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Isis Borge Diretora da divisão de recrutamento Engenharia, Supply Chain, Marketing e Vendas da Talenses

Saúde mental: 12 passos para cuidar do bem-estar psicológico na pandemia

Cerca de 74% das pessoas dizem que a pandemia prejudicou a saúde mental, segundo pesquisa da Talenses e FDC. O que fazer para ter equilíbrio emocional?

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH Atualizado em 28 Maio 2021, 13h47 - Publicado em 28 Maio 2021, 09h26

A pandemia trouxe à tona uma grande preocupação com a saúde mental das pessoas. Temos visto inúmeros dados médicos sobre o aumento de casos de ansiedade, depressão, síndrome do pânico, distúrbios do sono, automedicação em excesso, uso de álcool e drogas, entre tantos outros sinais de alerta. A insegurança que a covid-19 trouxe, somada às privações na nossa rotina, colocou as pessoas em um nível de preocupação acima do habitual. Como os funcionários são a força motriz das empresas, o impacto nos negócios começa a ser sentido após mais de um ano nesse cenário.

Falta apoio por parte da gestão

Uma pesquisa realizada pelo Talenses Group no mês de abril, em parceria com a Fundação Dom Cabral, revelou que 73,8% dos 573 respondentes de diferentes níveis hierárquicos consideram que a pandemia prejudicou sua saúde mental. O mapeamento revelou que as mulheres têm se sentido ainda mais prejudicadas mentalmente durante a pandemia. Os profissionais que integram as gerações Y e Z também têm sofrido mais, em comparação com os baby boomers. A pesquisa também mostrou que apenas 31% dos respondentes acham que o gestor está dando o apoio necessário em casos de transtornos mentais e 53% dos respondentes conhecem alguém que tenha tido burnout.

A situação de algumas mulheres demanda atenção especial

O fato de o estudo ter mapeado que as mulheres estão mais impactadas pelos movimentos da pandemia evidencia também um problema já amplamente discutido de sobrecarga de boa parte das profissionais brasileiras em decorrência da soma das atividades profissionais com os afazeres da casa e os cuidados com os filhos, na comparação com os homens.

É importante ressaltar que muitas escolas permaneceram fechadas por longos períodos, impactando também em mudanças nos comportamentos das crianças que têm apresentado maior irritabilidade e, consequentemente, mais desejo de estar perto dos pais, deixando-os sob uma pressão adicional.

Investir na saúde mental dos funcionários é investir em aumento de produtividade

De uma forma geral, as pessoas estão mais instáveis. Muitos vivenciaram perdas de pessoas próximas. Todas estão mais preocupadas com a sua própria saúde e com o bem-estar de familiares e amigos, além da preocupação com a própria vida pessoal e profissional de uma forma geral.

A questão é que a saúde mental está diretamente ligada à produtividade. Quando o colaborador está abalado por excesso de carga de trabalho, estresse, relacionamento ruim com o gestor, ambiente tóxico ou instabilidade nos rumos da companhia, tende a produzir menos ou com uma qualidade inferior, em comparação a sua real capacidade. Ou seja, investir na saúde mental dos colaboradores é investir, também, em aumento de produtividade.

Líderes: seis boas práticas para cuidar da saúde mental da equipe

1. Comunicação clara

Invista na boa comunicação com a equipe. Isso tende a minimizar o estresse com as incertezas, aumentar a relação de confiança entre líder e liderado e, consequentemente, melhorar o clima do grupo. Vale lembrar que gestores mais acessíveis são facilitadores para uma boa comunicação.

2. Objetivos factíveis

O direcionamento claro, com metas e objetivos factíveis de serem alcançados ajuda os profissionais a se sentirem mais seguros no dia a dia à frente de suas funções. Na medida do possível, crie o hábito de compartilhar com o grupo o atingimento das metas da companhia como um todo.

3. Avaliação constante das demandas

Revisar a distribuição das atividades é um bom caminho para evitar situações de sobrecargas. Nesse processo, vale a pena repensar se todas as rotinas são necessárias ou se há espaço para otimização de algum processo. Se, mesmo após essa revisão, a equipe continuar sobrecarregada, uma alternativa interessante seria refletir sobre a necessidade de contratar mais profissionais permanentes, no caso de demandas fixas, ou temporários, quando o pico de trabalho é pontual. Também pode ser válido investir em mais tecnologia visando automatizar atividades e melhorar a qualidade de vida das equipes.

4. Valorização do esforço

Somos criados em uma cultura que só aceita heróis. É importante comemorar vitórias, mas não podemos perder a oportunidade de criar na empresa um ambiente em que o esforço seja valorizado e os erros sejam vistos como oportunidades de aprendizados. A ideia é que, em um clima mais acolhedor, quando algo der errado, os profissionais sejam estimulados a buscar soluções e não culpados.

