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Liderança

Como Otto von Sothen, CEO do Grupo Tigre, constrói laços fortes com o time

Na contramão da maioria dos setores, a construção civil cresceu durante a pandemia. Otto von Sothen, CEO do Grupo Tigre, mostra quais são os desafios

por Elisa Tozzi Atualizado em 15 jun 2021, 15h30 - Publicado em 18 jun 2021 07h00

Esta reportagem faz parte da edição 74 (junho/julho) de VOCÊ RH

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om 5.300 funcionários, o Grupo Tigre está completando 80 anos em 2021. Nessas oito décadas de história, a empresa familiar de Santa Catarina conhecida por seus tubos e conexões ampliou a atuação para louças sanitárias e tratamento de água — além de se internacionalizar. Presente em 40 países, a empresa, que ficou mais forte depois da compra da americana Dura Plastic, está consolidando sua atuação nos Estados Unidos. Quem está à frente dessa operação é Otto von Sothen, que há oito anos ocupa a posição de CEO na Tigre. Em entrevista para VOCÊ RH, o executivo explica que o bom momento do setor de construção civil durante a pandemia veio depois de anos difíceis para o segmento — e que isso o preparou para enfrentar qualquer crise.

  • Como tem sido o período de pandemia para a Tigre?

    Nossa história não foi diferente da maioria das empresas. Depois do susto inicial, criamos um comitê de crise porque precisávamos de uma velocidade de respostas e de mudanças de rumo rápidas, às vezes instantâneas. E todo o time de liderança entrou nessa conversa. Nos primeiros dois meses da pandemia em 2020, paramos por duas semanas. Estávamos preocupados com contaminação e com falta de mão de obra, além de precisar criar protocolos muito rígidos para quem trabalha nas fábricas. Em junho e julho, ganhamos velocidade de produção, e a demanda acelerou brutalmente. Foi algo único, porque o mundo todo estava vivendo a mesma coisa: pessoas em home office querendo reformar a casa. Tivemos um ano desafiador, mas positivo em termos de resultados. Mantivemos no time um espírito de sobrevivência, e isso reforçou os laços.

    Embora o segmento de construção civil esteja com mais demanda, o índice de inflação é o maior em 28 anos, segundo a FGV. Por que isso ocorreu?

    Antes da pandemia o setor estava ocioso. Globalmente os fabricantes não investiram em capacidade produtiva — porque essa é uma decisão que leva de dois a três anos para ser implantada e que exige investimentos na casa dos milhões de dólares. Isso fez com que a capacidade produtiva batesse no teto no terceiro trimestre de 2020. E é uma inflação em dólar, o que gera um impacto grande no Brasil, por causa da desvalorização do câmbio. Na prática, teríamos que dobrar o custo — o que é um absurdo. Por mais que um consumidor entenda, ele não consegue internalizar e arcar com isso. Esse cenário não significa que tenhamos subido a margem; ao contrário, estamos tentando repassar aos poucos. É uma situação bem complicada para o consumidor final, mas a demanda por mais conforto em casa não vai arrefecer no curto prazo.

    O que mudou na sua rotina com a crise da covid-19?

    Gosto de visitar clientes, de ir para a fábrica, e senti falta disso. A solução foi fazer lives, o que tem um lado bom: dá para falar com 500, 600 pessoas de uma vez só. Isso compensou o meu medo de estar longe do pessoal. Existe um conceito de que eu gosto muito, que não é meu, mas da Betania Tanure [consultora de desenvolvimento empresarial e de liderança], que é o de “líder agridoce”: temos que demonstrar a realidade e, ao mesmo tempo, transmitir esperança e otimismo.

    Este trecho faz parte de uma reportagem da edição 74 (junho/julho) de VOCÊ RH. Para ler o texto completo, compre a edição 74 de VOCÊ RH, que já está nas bancas de todo o país. Ou clique aqui para se tornar nosso assinante e tenha acesso imediato à edição digital, disponível para Android e iOS.

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