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Por que os processos seletivos ainda assustam os LGBT+?

Alexandre Abreu, profissional de RH, fala sobre seu receio nas entrevistas e explica como a auto aceitação é importante nesse momento

Por Alexandre Abreu* Atualizado em 4 fev 2021, 19h19 - Publicado em 4 fev 2021, 08h00

Lembro como se fosse hoje, aquele menino, com apenas 18 anos de idade, que chegou na Capital Paulista para estudar e tentar a vida. Menino este que até então sequer conhecia a Avenida Paulista. Naquela época eu ainda estava me descobrindo, pouco a pouco, a cidade vinha me ensinando que a vida no interior é bem diferente da cidade grande. As oportunidades começaram a surgir, naquela época os processos seletivos me causavam uma sensação de medo. Por si só, a palavra “entrevista” já nos causa certo receio, não é mesmo? Se o entrevistado, assim como eu, se reconhece como um LGBTQIA+, o receio é ainda maior.

O início da minha carreira foi marcado pelos meus medos e questionamentos. Durante todos esses anos, passei por momentos em que sentia minhas mãos suando, minhas pernas trêmulas e meu tom de voz aumentando e engrossando na tentativa inconsciente para que minha homossexualidade passasse desapercebida nos processos seletivos. Havia algo dentro de mim, mais forte que minha própria consciência, que me boicotava, que que me fazia assumir um personagem, escondendo o verdadeiro Alexandre. Ouvi vários nãos, mas nunca desisti, acabava uma entrevista, erguia a cabeça, e seguia para a próxima.

  • Lidando com a auto sabotagem

    Comecei então a fazer uma reflexão mais profunda, tentando entender o porquê deixava aqueles sentimentos me prejudicarem. Até que um dia vi que o problema estava no meu subconsciente, era ele quem me sabotava na maior parte do tempo. A partir daí mudei minha forma de agir nas entrevistas, nada de personagens, mas sim, mostrar quem realmente é o Alexandre.

    De lá para cá, em toda organização que tenho contato, procuro desconstruir todos os preconceitos que eu mesmo carrego. Hoje, deixo muito clara qual é a minha orientação sexual, pois a partir daí consigo sentir como a companhia lida com a Diversidade.

    Vale ressaltar que muitas empresas ainda não têm um Programa de Diversidade e Inclusão implantado e isso não deve ser fator eliminatório na sua escolha de onde trabalhar. Mas a forma como o entrevistador reage ao explorar esse tema deve, sim, ser um fator decisório. Sabemos que um programa de D&I   é um processo complexo, e precisa ser muito bem estruturado para que a organização e as pessoas consigam atingir os resultados esperados.

    O primeiro passo para ser feliz e bem-sucedido em sua carreira, é escolher uma organização que jogue junto com você, que a Cultura Organizacional se conecte com a sua. E isso só irá acontecer quando você entender uma coisa: Seja você mesmx!

    *Alexandre Abreu atua em RH na área de remuneração e benefícios

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