Os riscos de ficar se comparando aos colegas
Focar na grama verde do vizinho, em detrimento do nosso próprio desenvolvimento, pode sabotar nossa trajetória de carreira.

Em nossa sociedade cada vez mais conectada e exposta à vida dos outros por meio das redes sociais, é fácil cair na armadilha da comparação: “a grama do vizinho sempre parece mais verde”. Essa mentalidade, que nos leva a focar excessivamente no sucesso dos outros em detrimento do nosso próprio desenvolvimento, pode ser um poderoso sabotador da nossa trajetória de carreira, tanto para indivíduos quanto para empresas.
Comparar-se aos outros, seja em termos de cargo, salário, reconhecimento ou estilo de vida profissional, gera uma ilusão de progresso ruim. Afinal, qual o sentido de alcançar um degrau na sua escada se a escada do vizinho parece ser infinitamente mais alta? A frustração e o sentimento de estagnação se tornam constantes, desviando o foco de ações concretas que podem impulsionar a sua própria ascensão.
Empresas também não devem focar no quintal alheio
Essa mentalidade se reflete também no ambiente corporativo. Empresas que se comparam incessantemente aos concorrentes, sem analisar a fundo as suas próprias forças e fraquezas, perdem tempo precioso que poderia ser dedicado ao desenvolvimento de estratégias internas de crescimento. Em vez de focar na construção de uma cultura corporativa forte, na formação de seus talentos e na inovação, elas se perdem em uma competição superficial, focando no que a outra empresa tem, e não no que ela pode construir. Como dizia Peter Drucker, “A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo”.
Essa busca incessante pela grama mais verde mascara um problema crucial: a falta de autoconhecimento e planejamento estratégico. Para construir uma carreira de sucesso, seja como profissional ou empresa, é fundamental definir metas claras e realistas, identificar as suas próprias fortalezas e fraquezas e, a partir disso, elaborar um plano de ação focado no desenvolvimento de habilidades e na busca de oportunidades. Um estudo da Harvard Business Review, por exemplo, demonstra que profissionais com metas definidas e planos de carreira sólidos têm maior probabilidade de alcançar o sucesso profissional do que aqueles que se deixam levar pela comparação com os pares.
Fatores que miram a própria evolução
Para colaboradores, é preciso abandonar a ilusão da comparação e se concentrar na construção da sua própria trajetória. Isso inclui:
Autoconhecimento
Compreender suas habilidades, interesses, valores e metas de carreira.
Planejamento estratégico
Definir metas SMART (Específicas, Mensuráveis, Alcançáveis, Relevantes e com Prazo) para sua carreira.
Desenvolvimento de habilidades
Investir em treinamentos, cursos e experiências que contribuam para o seu crescimento profissional.
Networking
Construir relacionamentos profissionais sólidos e buscar mentorias.
Resiliência
Desenvolver a capacidade de superar desafios e aprender com os erros.
Organizações devem analisar o próprio negócio
Para as empresas, o foco deve ser no desenvolvimento de uma cultura de crescimento interno, no investimento no treinamento e evolução de seus colaboradores, na inovação e na construção de uma marca empregadora forte. Comparar-se a outras empresas é válido para benchmarking e aprendizado, mas nunca deve substituir a análise aprofundada do próprio negócio e a formulação de estratégias personalizadas.
A verdadeira grama verde, portanto, não está no quintal do vizinho. Está em cada passo consciente e estratégico que damos em direção aos nossos próprios objetivos. É lá que mora o verdadeiro sucesso.