Capacitações: para gerar engajamento, aprimore o design da experiência
Qualidade é muito melhor que quantidade. Saiba quais pontos observar antes de oferecer o próximo curso aos colaboradores.

Eis que o RH envia convites para um treinamento. Um curso presencial ou online, para desenvolver habilidades que talvez sejam interessantes, com professores que talvez sejam renomados. Os convidados podem reagir de formas diversas. “Hunf, mais um curso.” “Será que o pessoal vai mesmo?” “Como vou encaixar isso na minha agenda?”…
São reações que refletem a rotina e as experiências prévias das pessoas. Há profissionais que já fizeram cursos muito úteis, mas também há quem já se deparou com conteúdos pouco aplicáveis – e nada conectados com a realidade da empresa. Há quem se comporta como um mero espectador, mas também há quem espera a chance de exercitar habilidades em um ambiente seguro.
E, por mais interessante que o curso seja, a rotina pode passar como um rolo compressor por cima dos aprendizados que vieram da capacitação. Se a liderança e o ambiente não incentivam, as ideias não saem do papel.
Por isso, vale refletir sobre a necessidade de o RH compreender tais possibilidades para aprimorar o design da experiência de aprendizagem.
Será que um convite com data, horário e link para a reunião é suficiente? Como isso poderia despertar o interesse das pessoas? Elas recebem algum estímulo para priorizar os treinamentos? Os horários e as datas que o RH propõe são compatíveis com a dinâmica de trabalho no escritório?
Empresas bem-estruturadas já superaram essas questões. Enviam convites com artes interessantes, que informam o escopo do curso, e escolhem datas e horários com cuidado. Em alguns casos, um profissional relevante da organização ajuda a explicar por que a capacitação é importante para os negócios.
Isso só acontece, porém, em organizações que têm uma cultura de aprendizado mais focada no impacto das ações do que no número de capacitações que se ofereceu.
Eu mesma já propus desenhos de experiência que oferecem materiais sucintos e práticos em fases diferentes, além de momentos para conversas informais e comunidades de aprendizado. Aí também há uma diferença sutil para se considerar: entre aquilo que é interessante para os especialistas e aquilo que será de fato relevante para os profissionais.
O intuito dos treinamentos deve ser promover aprendizado – e não apenas criar conteúdo para as redes, reafirmar a reputação da empresa ou gerar dados para comprovar o trabalho da área de desenvolvimento.
Por isso, eis meu conselho aos profissionais de RH: planejem a experiência de capacitação com cuidado – e mantenham o capricho e a preocupação após os aplausos.