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Ao contrair covid-19, este presidente aprendeu grandes lições

Delair Bolis, presidente da MSD Saúde Animal, conta como a experiência de testar positivo para o coronavírus o fez refletir sobre erros e liderança

Por Delair Bollis* Atualizado em 10 dez 2020, 20h47 - Publicado em 7 ago 2020, 10h00

Em junho de 2020 testei positivo para a covid-19. Além da preocupação em como meu corpo reagiria e a esperança de uma breve recuperação, o contágio foi um grande aprendizado. Desde o início da pandemia, adotamos todas as orientações das autoridades sanitárias para proteger nossos colaboradores, nossos clientes e colaborar com a sociedade.

Confesso que receber o diagnóstico positivo foi uma mistura de sentimentos. Incerteza sobre a evolução dos sintomas, e sim, o medo da morte! Quando falam pra você que 18% do seu pulmão está comprometido, um filme passa pela sua cabeça. Desde o dia do diagnóstico, seguido de catorze dias de isolamento total – ao ponto de não poder dar um abraço na minha filha no aniversário de sete anos dela – acredito que tenha passado por diferentes fases de reflexão e aprendizado.

A primeira é a confusão mental e social que o resultado positivo causa . A percepção que houve uma falha nos processos de cuidados e prevenção e o sentimento de exclusão e afastamento durante o isolamento. A segunda fase é a da aceitação e adaptação, seguida pela preparação, o que, acredito, se assemelha muito a alguns processos de que precisamos ter no nosso dia a dia enquanto líderes. Pois bem, é exatamente isso que quero contar nesse artigo: o que o teste positivo para a doença me fez refletir sobre liderança.

Várias fases

Não precisamos nos culpar pelas nossas falhas, sejam no âmbito profissional ou pessoal. Independentemente da função ou posição dentro de uma organização, quanto mais mostrarmos nosso lado humano, nossa vulnerabilidade em saber admitir erros e até mesmo utilizá-los como aprendizados, teremos mais facilidade em superar obstáculos, gerir equipes e construir confiança. Acredito que um verdadeiro líder entende as suas vulnerabilidades, tem coragem de vencer a vergonha, se engaja sempre em ser quem ele verdadeiramente é, e não tem medo de errar. Assim contribuirá para um ambiente saudável, de integralidade, de desenvolvimento do potencial humano e aumento da produtividade de todo o time.

Liderança já foi sinônimo de ter poder, controlar e saber tudo (espero que esse conceito tenha ficado no passado). Para estar numa posição como a que ocupo hoje, não tenha dúvida, é essencial ser corajoso para assumir a responsabilidade de reconhecer potenciais, ideias e desenvolver pessoas. É aceitar o outro como é e ver que cada um, com a sua diferença, contribui exclusivamente para aquele ambiente. Um líder não possui todas as respostas, mas sabe que a vulnerabilidade é essencial para a gestão de pessoas.

Na fase de adaptação à volta a rotina, optei por dar a volta por cima, da mesma maneira que fazemos todos os dias de nossa vida, usando ao mesmo tempo estratégia, resiliência e trabalho duro. Afinal, como falou James Clear, “sem trabalho duro, uma grande estratégia é somente um sonho; e sem uma boa estratégia, um trabalho duro torna-se um pesadelo”.

Passado o período da bagunça, da aceitação e adaptação, era necessário usar a oportunidade para refletir, reconhecer, reciclar e melhorar. No primeiro dia de isolamento, recebi um presente de umas amigas e colegas de trabalho: uma xícara com a imagem do vírus e a frase “Xô Danado”, e o livro Viver, a que se destina?, de Mario Sergio Cortella e Leandro Karnal. Ótima leitura para aquele momento, já que me trouxe a reflexão sobre nossa vida ser um destino ou uma escolha. Enquanto não temos a resposta, usaremos a xícara para tomar um bom café com os amigos.

Aprender com os erros

Não ter medo de mostrar a nossa vulnerabilidade não nos torna fracos, mas melhores. Isso vai reforçar a cultura da confiança e da empatia. Esse tipo de comportamento gera ainda mais conectividade, afinal quando você compartilha, abre espaço para que as pessoas retribuam essa atitude. Ou seja, quando há líderes duros e incompreensíveis ligados ao perfeccionismo, esse canal se fecha e você cria uma equipe retraída, que não contribui com ideias, pois tem medo de errar.

Mas nem sempre encarei os erros dessa forma, preciso admitir.  Sempre falo que tive muito mais segundos lugares do que primeiros. O meu coeficiente intelectual me colocou em muitas equipes, mas meu coeficiente emocional me fez perder muitas partidas. Durante minha carreira profissional participei de muitos processos seletivos e, apesar de ter passado em alguns, fiquei extremamente decepcionado com os outros em que não fui escolhido, pois não conseguia lidar com o fracasso que representavam. Nada como o tempo e a maturidade, não é mesmo?

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É preciso aceitar o erro, mas sempre ter a vontade de reconhecê-lo e também consertá-lo. O fracasso e os erros devem ser vistos como opções, desde que você aprenda com ele, assim você experimenta o crescimento. E aí entra o coeficiente que me fez ganhar muitos campeonatos, inclusive esse do Covid: o da adaptabilidade. É isso que nos faz crescer, aprender com os erros que cometemos, ou simplesmente entrar no ciclo de aprendizado constante. Aprender, desaprender e aprender novamente.

Estar no meio de uma pandemia não tem sido fácil, nos deixa confusos, assustados e vulneráveis. Mas passado o primeiro impacto, adequamos nossa rotina, aceitamos a situação e começamos a nos organizar para driblar o cenário.  O mesmo acaba acontecendo quando nos tornarmos verdadeiros líderes e priorizamos ser melhores seres humanos. A princípio, mudar pode ser assustador, mas vale a pena.

Em síntese, precisamos nos permitir ser vulneráveis, para nos tornarmos empáticos, corajosos e tomadores de decisões. As pandemias, sejam virais, econômicas, sociais ou políticas, sempre acontecerão. Nossa vida inteira, profissional e pessoal, vive de gestão de crise e, assim como o vírus, crises ou decisões equivocadas, com consequências ruins, podem acontecer com qualquer pessoa. O importante é não ter medo de falhar.

Lembre-se: não há sucesso sem erro. Toda decisão sempre terá dois lados, mas para saber é preciso arriscar. Afinal, correr riscos faz parte do que fazemos enquanto líderes. Essa é a essência de um bom líder. O conteúdo sempre será mais importante do que controle, portanto, faça algo simples, como perguntar ao seu colega como ele está e o que você pode fazer para tornar a vida dele melhor agora. Isso com certeza pode fazer a diferença no dia de alguém.

Força, fé e foco para todos nós!

MSD Saúde Animal/Divulgação


*Delair Bolis é presidente da MSD Saúde Animal e do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos Veterinários para Saúde Animal (Sindan). 

 

 

 

 

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