Gestão de riscos de saúde mental nos negócios
Mapeamento comportamental e pesquisas internas podem identificar sinais de alerta e criar um ambiente menos ansioso, depressivo...

O burnout já é tratado como doença ocupacional na nova Classificação Internacional de Doenças (CID) pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022 e, a partir de 2025, o código entrou em vigor para pacientes brasileiros que enfrentam o quadro caracterizado por esgotamento físico e mental, alterações de humor, insônia, sentimentos de fracasso, dores musculares e de cabeça, alterações nos batimentos cardíacos e outros sintomas relacionados com o trabalho.
Segundo o especialista em educação empresarial, Leonardo Loureiro, muitos gestores ainda negligenciam a necessidade de administrar os riscos que impactam a saúde emocional de suas equipes.
Leonardo afirma que é fundamental adotar um mapeamento eficaz dos fatores de risco e implementar políticas preventivas nos negócios. Esse processo deve ser contínuo e envolver tanto a liderança quanto os próprios colaboradores. “A gestão da saúde mental no trabalho não pode ser vista como um diferencial, mas como uma necessidade estratégica. Empresas que ignoram esse aspecto tendem a lidar com maior rotatividade, desmotivação e perda de talentos”, afirma.
Os alertas
O primeiro passo para uma gestão eficaz dos riscos à saúde mental é identificar os sinais de alerta dentro da organização. O excesso de demandas, a falta de reconhecimento do trabalho, ambientes de extrema competição e a ausência de apoio psicológico são fatores que podem comprometer o equilíbrio emocional dos colaboradores. “O gestor precisa estar atento a mudanças no comportamento da equipe, como queda no desempenho, aumento do absenteísmo e sinais de exaustão. São indicativos que algo não está bem e precisa ser tratado antes que se agrave”, explica o especialista.
Melhor prevenir que…
Além do diagnóstico, a empresa deve investir em medidas preventivas para reduzir os impactos negativos no bem-estar dos funcionários. Criar um ambiente de trabalho mais humano, incentivar a cultura do diálogo e oferecer suporte psicológico são ações essenciais para minimizar os riscos. “É preciso desenvolver políticas claras que estimulem o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de oferecer treinamentos que preparem os líderes para lidar com essas questões. O gestor bem treinado consegue agir proativamente, evitando que pequenas dificuldades se transformem em crises”, pontua Leonardo.
Outro aspecto essencial na gestão da saúde mental é a personalização das estratégias de cuidado, levando em conta o perfil e as necessidades de cada equipe. Para isso, ferramentas de mapeamento comportamental e pesquisas internas podem ajudar a entender melhor os desafios específicos enfrentados pelos colaboradores. “Cada empresa tem uma realidade diferente, e o que funciona para uma pode não ser eficaz para outra. O mapeamento dos riscos precisa ser feito com base em dados e no envolvimento ativo dos funcionários.”