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Funcionários estão desmotivados e estressados na crise, revela pesquisa

Levantamento feito com profissionais CLT mostra que estresse, desmotivação e excesso de trabalho estão em alta. Saiba como criar ambientes mais saudáveis

Por Elisa Tozzi Atualizado em 12 jul 2021, 19h34 - Publicado em 13 jul 2021, 08h00

Uma pesquisa da Creditas @Work, plataforma digital de benefícios e soluções financeiras corporativas, feita com profissionais com carteira assinada durante o mês de maio traz à tona dados alarmantes sobre o trabalho na pandemia. Segundo o levantamento, 43% das pessoas estão trabalhando mais depois da crise da covid-19, 38% se sentem mais estressados e 28% estão desmotivados.

Para Viviane Sales, vice-presidente da Creditas @Work, esses índices podem ter relação ao processo de adaptação das pessoas às novas formas de trabalhar e aos impactos que a pandemia traz para as famílias – como o do desemprego. “Vemos funcionários precisando fazer jornadas mais longas para compensar a perda do emprego de algum membro da família, o que também pode gerar estresse e tensão”, diz.

Na entrevista a seguir, ela explica o que as empresas podem fazer para criar ambientes mais seguros.

Os resultados da pesquisa mostram que as pessoas estão trabalhando mais e se sentem mais cobradas na pandemia. Essa equação pode ser perigosa para a produtividade e para a saúde?

Certamente. Uma das conclusões que podemos tirar é que, mesmo decorrido mais de um ano desde o início da pandemia, a adaptação aos novos formatos de trabalho ainda não foi concluída. As pessoas ainda buscam provar que podem manter um nível elevado de rendimento, mesmo em um cenário incerto e isso pode gerar tensão no dia a dia. E o alto nível de exigência da pessoa com ela mesma, também se reflete na maior cobrança aos outros, o que pode gerar um círculo vicioso. Por outro lado, não só relacionado à performance, também vemos funcionários precisando fazer jornadas mais longas para compensar a perda do emprego de algum membro da família, o que também pode gerar estresse e tensão.

O fato é que, quanto mais os funcionários se sentem sobrecarregados, mais ficam propensos a desenvolver sintomas como ansiedade, insônia e distúrbios digestivos, por exemplo. Por isso, é muito importante que as empresas estejam atentas aos sinais de suas equipes, oferecendo canais abertos para ouvir esses problemas e entender como está a saúde financeira e mental das pessoas. Dessa maneira, é possível oferecer o suporte necessário para que continuem trabalhando de uma maneira mais saudável.

  • A pesquisa também revela que 35% dos profissionais estão pensando em mudar de carreira e as motivações giram em torno de aspectos negativos, como desânimo com o emprego atual e com o fato de alguém da família estar desempregado. Quais são as consequências desse sentimento?

    No cenário em que estamos vivendo, em que muitas pessoas precisaram trocar o trabalho presencial pelo remoto, ficou ainda mais claro o quanto a vida pessoal impacta no profissional. Períodos de luto, problemas financeiros e não poder dar atenção aos filhos mesmo estando debaixo do mesmo teto são algumas das circunstâncias que afetam os funcionários, impactando diretamente no dia a dia do trabalho.

    Trata-se de uma questão de empatia. Se o colaborador sente que não tem o apoio da empresa em momentos como esses, irá buscar empresas que possam dar esse suporte. Em alguns casos, vai cogitar carreiras que tenham uma rotina mais leve para conseguir gerenciar melhor o equilíbrio com a vida pessoal e, em outras situações, um emprego que o ajude a compensar perdas financeiras da pandemia.

    Outro dado mostra que 81% das pessoas têm medo de perder as condições financeiras. Como as empresas podem deixar os funcionários mais tranquilos durante a crise?

    Hoje se fala muito na importância de oferecer iniciativas que promovam o bem-estar do funcionário e isso é real. Passamos a maior parte do dia trabalhando e o ambiente que construímos se reflete diretamente na produtividade. Mas ainda se fala pouco em cuidar da saúde financeira dos colaboradores e os RHs percebem cada dia mais a necessidade de se oferecer soluções que ultrapassem os benefícios tradicionais, como vale refeição, alimentação e transporte.

    A verdade é que os profissionais estão buscando companhias que também ofereçam suporte em outros aspectos de suas vidas, como saúde mental e financeira. Benefícios como o crédito consignado privado, antecipação salarial, benefícios flexíveis e cursos de educação financeira têm sido cada vez mais valorizados por ajudarem não só a terem acesso a benefícios, mas a organizar a vida financeira em um momento em que isso é essencial. Por isso, cada vez mais, os profissionais buscam por empresas verdadeiramente parceiras, que mostrem na prática que estão preocupadas em ajudá-los nos momentos difíceis e de acordo com suas necessidades.

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