu com eles? E quanto aos seus sucessos? Foram bons professores?
Como tem sido seu caminho de aprendizagem?
Façamos juntos um pequeno exercício: qual foi a última vez que você aprendeu algo novo? Como foi essa experiência? Que imagem melhor a representa: uma perfeita linha ascendente em um gráfico cujos eixos seriam tempo e competência? Ou sua experiência foi mais parecida com uma trilha de mountain bike na Serra da Mantiqueira, com subidas difíceis, platôs regenerantes e descidas alucinantes?
Essa pergunta, muito usada por consultores em programas de desenvolvimento dentro das empresas, é poderosa, pois provoca esse resgate de nós mesmos e de como caminhamos até aqui. Como cada um de nós se relaciona com aquilo que AINDA não domina e que estratégias usamos para aprender.
Se achou difícil lembrar-se da última vez em que aprendeu algo novo, a próxima pergunta é para você: o que será que acontece quando crescemos para que a maioria de nós deixe de aprender habilidades novas quando adultos? No livro Beginners: The Joy and Transformative Power of Lifelong Learning (“Principiantes: A alegria e o poder transformador da aprendizagem ao longo da vida”, em tradução livre), o autor Tom Vanderbilt decide se desafiar a aprender cinco novas habilidades ao longo de um ano e buscar entender como isso nos impacta, advogando que todos devemos buscar ser principiantes de novo.
Com o início de mais um ano, parece oportuno lançarmos esse desafio para nós aqui também: o que pretendemos aprender de novo em 2025? Antes de definirmos o que queremos aprender, vamos dar um passo atrás: afinal, o que é aprendizagem para você? Pense por um minuto em como você definiria esse conceito. Provavelmente palavras como “conhecimento”, “habilidades”, “competências” e “aquisição” podem ter surgido em sua mente. O processo de adquirir ou modificar conhecimentos e habilidades é a base do que compreendemos como aprendizagem.
Para facilitar a identificação do que queremos aprender nesse ano, vale refletir: Em que área de nossa vida queremos aprender algo novo? o Para que queremos aprender? Que impacto esse aprendizado terá em nossa existência hoje? E no futuro? O quão proficiente queremos ser? Como saberemos se chegamos lá? o Como pretendemos nos manter comprometidos com esse objetivo?
Entre os meus objetivos de aprendizagem para esse ano, quero fazer um compromisso público: pretendo aprender a ser uma colunista que traga reflexões úteis para quem se interessar pelo tema aprendizagem e criar um espaço na Você RH de troca e construção conjunta.
Convido você, leitor(a), a embarcar comigo nessa jornada de aprendizado contínuo. Que possamos, juntos(as), explorar novas ideias, enfrentar desafios e celebrar fracassos e sucessos. Afinal, a aprendizagem é a chave para nossa evolução contínua e transformação pessoal.