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Grupo Reckitt revela que mulheres ganham mais do que homens no Brasil

Grupo Reckitt lança relatório de remuneração por gênero. No Brasil, a média dos salários das mulheres é mais alta que a dos homens, o gap está nos bônus

Por Elisa Tozzi 1 abr 2021, 15h16

Na semana em que o Senado brasileiro aprova projeto lei que multa empresas que paguem salários menores para mulheres do que para homens, que segue para sanção presidencial, o Grupo Reckitt, dono das marcas Veja, Sustagem e Jontex, lança o Relatório de Remuneração por Gênero 2020, pela primeira vez com informações brasileiras divulgadas com exclusividade por VOCÊ RH.

Entre os resultados, o documento mostra que, na mediana salarial total, o gap é de -22,7% a favor das mulheres, o que ocorre devido ao número maior de homens em empregos da manufatura e de mais mulheres em posições sênior. Mas quando analisamos os bônus, a diferença é de 39,6% a favor dos homens.

  • O documento foi lançado em anos anteriores no Reino Unido, onde fica a matriz da companhia, porque o país exige que empresas com mais de 250 empregados divulguem dados salariais de homens e mulheres. Em 2020, a multinacional ampliou a divulgação para Brasil, China, Índia, Indonésia, México, Polônia, Rússia, Tailândia, Estados Unidos e Reino Unido, o que corresponde a cerca de 70% da força de trabalho da empresa.

    O Grupo Reckitt quer atingir a paridade salarial e o ideal é que a diferença entre homens e mulheres seja sempre 0. Além disso, a companhia também tem o objetivo de conquistar 50% de homens e 50% de mulheres na liderança até 2030 — no Brasil o índice já é de 51%. Com os dados do relatório, a multinacional espera ter mais insumos para conquistar essas metas.

    Raquel Carneiro, diretora de recursos humanos da Reckitt Hygiene Comercial na América Latina, e Gisele Jakociuk, diretora de recursos humanos da Reckitt Health & Nutrition Comercial, explicam os principais resultados do documento em entrevista para VOCÊ RH.

    Qual é a importância da divulgação desse relatório no Brasil?

    O Grupo Reckitt leva muito a sério as questões de gênero e diversidade e está trabalhando fortemente para melhorar a diversidade em toda a força de trabalho global, incluindo o Brasil. Ao reportar dados além dos exigidos por lei sobre remuneração de gênero, o Grupo Reckitt demonstra transparência e compromisso com a agenda de diversidade e inclusão. Esses números são usados como uma ferramenta para informar sobre D&I e Gestão de Talentos na empresa, que apoiam ainda mais a iniciativa global recém-anunciada do Grupo Reckitt, a 50/50, que visa atingir um equilíbrio de gênero em níveis de gestão na companhia até 2030.

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    Quais serão as medidas que a empresa irá tomar a partir dos resultados mapeados?

    No Brasil, Diversidade e Inclusão fazem parte da nossa estratégia de negócio. Já estruturamos Comitês de D&I focados em temas de gênero, LGBTQI+, cor/raça e que estão desenvolvendo planos de ação com a ajuda dos nossos colaboradores e especialistas externos para garantirmos avanços em curto, médio e longo prazo. Além disso, globalmente o Grupo Reckitt definiu uma meta de equilíbrio de gênero chamada ‘50/50’, a ser cumprida até 2030 em todos os níveis de gestão. Para alcançar esse objetivo, teremos uma série de ações como revisões de políticas, treinamentos, fóruns e mentorias.

    A diferença salarial mediana no Brasil é de -22,7%, com as mulheres sendo mais bem remuneradas na mediana do que os homens. Qual a explicação para isso?

    O resultado de remuneração favorável às mulheres nos mostra que temos um bom número de colaboradoras em cargos mais sêniores. De fato, boa parte da nossa força de trabalho local é formada por mulheres, inclusive na liderança: 51%.

    Por outro lado, quando olhamos quando olhamos para toda a nossa população, percebemos que temos uma representação maior de homens em posições de manufatura: os índices no Brasil são de 24% mulheres e 76% homens trabalhando em posições de manufatura. Por essa razão, a mulher do ponto médio ocupa, geralmente, um cargo mais sênior do que o homem do ponto médio e, como resultado, a diferença salarial mediana será a favor das mulheres.

    Quando chegamos aos bônus, a diferença é de 39,6% em favor dos homens. Por que isso acontece e quais serão as ações para evitar esse gap?

     Embora todos os profissionais do mesmo cargo tenham o mesmo valor-base de pagamento de bônus, o resultado nos aponta um desequilíbrio de gênero nos níveis sêniores em relação aos homens, o que estamos trabalhando para resolver. Como líderes de Recursos Humanos, podemos garantir que não há diferenciação na forma como homens e mulheres são pagos no Grupo Reckitt, pois temos um política de remuneração única que se aplica a todos.

    Nosso objetivo é ter um perfil de funcionários que represente os consumidores que atendemos. Uma análise das disparidades salariais entre homens e mulheres é apenas uma fotografia, cujos resultados são amplamente baseados pela demografia dos profissionais. Nosso objetivo é ter uma força de trabalho mais diversa, incluindo uma maior representação de gênero entre os cargos de liderança sênior.

     

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