5. Feedbacks periódicos

A prática de feedbacks claros e construtivos, além de demonstrar interesse do gestor no desenvolvimento do colaborador, ajuda o profissional a promover ajustes de rota na própria carreira. Essa avaliação pode ser feita tanto por meio de um processo formal, quanto em momentos mais pontuais, durante uma conversa do dia a dia.

6. Atenção ao bem-estar no time

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Investir em ações de bem-estar e políticas que favoreçam a saúde mental dos colaboradores é muito importante. Mesmo que a empresa não tenha uma política estabelecida acerca de tratamentos de transtornos mentais, é importante que os gestores se mostrem empáticos com as equipes, apoiando e estimulando a busca por ajuda e tratamento, quando for necessário.

Profissionais: seis boas práticas para ter mais saúde mental

1. Planejamento diário

Ter uma agenda mais estruturada, com horários de trabalho, pausas para refeições e intervalos curtos entre uma atividade e outra, nos ajuda a ter uma relação mais saudável entre vida profissional e pessoal, principalmente no cenário atual em que as pessoas estão trabalhando mais.

2. Espaço para o autocuidado e o bem-estar

Buscar colocar na agenda tempo para si mesmo e atividades que agreguem bem-estar para o seu dia é uma ótima opção para ter mais qualidade de vida. Pode ser qualquer atividade de lazer dentro do que é permitido no cenário de pandemia: exercícios físicos, leitura, momentos com a família, contato com a natureza, meditação, ouvir música, entre tantas outras.

3. Alimentação e hábitos saudáveis

Invista em alimentação saudável. Aposte, também, em bons hábitos, como uma boa rotina de sono. Além, é claro, da própria apresentação pessoal, mesmo se for para ficar o dia todo em casa. Quem trabalha de pijama tem mais chances de se sentir mal consigo mesmo, se comparado a alguém que se arrumou para iniciar uma jornada de trabalho. De pijama, a tendência é que você fique com a sensação de que o dia não começou.

4. Conexão com outras pessoas

Não se isole psicologicamente. Apesar da necessidade de distanciamento físico, é importante manter contato com outras pessoas, seja por vídeo chamada, ligações telefônicas e aplicativos de mensagens. E, sempre que possível, não perca a oportunidade de fazer chamadas com o recurso de vídeo com grupos de colegas de trabalho, amigos ou familiares, seja para comemorar um aniversário ou para colocar os assuntos em dia em um happy hour virtual.

5. Empatia

Procure se manter mais atento às necessidades de todos. Tenha esse olhar mais atencioso para o próximo e ofereça ajuda quando vir que algo não está bem. Inclusive, se for do seu interesse, vale se envolver em trabalhos voluntários ou com alguma causa que te motive. A sensação de estar fazendo algo de bom para o próximo ajuda a melhorar a saúde mental.

6. Autopercepção

Ao observar sinais de instabilidade de sua própria saúde mental, busque ajuda especializada sem nenhum tipo de receio ou preconceitos. Todas as pessoas estão enfrentando algum tipo de desafio nesse período. Às vezes, em níveis diferentes. Mas, em geral, está difícil para todo mundo.

Com a chegada das vacinas e parte da população já sendo vacinada, estamos vivendo um misto de emoções. Há um sentimento de esperança de que iremos retornar à normalidade em um futuro não tão distante. Já temos visto, inclusive, alguns países nos quais a população está retomando parte das atividades que praticavam antes da pandemia.

Ao mesmo tempo, existe uma grande preocupação por parte das pessoas com o retorno aos escritórios. Muitas se sentem inseguras com relação à própria saúde e as dos que moram na mesma residência. Sem contar que muitas estão gostando do lado positivo de não enfrentar o trânsito todos os dias e de ter um maior convívio em família.

As conversas iniciais das empresas sobre o tema mostram que esse retorno será gradual e na maior parte dos casos em formato híbrido, que considero o futuro do trabalho. Mas é natural que tenhamos receios diante de um cenário ainda indefinido. Nesse sentido, a clareza das empresas na comunicação com relação aos planos pode ajudar a minimizar essa preocupação.

O bom disso tudo é que tenho visto muitas organizações mais atentas aos seus colaboradores. Algumas empresas criaram até diretorias de saúde mental. Em contrapartida, organizações com essa preocupação têm mais chance de ter ganhos expressivos – imediatos e futuros – por estarem zelando pela saúde mental dos profissionais, que são seu maior bem.

Assinatura de Isis Borge
VOCÊ RH/Divulgação
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