Clique e Assine a partir de R$ 8,90/mês

Empresa dá 15 mil reais e licença para pais e mães adotivos

A MSD lança programa de estímulo à adoção para pais e mães heterossexuais ou LGBTI+. Projeto faz parte das políticas de diversidade e inclusão

Por Elisa Tozzi 17 dez 2020, 12h13

Dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) do Conselho Nacional de Justiça mostram que há mais de 30.000 crianças e adolescentes sem famílias vivendo em abrigos espalhados pelo Brasil e mais de 5.000 prontas para serem adotadas. Os números são altos, mas a adoção ainda é um assunto delicado na sociedade brasileira.

Para trazer a questão à tona e estimular pessoas que gostariam de se tornar mães ou pais adotivos, a biofarmacêutica MSD, que tem quase 2.000 funcionário, lançou o programa Apoio à Adoção. O projeto oferece um auxílio de 15.000 reais por filho para empregados que forem aprovados pelo governo a adotar crianças e adolescentes de até 18 anos. Além disso, a companhia ainda disponibiliza licença maternidade de até 180 dias e licença paternidade de 60 dias.

Em entrevista para VOCÊ RH, Andres Massoni, diretor executivo de recursos humanos da MSD, afirma que a iniciativa criará impacto social para o Brasil e ainda ajudará a desmistificar a adoção.

Qual foi a motivação para trazer o programa de estímulo à adoção para o Brasil?

O Brasil é o terceiro país a receber o projeto da MSD, junto com Porto Rico. Durante a pandemia, surgiram reportagens que mostraram que a crise aumentou as dificuldades de movimentar os processos de adoção. Nosso objetivo, na MSD, é auxiliar os pais que querem adotar um filho, com apoio financeiro, emocional e de qualidade de vida. Isso será oferecido para todos que quiserem adotar, sejam homens, mulheres, heterossexuais ou LGBTI+.

  • Como serão esses auxílios?

    Do ponto de vista financeiro, damos um suporte de 15.000 reais por criança depositado na folha de pagamento do funcionário ou da funcionária depois de confirmada a outorga da criança. Claro que o custo de criar um filho é muito mais alto, mas este valor irá auxiliar em despesas médicas, advocatícias e de infraestrutura, como a montagem do quarto.

    Continua após a publicidade

    E o aspecto emocional?

    Os adotantes passam por um processo de avaliação e atendimento psicológico pelo Estado, mas existe o pós: a criança chegou em casa, o que eu faço? Nosso programa Resources for Living, que é um serviço telefônico que oferece assistência de vários tipos, incluindo a psicológica, traz uma ajuda emocional para lidar com a primeira fase da adoção. Além disso, a adotante tem direito a 180 dias de licença maternidade e o adotante a 60 dias de licença paternidade – independentemente da idade do filho. Estamos igualando as necessidades dos pais adotivos e biológicos porque existe um processo de adaptação muito importante para quem adota.

    Como foi a receptividade do programa?

    Teve uma percepção fantástica. Quando eu apresentei o projeto no comitê executivo, composto por pessoas da MSD Saúde Humana e da MSD Saúde Animal, recebi muito apoio e um executivo disse que me ajudaria porque ele próprio tem três filhos adotados. Nossos presidentes, Hugo Nisenbom e Delair Bolis, aprovaram e implementamos. Fico feliz por colocarmos no ar mais essa política. Por mínimo que seja, estamos gerando impacto social ao estimular a adoção de crianças sem famílias. Assim ajudamos o Brasil e o mundo a ser lugares melhores.

    Acredita que esse projeto ajudará a desmistificar a adoção?

    Sem dúvida. Durante nossas apresentações sobre o programa, tivemos feedbacks de colaboradores que estão pensando em adotar, mas que ainda não tinham se animado, e que se sentiram felizes em saber que a companhia está aberta para ajudar. Normalmente, pessoas que adotam – ou que querem adotar – ficam um pouco tímidas para falar sobre isso. Com o processo sendo tratado como normal e transparente, fica mais fácil.

    A gente encara a adoção da mesma maneira como o nascimento de um filho biológico: com apoio e facilidade para colocar o filho no plano de saúde, por exemplo. Abrimos as portas para os funcionários se sentirem à vontade. Nossos gestores também são orientados a serem flexíveis com os colaboradores que estão passando pelo momento da maternidade ou paternidade – seja biológica ou adotiva. É algo que acontece no núcleo familiar, mas somos uma pessoa só. Temos que dar acolhimento nessas situações.

    Quer ter acesso a todos os conteúdos exclusivos de VOCÊ RH? É só clicar aqui para ser nosso assinante.

    Continua após a publicidade
    Publicidade