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Sedentarismo cresce e passa a ser preocupação das empresas

Sentar é o novo fumar, dizem. Apesar da comparação injusta, o sedentarismo começa a demandar ações corporativas como as direcionadas ao combate ao cigarro

Por Bárbara Nór Atualizado em 5 ago 2022, 08h36 - Publicado em 5 ago 2022, 08h47
E

stamos cada vez mais parados. Nos últimos dois anos, o isolamento social e a mudança de hábitos, como pedir mais delivery e trabalhar de casa, agravaram uma tendência que já era forte no Brasil: o sedentarismo.

Mesmo com o afrouxamento das medidas de segurança contra a covid-19, a tendência parece se manter. “Achamos que, com o fim do lockdown, as pessoas voltariam aos níveis anteriores. Mas, para nossa surpresa, a inatividade física aumentou 40,6%”, diz Luciana Vasconcelos, assessora técnica em saúde pública e epidemiologia na Vital Strategies, uma das responsáveis pela pesquisa Covitel, em parceria com a Universidade Federal de Pelotas, que avaliou os principais fatores de risco para doenças crônicas antes e depois da pandemia.

A definição de inativo, aqui, inclui o nível de movimento em todos os tipos de atividades — desde aquelas características do trabalho até as realizadas no ambiente doméstico, no lazer e na prática de exercícios físicos. Outro dado do estudo mostra também que, antes da pandemia, 38,6% dos brasileiros declaravam fazer mais de 150 minutos de atividade física no lazer por semana. No primeiro trimestre de 2022, o número caiu para 30,3%. E não é que antes estivéssemos em uma situação boa: já em 2018, a OMS colocava o Brasil como o quinto país mais sedentário do mundo — e o primeiro na América Latina, com 46% da população sedentária.

O problema por trás disso é sério. “Teremos uma população de doentes crônicos”, diz Luciana. “E o Brasil está envelhecendo, o que torna o cenário mais difícil.” Isso porque o sedentarismo é um dos maiores fatores de risco por trás das doenças crônicas que mais matam no mundo todo, como problemas cardiovasculares, diabetes e hipertensão, além de estar ligado a condições como Alzheimer e Parkinson [veja o quadro na página 27]. E não para por aí: dores crônicas, lesões osteoarticulares e até estresse e depressão podem ser agravados pelo sedentarismo.

O resultado: menos qualidade de vida, aumento nos custos dos serviços de saúde, mortalidade precoce e perda da produtividade média do brasileiro. Segundo uma estimativa de 2016 publicada no periódico The Lancet, a inatividade física custa à economia global 68 bilhões de dólares anualmente.

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“Quando não nos movimentamos, aceleramos o processo de envelhecimento das células e diminuímos nossa capacidade de regeneração”, diz o médico Paulo Zogaib, especialista em medicina do esporte do Hospital Sírio-Libanês. Um dos maiores problemas é o risco aumentado de doenças cardiovasculares, que seriam responsáveis por cerca de 30% das mortes no Brasil. “Cerca de 400 mil pessoas morrem por ano vítimas de doenças cardíacas”, afirma. As estimativas são da Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Contra a natureza

Simplesmente não fomos feitos para ficar parados. “Em nossa história evolutiva, sempre estivemos em movimento — fazíamos atividades moderadas ou vigorosas em boa parte do dia ao plantar, colher, andar e caçar”, diz Bruno Gualano, professor da Faculdade de Medicina da USP, especialista em fisiologia do exercício e autor de estudos sobre promoção de estilo de vida saudável para populações clínicas. “Temos um conjunto de genes que funciona bem em movimento, e nosso ambiente moderno não nos dá as condições para isso.”

Mais do que não praticar esportes, o sedentarismo é um estilo de vida. Segundo Bruno, esse quadro ocorre com o excesso de tempo sentado ou deitado. Já a inatividade diz respeito à ausência de prática de exercícios físicos. A recomendação da OMS é de que se faça ao menos 150 minutos de atividade física moderada ou vigorosa por semana. Por isso, é possível ser ativo e ter uma rotina sedentária ao mesmo tempo.

Para piorar, mesmo aqueles que vão à academia antes do trabalho, por exemplo, ou fazem alguma outra atividade física, podem perder parte dos benefícios ao ficar o resto do dia sentados. E, com facilidades como elevadores, escadas rolantes e carros, tudo em nosso estilo de vida parece nos conduzir ao sedentarismo — principalmente o trabalho, quando a realidade em muitas empresas é passar 8 horas do dia sentado à frente do computador. A boa notícia é que não é preciso muito para reverter o quadro.

Em um estudo da equipe de Bruno, na USP, as pessoas foram convidadas a fazer alguma atividade leve, como se levantar e dar alguns passos, por dois minutos a cada uma hora. Elas foram comparadas a outro grupo, que ficou sentado o tempo todo. Essas pequenas quebras foram o suficiente para melhorar o açúcar no sangue e outros parâmetros inflamatórios ligados a doenças crônicas. “Com pequenas intervenções, melhoramos marcadores de saúde de maneira significativa”, diz Bruno.

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Este trecho faz parte de uma reportagem da edição 81 (agosto/setembro) de VOCÊ RH. Clique aqui para se tornar nosso assinante

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