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Reputação da empresa prejudica ex-funcionários

Mesmo que o candidato não tenha se envolvido em atos ilegais, ter trabalhado em organizações que passaram por escândalos atrapalha futuras contratações

Por Vicky Bloch Atualizado em 5 dez 2020, 19h13 - Publicado em 16 ago 2017, 06h00

A revista Harvard Business Review de abril traz um artigo intitulado O Efeito do Escândalo, no qual aborda a conse­quên­cia para os indivíduos quando a empresa em que trabalham se envolve num problema e como isso respinga em sua carreira.

Apesar de não fazer referência ao Brasil, o texto não poderia ser mais oportuno diante da enxurrada de casos de corrupção envolvendo grandes companhias e governo.

Uma pesquisa realizada pelos autores do artigo revela uma dura realidade: executivos em cujo currículo constam empresas contaminadas por um escândalo são prejudicados no mercado, mesmo que não tenham se envolvido na questão. Quando recolocados, eles recebem remuneração 4% inferior à dos colegas do mesmo nível que não trabalharam em organizações com a reputação abalada.

Esse “filtro” nos processos seletivos acontece nas contratações feitas tanto por headhunters quanto por profissionais de recursos humanos. Alguns caça-talentos afirmam ter descartado candidatos oriundos de companhias manchadas simplesmente porque não conseguiriam justificá-los a seus clientes.

Destaco aqui uma frase repetida pelo amigo e professor Luiz Carlos Cabrera: “Os valores antecedem e são guarda-chuva para que você possa ter a condição de empregabilidade. Não importa quanto você tem de conhecimento, de competências ou de rede de relacionamento — se você rompeu com valores, a continuidade de sua carreira será afetada”.

Existe aí um dilema moral: se o profissional não rompeu com seus valores, não compactuou com ato ilícito e não recebeu benefício indevido, por que ele está sendo punido? É possível recuperar sua imagem ou ele carregará essa pedra para sempre?

É possível — mas o custo é alto. O tamanho do impacto dependerá de fatores como o momento de carreira, suas habilidades, o setor de atuação, a situação do mercado, a própria honestidade e a transparência ao lidar com o tema. Executivos da área financeira, por exemplo, sentem um baque maior do que os demais, segundo o estudo, assim como as mulheres.

Agora eu pergunto: qual o papel de nossa área de RH nesses casos? Podemos ajudar as equipes de atração de talentos a estabelecer um processo que as permita separar o joio do trigo? Sim, porque entender o que cada pessoa que trabalhou numa empresa envolvida em escândalo estava fazendo lá naquele momento e como ela se posicionou pode ajudar a quebrar estigmas. E, mais ainda, evitar grandes injustiças.

Capa da edição 50 da revista Você RH
Você encontra essa reportagem na edição de Junho/Julho – 50 da VOCÊ RH
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