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70% dos profissionais acima de 40 anos já sofreram preconceito etário

Pesquisa do Infojobs ainda revela que 78% acreditam que o mercado não dá as mesmas oportunidades para seniores e jovens. Como mudar isso?

Por Elisa Tozzi Atualizado em 10 jun 2021, 09h20 - Publicado em 10 jun 2021, 07h00

Uma pesquisa do Infojobs feita com 4.588 profissionais revela um sério problema no mercado de trabalho do Brasil: 70% dos profissionais com mais de 40 anos já sofreram preconceito por causa de sua idade. Além disso, 78% dos pesquisados dizem que o mercado não oferece as mesmas oportunidades para quem está acima dos 40, em comparação com os mais jovens e, para 61%, o principal desafio profissional é não encontrar empresas que deem chances para que os mais velhos mostrem seu potencial.

“Infelizmente, a falta de valorização é uma questão cultural. Não é só nas empresas que vemos esse tipo de preconceito acontecer, mas também em filas de bancos e em estacionamentos, entre outras situações. A diversidade etária é a única que agrega todas as diversidades e, mesmo assim, é a que tem menos espaço, é a menos discutida e a que menos aparece em programas corporativos”, diz Monize Oliveira, Gerente de Comunicação e Marketing do InfoJobs.

E esse preconceito não é apenas brasileiro, como explica Mauro Wainstock, fundador doHUB40+, consultoria de inclusão de profissionais seniores. “O alarmante relatório Global Report on Ageism, produzido pela Organização Mundial de Saúde, concluiu que metade da população mundial tem atitudes preconceituosas em relação à idade.”

  • Mais visibilidade

    O ageísmo é ainda mais grave tendo em vista que 56% da força de trabalho brasileira será composta por profissionais com mais de 45 anos até 2040, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Para discutir o tema e aumentar a inclusão desses profissionais no mercado, o Infojobs e a consultoria HUB40+ lançaram uma websérie que discute o etarismo e propõe soluções para o problema.

    “Queremos amplificar a visibilidade das empresas que atuam concretamente na valorização e integração dos 40+ para servir de inspiração a outras organização e estimular a formação de um ambiente mais inclusivo. Não custa lembrar: idade rima com diversidade, criatividade e lucratividade”, diz Mauro.

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    O que os profissionais mais velhos oferecem

    Deixar essa força de trabalho fora de mercado é um erro grave para os negócios – ainda mais porque os profissionais mais velhos trazem qualificação, experiência e um olhar diferente que pode trazer visões complementares a dos mais jovens.

    “A pesquisa do InfoJobs mostrou que uma das características que se destacam nesse público é o comprometimento. Hoje em dia, tudo acontece de forma imediatista, urgente, com constantes mudanças. Nesse cenário, se o funcionário não for comprometido com o emprego, quem sai perdendo é a empresa, e por isso deve ser levado em consideração. Vejo também que inteligência emocional e capacidade de adaptação são pontos fortes dessa geração que precisou se reinventar para se manter atualizado e produtivo”, diz Monize.

    Como enfrentar os preconceitos

    A pesquisa do Infojobs ainda mostra que, para 56% dos profissionais, o que falta para o mercado acolher os mais experientes é reconhecer o potencial das contratações dos 40+. Para quem estiver sentido o preconceito na pele, Mauro tem alguns conselhos. “Em primeiro lugar, é necessário estar fortalecido emocionalmente através do tripé formado pelo autoconhecimento, passando pela autoestima e culminando na autoconfiança”, diz. “Construir um networking realmente poderoso e fortalecer a marca profissional também são indispensáveis, assim como ter presença digital, o que ajuda a ser lembrado pelo mercado e percebido como referência na sua área.”

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