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Executivos da Ambev revelam seus grandes erros

Em busca de inovação, a Ambev organizou evento online em que líderes compartilharam suas falhas. Veja quais são elas

Por Hanna Oliveira Atualizado em 10 dez 2020, 20h35 - Publicado em 10 set 2020, 14h48

Já imaginou realizar um planejamento que deveria economizar dinheiro para a companhia, mas, no fim, descobrir que isso desencadeou em atraso no pagamento de impostos? Ou deixar que 160 mil exemplares de um produto fossem feitos com erro na embalagem? Esses foram apenas dois dos exemplos compartilhados por executivos da Ambev no evento “Fuckup Session”, direcionado ao público interno e que tinha o objetivo de desmistificar os erros.

O bate papo online fez parte lançamento da plataforma Ambev On, voltada ao desenvolvimento dos funcionários e que unificará a universidade corporativa, que tem mais de 20 anos de existência.

Embalagens erradas

Fomentar a cultura do erro é uma das metas da fabricante de bebidas neste contexto de alta competitividade do mercado. Para estimular essa mentalidade, executivos da Ambev compartilharam suas falhas – o que gera a humanização de figuras da empresa que geralmente têm admiração e respeito dos seus funcionários.

Joilson Conceição, diretor da Cervejaria do Rio de Janeiro, foi um dos líderes que revelou deslizes. Ele protagonizou o erro de ter 160 mil garrafas com embalagem incorreta, num episódio que aconteceu anos atrás. “Eu estava muito mais preocupado em resolver o problema do que com as consequências”, explicou. Hoje, Joilson encara as falhas com racionalidade: “A história de você permitir o erro não significa ser medíocre, significa ‘vamos trabalhar juntos para resolver mais rápido’.”

“Vão me mandar embora”

Uma das histórias que mais causou comoção no público que assistia ao evento digitalmente foi a de Daniela Rodrigues, Controller, que trabalha há 13 anos na companhia.  Ela havia recebido um desafio de um antigo chefe para tentar encontrar algum modo de economizar com impostos. Daniela viu, junto com seu time, uma oportunidade de revisão do momento de tributação de fundos.

Ao apresentar a ideia, logo recebeu o pedido para a implementação. Com pouco tempo e muito trabalho a ser feito, a profissional colocou de pé o projeto, mas logo percebeu que havia algo errado: “Na hora de reconhecer na contabilidade, apareceu um ganho enorme que não deveria. Eu pensei, ‘vou ser mandada embora! Deixamos de pagar um monte de imposto e compensamos um monte de crédito’.”, relembra, aos risos.

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Em seguida, ela precisou comunicar o chefe do que tinha acontecido. “Eu falei: ‘Se quiser me mandar embora, eu vou entender’. E ele [o chefe] respondeu: ‘Daniela, para tudo a gente tem solução, só não tem para morte. Fica tranquila que você não vai ser mandada embora e tenho a certeza que você vai encontrar a solução’”.

A situação foi uma oportunidade para um aprendizado: “As coisas grandes e complexas precisam de tempo. A gente é acelerado, bota pressão na máquina, mas existem coisas que precisam de tempo. Quando damos tempo, filtramos bastante o que pode acontecer de erro”, conclui. Participaram também da sessão os executivos Rodrigo Figueiredo, VP de sustentabilidade e Carla Crippa, VP de relações com a sociedade.

Ambiente seguro para os erros

As conclusões dos participantes foram parecidas: para que a cultura de tentativa e erro dê certo é preciso ter um ambiente seguro, com humildade para se reconhecer as falhas, e o entendimento de que a busca pela solução precisar ser mais importante do que a bronca por deslizar.

“Está todo mundo no mesmo barco. O erro dificilmente é de uma falha individual. Todo mundo faz parte do erro e da solução. Postura humilde de reconhecer e não entrar na vibração do outro é bastante importante”, diz Daniela.

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