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Isis Borge Diretora da divisão de recrutamento Engenharia, Supply Chain, Marketing e Vendas da Talenses

Teste prático na entrevista de emprego: como funciona a avaliação técnica

Algumas vagas e funções exigem que os candidatos se submetam a provas práticas para demonstrar suas habilidades. Entenda como isso funciona

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH Atualizado em 15 abr 2021, 20h25 - Publicado em 16 abr 2021, 10h00

Na semana passada, eu dei alguns exemplos de perguntas em processos seletivos que envolviam raciocínio lógico. Muitas pessoas me enviaram mensagens pedindo exemplos de provas práticas em processos seletivos, que têm o objetivo de avaliar as competências técnicas dos candidatos.

Por isso resolvi abordar o tema esta semana. Minha intenção é trazer ao conhecimento de vocês que essa etapa do processo realmente existe e apresentar alguns exemplos de situações reais. Assim, você não será pego de surpresa quando algum possível empregador te submeter a um teste.

Três áreas que costumam propor testes práticos

1. Arquitetura e urbanismo

É bastante usual que os candidatos a vagas de arquitetura e urbanismo, além de fornecerem os seus respectivos portfólios de projetos, recebam um case para montar um projeto autoral no processo seletivo. Isso porque os portfólios, na maioria das vezes, fazem parte dos acervos de projetos dos escritórios de arquitetura nos quais os candidatos possam ter trabalhado. Na impossibilidade de checar se o candidato fez tal projeto sozinho ou qual foi a sua real participação, solicita-se que ele desenvolva um novo case.

Uma cliente minha, da área corporativa, costumava fornecer dados de um galpão fabril que precisava ser convertido em um escritório com todas as especificações necessárias: número de salas de reuniões, pontos de área de café e postos de trabalho, entre outras áreas. Os candidatos tinham um final de semana para montar uma proposta de projeto. Ganhava pontos quem, além de trazer a concepção, apresentava uma perspectiva em 3D. Aliás, em arquitetura, provas para medir a habilidade do profissional no uso de determinados softwares são bastante comuns.

2. Engenharia de projetos

Quando a vaga exige o conhecimento de algum software, duas situações são bastante comuns: a aplicação de provas em que o candidato tem que evidenciar que sabe utilizar a ferramenta; e um teste com imagens de telas do respectivo software para que o candidato faça a leitura dos itens apresentados. No mundo automotivo, por exemplo, temos provas para diversos softwares, como: Nastran, Adams, Hypermesh, Ansa, LS-Dyna, Radioss, Abaqus, Optistruct, FEKO, AVL Cruise, Catia, Autocad e Unigraphics, entre tantos outros. Na engenharia civil, é bastante comum provas de TQS e Eberick, entre outros. E assim seguimos para todas as outras áreas da engenharia: cada uma com a sua respectiva especificidade.

3. Vagas técnicas de aromas e fragrâncias

Tenho exemplos bem interessantes de provas práticas para esse tipo de vaga. Uma vez, uma cliente pediu que agendássemos com os candidatos escolhidos para uma vaga de colorista. No teste prático, ela trouxe para a sala de reuniões uma garrafa de leite, seis copos de vidro transparentes e um conta-gotas e me solicitou uma xícara de café.

Ela colocou a mesma medida de leite em todos os copos e número de gotas diferentes de café em cada um deles. Então, ela agrupou os copos e pediu para que eu trouxesse um candidato por vez até a sala. A missão de cada um deles era colocar os copos em sequência, por graduação de cor, do mais claro para o mais escuro. Confesso que, para mim, sinceramente, a coloração dos líquidos parecia ser exatamente igual.

Dos seis candidatos, dois classificaram o teste como muito fácil. A reação deles foi algo do tipo: “É só isso?”. Já para os outros quatro candidatos, a missão parecia impossível. Após cada teste, a gestora entrava na sala para conferir se a ordem do copo estava certa. Foram contratados os dois que acertaram a classificação.

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Como os candidatos já tinham passado por uma triagem prévia da Talenses, a entrevista, após esse teste, diretamente com a gestora, foi só para conhecê-los com mais profundidade. Mas, na prática, eles já estavam aprovados.

O teste para outra vaga em uma empresa desse mesmo setor consistiu no seguinte: cada candidato recebeu alguns potes com fragrâncias variadas. A missão era sentir os diferentes cheiros e escrever em uma ficha quais eram os elementos presentes em cada pote. Foram contratados todos os candidatos que conseguiram fazer a identificação corretamente.

  • Testes práticos acontecem nas mais diversas áreas

    Testes podem ser aplicados em entrevistas de diversas outras áreas. Já vi provas práticas de contabilidade para candidatos a vagas de contadores, provas dissertativas na área jurídica, desafios práticos na área de TI para desenvolvedores, por exemplo.

    É muito comum, também, provas para testar o conhecimento do candidato no uso da ferramenta Excel para diversos tipos de áreas e vagas. Um dia desses, presenciei um processo seletivo para a área de compras em que, na etapa final, o candidato precisava fazer uma prova online de Strategic Sourcing. Foi um teste bastante denso. Os candidatos levaram cerca de uma hora e meia para concluir.

    Cuidado ao supervalorizar habilidades, experiências ou conhecimentos

    O que eu posso recomendar é: fale sempre a verdade quando disser que conhece um determinado assunto ou que domina um determinado software. Dependendo da empresa e da vaga, eles podem te submeter a um teste prático. Quanto mais sênior for a vaga, maiores são as chances de isso acontecer, já que o empregador vai pressupor que o candidato domina o tema. Isso vale tanto para o que está escrito no currículo quanto o que é dito na entrevista.

    Se você não domina determinada ferramenta, seja honesto e demonstre disposição para aprender. Assim, você é poupado do teste e evita passar vergonha. Na melhor das hipóteses, se a empresa entender que você tem real potencial para a vaga, pode acontecer de te contratarem e oferecerem um curso.

    Dá para se preparar para um teste prático?

    Talvez, você esteja se perguntando: “Como posso me preparar para um teste de habilidade técnica?”. Sinceramente, não tem muito como se preparar tecnicamente para algo que você afirma já dominar. O preparo está relacionado muito mais a manter o foco e a tranquilidade na hora da avaliação.

    Tenha em mente, porém, que a tendência é que, cada vez mais, os processos seletivos tenham como foco principal – porém não único – nos soft skills (aspectos comportamentais) do que nos hard skills (conhecimentos técnicos). Noto que as empresas têm se mostrado mais abertas a contratar apostando que os candidatos podem aprender na prática, no dia a dia, o que é necessário para a execução da função.

    Mas é sempre bom estar preparado para tudo, não é mesmo? Isso vale principalmente quando se tratam de vagas muito técnicas para as quais os conhecimentos em determinados assuntos mais especializados acabam contando pontos.

    Assinatura de Isis Borge
    VOCÊ RH/Divulgação

     

     

     

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