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Mindfulness para ruminativos: como parar de se preocupar o tempo todo

Nessa época do ano, é comum que, com o excesso de atividades, liguemos o piloto automático - o que pode ser prejudicial

Por Letícia Furlan Atualizado em 23 dez 2021, 10h13 - Publicado em 17 dez 2021, 17h00
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dificuldade em manter a mente focada no presente, principalmente nesta época do ano, afeta mais do que a vida pessoal, trazendo reflexos também para a carreira. É por isso que a prática de mindfulness tem se tornado cada vez mais popular nos ambientes corporativos. Apesar de não ter uma tradução exata para o português, o termo pode ser entendido como atenção plena em todas as tarefas do dia.

“É um termo com definições bastante amplas, mas que envolvem dois principais aspectos. O primeiro deles está relacionado a ficar atento ao momento presente de maneira intencional, de forma aberta, curiosa e sem julgamentos – independentemente de a experiência ser boa ou ruim. O importante é a consciência. A segunda é pensar no termo como uma prática que ajuda a desenvolver essa qualidade mental”, afirma Mariana de Azevedo, psicóloga e fundadora da escola Eumindful.

O modo mental de fazer as coisas no “piloto automático”, antítese do que é o mindfulness, normalmente é orientado para o cumprimento de tarefas e atingimento de metas, com a mente no passado ou no futuro. “Chamamos isso de modo ruminativo, porque a pessoa fica analisando e julgando uma situação, muitas vezes experimentando sentimentos como ansiedade e medo”, diz Mariana. “O excesso de pensamentos pode gerar uma carga mental que culmina no estresse”, descreve Mariana.

Para Caio Reis, consultor e especialista em mindfulnessa da Beecorp, é essencial compreender que algumas situações externas não vão mudar – a falta de tempo, as demandas e urgências, por exemplo. Assim, é possível direcionar o foco para aquilo que se pode gerenciar, que são as emoções e reações diante da realidade. “Pergunte-se: ‘O que estou sentindo?’ e ‘O que irei fazer a partir dessa nova percepção?'”, afirma Caio. “São pequenas perguntas que se traduzem em pausas. E, ao parar, podemos rever a maneira como vemos e atuamos no mundo.”

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À VOCÊ RH, os especialistas indicam atitudes que vão muito além da meditação para integrar a mentalidade mindfulness na rotina.

Criar pausas intencionais

É importante, mesmo durante o dia corrido, reservar um tempo para uma pausa. “Se a pessoa trabalha sempre sentada, é indicado que se levante para fazer algum movimento. Às vezes, é necessário até mesmo um lembrete, no celular ou na agenda, para não esquecer de praticar isso”, diz Mariana.

Antes de sair da cama, pela manhã, alongue, respire profundamente algumas vezes, ouça os sons ao redor, perceba a temperatura, sinta a claridade; use seus sentidos. Repita esses passos antes do almoço e ao terminar o dia”, afirma Caio.

Alimentar-se de forma consciente

Outra prática que pode ser inserida no cotidiano é fazer refeições sem utilizar o celular nem participar de reuniões. “Esse é um momento de saborear e nutrir tanto o corpo, quanto a mente e os sentidos”, diz Mariana. “Indico fazer a refeição observando as características do alimento: cores, aromas, texturas, sabores.”

Lavar as mãos com atenção

Esse ato tão comum pode ser outra oportunidade para aplicar o conceito de mindfulness. “Prestar atenção em coisas como a temperatura da água, a sensação de quando ela toca a pele, a textura do sabonete e da espuma, a sensação de contato de uma mão com a outra”, afirma Mariana. A especialista diz que trazer a atenção ao corpo e aos sentidos funciona como uma ancoragem para a mente, que deixa de estar no passado ou no futuro e passa a existir no presente.

Fazer diferente

Muitas das ações que desempenhamos ao longo do dia não precisam de nossa atenção plena, como percorrer o trajeto até o trabalho ou dar conta da rotina doméstica. Perceber quais são esses padrões e tentar mudá-los – com um novo percurso, uma nova forma de organizar a casa –  é também uma prática de mindfulness. Diante de situações desconhecidas, a mente é mobilizada para entender e aprender o contexto.

Respirar

A respiração diz muito sobre as emoções. Se está curta e rápida, pode indicar agitação e ansiedade, por exemplo. “Aproveite a conclusão de cada atividade, como finalizar um e-mail ou uma ligação, para averiguar como está respirando”, sugere Caio. E reequilibre os sentidos alongando as inspirações e expirações, para só então continuar seu dia.

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