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IA tende a provocar etarismo no mercado de trabalho

Algoritmos na seleção de emprego levarão em conta suposições sobre habilidades ou potencial de aprendizado relacionados à idade.

Por Alexandre Carvalho
19 mar 2025, 06h57 •
Ilustração de uma jovem ajudando uma senhora a usar o computador.
 (Malte Mueller/Getty Images)
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  • Pesquisa realizada pelo Sesc São Paulo e pela Fundação Perseu Abramo mostra que, apesar do aumento dos maiores de 60 anos que disseram ter conhecimento sobre o termo internet (de 63% em 2006 para 81% em 2020), apenas 19% dos idosos faziam uso efetivo da rede. Informações da Agência Brasil destacam que, segundo a mesma pesquisa, 72% da população da terceira idade nunca haviam utilizado um aplicativo e 62% não usavam redes sociais na época do estudo. O cenário está evoluindo nestes últimos anos, mas ele serve de base para preconceito.

    “É comum observarmos estereótipos sobre pessoas mais velhas, como se fossem menos aptas a usar tecnologias ou não se interessassem por elas, o que não é necessariamente verdade”, explica Rafael Ataide, diretor de Data & Tech da Adtail e pós-graduado em Ciência de Dados e Inteligência Artificial pela PUCRS. Para o especialista, o perigo dos preconceitos é que algoritmos de IA são treinados com grandes conjuntos de dados que refletem padrões e tendências da sociedade.

    Um exemplo comum de preconceito etarista em algoritmos de IA é a discriminação no mercado de trabalho, no qual algoritmos usados ​​em processos de seleção de emprego podem favorecer candidatos mais jovens em detrimento dos mais experientes, com base em suposições equivocadas sobre habilidades, adaptabilidade ou potencial de aprendizado relacionados à idade. “As questões são ainda agravadas pela falta de transparência e responsabilidade na gestão das novas tecnologias. Muitas fórmulas são tão complexas que é difícil identificar e corrigir vieses.”

    Falta pensar a tecnologia para os mais velhos

    De fato, o interesse está maior: outra pesquisa da Offer Wise com a CNDL/SPC Brasil aponta que, em 2021, o percentual de pessoas 60+ com acesso à internet alcançou 97%, um aumento de quase 30% em relação a 2018. Para 84% desses idosos, aliás, o principal meio de acesso é o smartphone.

    O que muitas vezes causa desafios é a falta de preocupação em incluir essa parcela da população nos avanços tecnológicos por meio de design e de funções de navegabilidade específicas. “A verdade é que, muitas vezes, a falta de acessibilidade dos equipamentos e a negligência sobre as reais necessidades dos idosos é o que resulta na exclusão digital e no isolamento tecnológico”, explica Rafael.

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    Essa é uma situação difícil de contornar quando os idosos não estão no corpo de colaboradores das empresas de tecnologia. Rafael ressalta: “Posso afirmar que, em sua esmagadora maioria, as equipes que desenvolvem sistemas de inteligência artificial não são compostas por pessoas de idade avançada. Isso leva à criação de soluções que podem não atender às dúvidas ou auxiliar em dificuldades específicas.”

    Governança e inclusão

    Para atravessar essa barreira, é preciso mais transparência e responsabilidade na gestão das novas tecnologias. Com fórmulas tão complexas, é difícil identificar e corrigir vieses, mas é um trabalho necessário no treinamento de toda e qualquer IA, visto que essa é uma realidade que veio para ficar e que deve acompanhar a humanidade daqui para a frente.

    “Combater o problema inclui adotar medidas desde a fase de desenvolvimento até a implementação dos sistemas de IA, como diversificar o conjunto de dados de treinamento, realizar auditorias regulares, promover a transparência algorítmica e garantir a supervisão humana em todas as etapas do processo”, recomenda o especialista.

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    Essas decisões precisam ser tomadas agora para refletir em um futuro cada vez mais próximo. “O etarismo na tecnologia não é apenas uma questão técnica, mas também de percepção e preconceito. A tecnologia já é nossa companheira e continuará avançando, assim como continuaremos envelhecendo. Temos de mudar a mentalidade em relação ao envelhecimento para promover uma sociedade mais inclusiva e preparada para os nossos próximos desafios.”

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