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O que é o Janeiro Branco

Mês de conscientização sobre saúde mental nasceu da iniciativa de psicólogos. Com a pandemia, tema ganha relevância nas empresas

Por Hanna Oliveira 18 jan 2021, 13h39

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) quase 1 bilhão de pessoas convivem com transtorno mental no mundo. Os problemas relacionados à saúde mental se intensificaram ainda mais com a chegada da pandemia do novo coronavírus, tendo o mesmo órgão lançado em 2020 um documento que pedia atenção ao tema em meio à crise humanitária. 

Para a psicóloga clínica Ingrid Cancela, a pandemia potencializou o sofrimento mental em diferentes aspectos, inclusive num sentido de estar mais em contato com problemas internos, que antes poderiam ser acobertados com distrações. “Como estávamos no ‘automático’, buscávamos esquecer o que nos incomodava com distrações. Hoje, além do contato com os problemas familiares e as questões de convivência, há o medo da perda de emprego, da renda e da saúde. Isso contribui para o aumento de casos”, analisa.

No entanto, este cenário não é exclusivo da pandemia. Segundo relatório do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) já em 2011 o adoecimento mental era um dos principais motivos de afastamento do trabalho. Neste cenário, uma data passa a ganhar cada vez mais importância entre as campanhas de conscientização: o Janeiro Branco.

O que é

A data surgiu em 2014 pela iniciativa de psicólogos que buscavam, justamente, promover conscientização sobre saúde mental em meio a um cenário de expansão de adoecimento. “Ele nasce disso: o aumento de casos, e vem com a conscientização para que você possa pensar como você está se sentindo”, explica Ingrid.

Por que em janeiro? 

A concepção da data em janeiro veio no sentido de aproveitar a virada de ano, a renovação da esperança e uma oportunidade de começar de novo. “É o momento em que nós vamos recomeçar. Podemos utilizar janeiro para fazer uma folha em branco e reescrever como nós queremos esse ano, como queremos nos ver”, diz a especialista.

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Empresas e funcionários em sofrimento mental

Para Ingrid, neste momento de pandemia, não apenas doenças como depressão, distúrbio de ansiedade e síndrome do pânico estiveram em franca ascensão, a síndrome de burnout aumentou exponencialmente. A síndrome de burnout é uma doença muito ligada ao ambiente de trabalho e se relaciona com o esgotamento mental na realização de uma atividade. “O esgotamento e o medo do desemprego fizeram com que as pessoas se doassem demais para o trabalho e desenvolvessem a doença e isso contribuiu para o aumento de afastamentos no trabalho”, explica Ingrid.

Nesse caminho, é preciso que as pessoas olhem para si mesmas e saibam que podem ter ajuda especializada e das pessoas que a cercam. “Precisamos quebrar esse tabu e preconceitos que se tem ao se falar sobre a saúde mental.Ter contato com essa questão. Pensar ‘não estou bem, para quem posso pedir ajuda?’ Ou ‘eu tenho que ser super herói?’. O colaborador precisa buscar ajuda, fazer sua parte”, diz Ingrid.

Um ponto agravante desse cenário é que, mesmo algumas pessoas buscando ajuda, elas sentem medo de revelar o estado de sofrimento mental em que estão para suas empresas e acabarem demitidas. Ingrid acredita que é nesse momento que as companhias precisam montar um cenário de acolhimento: “A empresa deve ter sensibilidade no olhar para que possa contribuir nesse momento, trazer a segurança para ele e melhorar sua qualidade de vida, porque isso traz resultados incríveis também para ela, não só para o colaborador”. 

Conscientização e ações

O Janeiro Branco pode ser uma oportunidade de começar a abordar a questão da saúde mental nas empresas. Ingrid acredita que as companhias podem pensar em ações que também envolvam a saúde física para auxiliar na melhoria da saúde mental: “É possível trazer educadores físicos e nutricionistas para darem palestras, orientações para melhorar essa questão física, criar um ambiente saudável”. Outro caminho possível é o incentivo à prática de técnicas mentais como exercícios de respiração e momentos dedicados para meditação.

Mas além de projetos específicos em datas que debatem o assunto, manter o olhar atento para os sinais e se mostrar genuinamente interessado nos funcionários é o melhor caminho de apoio: “É muito importante a empresa passar essa segurança para ele, porque assim estará promovendo saúde. Ao mesmo tempo, com esse investimento na saúde emocional, vai ter um colaborador muito mais à vontade para produzir, trabalhar, sentindo mais qualidade, foco e motivação para poder contribuir”, finaliza.

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