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Efeito da pandemia: como envolver os funcionários em causas filantrópicas

A crise da covid-19 estimulou as empresas a terem uma atuação filantrópica mais forte. Saiba quais são os cuidados e como engajar os funcionários

Por Paula Simões Atualizado em 16 ago 2021, 19h43 - Publicado em 20 ago 2021, 07h00

Esta reportagem faz parte da edição 75 (agosto/setembro) de VOCÊ RH

Diante da crise econômica e sanitária que se alastrou pelo país como consequência da pandemia de covid-19, diversas empresas entenderam que não podem ficar à margem dos problemas sociais e precisam agir. Isso fez surgir uma onda de ações filantrópicas em companhias de diferentes setores. De acordo com o Monitor das Doações, acompanhamento feito pela Associação Brasileira de Captadores de Recursos que reúne dados de doadores de todo o país, em julho já haviam sido arrecadados mais de 7 milhões de reais em ações de resposta ao cenário atual.

Essa é uma virada no comportamento dos brasileiros — e das companhias que atuam no país. Para Priscila Pasqualin, advogada especialista em terceiro setor e sócia do PLKC Advogados, a pandemia gerou uma consciência maior sobre os problemas sociais complexos que o Brasil possui. Isso pode ser visto pela tendência de companhias estruturarem setores de responsabilidade social de maneira organizada, estarem mais preocupadas com as estratégias ESG (de responsabilidade ambiental, social e de governança) e em alinhar essas ações ao posicionamento estratégico. “Esse tipo de atuação passa a ser uma exigência dos próprios consumidores e funcionários”, diz Priscila.

A participação em doações e ações de filantropia pode ocorrer por meio das leis de incentivo fiscal — que estimulam essas ações com a redução do pagamento de impostos. “São mecanismos importantes de fomento à cultura de doação no país, além de serem ferramentas poderosas para as organizações sem fins lucrativos que buscam captação de recursos privados”, diz Flavia Regina Oliveira, especializada em negócios sociais no escritório de advocacia Mattos Filho.

  • Aumentando o escopo

    Entre os 453 doadores corporativos acompanhados pelo Monitor das Doações, a JBS ocupa uma posição de destaque: é a terceira companhia que mais doou durante a crise da covid-19. É por meio do programa Fazer o Bem Faz Bem que a fabricante de proteína animal estrutura suas ações — e o projeto recebeu um aporte de 400 milhões de reais em 2020 feito inteiramente do caixa da empresa e voltado também para ações relacionadas às consequências da covid-19. O projeto existe desde 2019 e tem como objetivo auxiliar comunidades nas quais a JBS atua. O combate à fome é um dos pilares, e a empresa tem parceria com a ONG Amigos do Bem, que organiza doações de alimentos para o sertão nordestino.

    “Com a pandemia, identificamos a necessidade de fazer mais. Vimos que nosso papel na comunidade seria fundamental e por isso intensificamos nossa participação”, diz Fernando Meller, diretor de gente & gestão da Seara e gestor do programa Fazer o Bem Faz Bem do Grupo JBS. Para isso, a empresa se dividiu em três frentes: auxílio ao combate ao novo coronavírus (com doações para hospitais para compra de equipamentos e contratação de profissionais da saúde), combate à fome em locais em que a JBS não tem unidades e apoio à pesquisa. “Destinamos recursos a 39 pesquisas científicas que buscam tratamento e desenvolvimento de vacinas para a covid-19”, diz Fernando.

    Um comitê de profissionais especializados foi criado para encontrar as melhores maneiras de doar, e os funcionários da JBS participaram das iniciativas desde o início — seja com sugestões de ações a serem realizadas, seja com a entrega de doações nas comunidades. “Tivemos relatos muito emocionantes das equipes envolvidas. Para eles, era especialmente gratificante participar dessa ajuda, porque estavam vivendo as realidades desses municípios”, afirma Fernando.

    Este trecho faz parte de uma reportagem da edição 75 (agosto/setembro) de VOCÊ RH. Clique aqui para se tornar nosso assinante

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