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Foto de Isis Borge Isis Borge Diretora da divisão de recrutamento Engenharia, Supply Chain, Marketing e Vendas da Talenses

O que ainda falta para alcançarmos a equidade de gênero nas empresas

De tempos para cá, houve avanço. Mas, mesmo assim, ainda não é tão comum ver mulheres em cargos de alta liderança em determinados setores

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH Atualizado em 10 mar 2022, 13h54 - Publicado em 11 mar 2022, 07h00
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Dia Internacional da Mulher, que acabamos de comemorar, me fez refletir sobre o quanto – felizmente – as empresas estão evoluindo no quesito equidade de gênero. Por experiência própria, posso dizer que nem sempre é fácil ser mulher no mundo corporativo. Eu me formei como engenheira mecânica em 2005. Na época, via poucas mulheres no curso, principalmente na especialização que escolhi. Durante a faculdade, ingressei na Ford como estagiária, trabalhei lá por alguns anos e depois fui para a GM, sempre atuando em áreas técnicas de qualidade, manufatura e engenharia de produto. Posso dizer que essas empresas estavam muito à frente de muitas outras do setor no quesito de acolhimento ao gênero feminino, mas, mesmo assim, ainda via poucas mulheres no dia a dia e menos ainda em posições de liderança.

Hoje, vejo que o mercado automotivo ainda enfrenta seus desafios no quesito de equidade de gênero e existe uma busca consciente por parte das empresas do setor por mais equidade de gênero em todos os níveis da pirâmide. Mas esse não é um desafio só do setor automotivo. Todos os mercados mais “engenheirados” enfrentam a mesma realidade, como setores de papel e celulose, óleo e gás, mineração, siderurgia, bens de capital e construção civil, dentre outros. O setor químico é uma exceção, tendo um pouco mais de mulheres. E quando migramos para setores de bens de consumo, alimentos e bebidas, varejo e farmacêuticos a proporção cresce ainda mais. Porém, ainda assim, a presença feminina ainda é mais expressiva na base da pirâmide.

Acho importante, por parte das empresas, a conscientização dos benefícios de termos um ambiente amplamente diverso no dia a dia do trabalho e isso inclui a diversidade de gênero. Participo de alguns grupos de mulheres executivas, nos quais observo semelhanças de desafios ainda que as profissionais trabalhem em setores diferentes. E é fácil observar a falta de presença feminina no topo dos organogramas das organizações.

Admiro e apoio os movimentos da ONU Mulheres em busca de uma maior equidade de gênero e de empoderamento feminino no mundo corporativo. Acompanho o trabalho que o Rodrigo Vianna e a Regina Madalosso fazem nesse sentido e vejo o quanto as ações influenciam positivamente na rotina e nos resultados das empresas. Também é bastante importante iniciativas como as do 30% Club, que busca aumentar para 30% a participação de mulheres nos conselhos das empresas.

O que deveria ser o Dia Internacional da Mulher

No Dia das Mulheres, é comum as empresas presentearem as colaboradoras. Mas acredito que é importante que a ação vá além. Seria interessante fomentar reflexões sobre como, de fato, as mulheres da organização podem ter mais voz ativa nas sugestões e decisões do negócio. Datas como essa são momentos muito propícios para entender o quanto as profissionais se sentem acolhidas no dia a dia por suas lideranças, o quanto a companhia de fato permite que as mulheres sejam mulheres, ou seja, consigam conciliar suas jornadas de trabalho com a participação ativa na vida familiar e na educação de seus filhos.

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Boas práticas em prol da diversidade e equidade

Nesse sentido, uma sugestão que deixo aqui é: implemente na empresa comitês de diversidades, incluindo algum voltados para a diversidade de gênero e que conte com a participação de mulheres de diversos departamentos para ampliar as perspectivas. Acredito, também, ser muito importante termos nas empresas canais de denúncia para que os funcionários possam relatar situações desconfortáveis, como assédio moral e sexual ou até mesmo violência contra a mulher. Nesse sentido gosto muito das iniciativas lideradas pela Edna Goldoni com o site rota VCM, que troca o termo “Violência Contra a Mulher” por “Vida Coragem Mulher”. Nesse site, o grupo feminino encontra caminhos para pedir ajuda em casos de violência. Nele, as empresas também encontram orientações para criar iniciativas nesse sentido.

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Um pouco da realidade

Dentro desse contexto, tive a oportunidade de ouvir relatos de mulheres que trabalham no Instituto Maria da Penha. As histórias de superação que ouvi são incríveis e os desafios muitas vezes inimagináveis. E o mais interessante é que, sempre que abordo nas reuniões o tema violência contra a mulher, alguma profissional se sente encorajada a relatar um caso pessoal, em todos os níveis sociais. Já tive casos de profissionais que me procuraram após o encontro para se estender no assunto. Já tive, inclusive, pessoas da minha própria equipe e da família que relataram situações bem desconfortáveis.

Vale ressaltar que muitas mulheres acabam não conseguindo se libertar do agressor por serem financeiramente dependentes do mesmo. Por isso eu acredito ser tão importante o trabalho de pessoas como a promotora Gabriela Mansur, que está ativa em iniciativas para reinserir essas mulheres no mercado de trabalho, terem sua própria renda e, com isso, manterem as medidas protetivas.

Cabe aqui um pedido para que as pessoas de RH que estão lendo esse texto pensem sobre o tema. Avalie a possibilidade de ter um olhar mais atento para as pessoas que estão há mais tempo fora do mercado de trabalho, deem chance para que mulheres que queiram se reinserir no mundo corporativo possam ter uma nova oportunidade. Em muitas delas escondem-se pessoas muito dispostas a agarrar a oportunidade com bastante dedicação.

Acho que temos ainda muito espaço em busca de um mundo mais igualitário no sentido de gênero, mas estamos bem à frente do que já estivemos e me alegra poder falar cada vez mais abertamente sobre isso.

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