Clique e Assine a partir de R$ 12,90/mês

Por que as empresas precisam de funcionários que pensam como freelancer

Saiba o que é a mentalidade gig e conheça estratégias para desenvolver essa competência fundamental nas equipes

Por Fernanda Cury Atualizado em 2 Maio 2022, 10h28 - Publicado em 1 abr 2022, 06h10
O

futuro pertence às empresas resilientes e ágeis, capazes de transformar a crise em uma experiência de fortalecimento e aprendizado. E é nesse cenário de transformação constante que vêm se destacando os profissionais com mentalidade gig. O termo é inspirado na “gig economy”, ou “economia sob demanda”, em que trabalhadores autônomos prestam serviços pontuais às empresas. Mas a expressão se refere a funcionários que, apesar de assalariados e com dedicação exclusiva à companhia, pensam e agem como freelancers.

Mais ousados, eles se autogerenciam, tomam iniciativas espontaneamente, compartilham o que aprendem com os demais, assumem a responsabilidade de seu próprio crescimento e se sentem confiantes em sua capacidade de influenciar as pessoas. “Quem tem a mentalidade gig não atua como um funcionário tradicional, e sim desafia o status quo, descobre novas formas de trabalhar e desenvolve suas próprias habilidades e conhecimentos, enquanto avança nos objetivos da organização”, diz Jane McConnell, autora do livro The Gig Mindset Advantage: A Bold New Breed of Employee (ainda sem tradução para o português). “São pessoas que ignoram os limites hierárquicos e constroem relacionamentos que conectam partes anteriormente separadas da organização.” Para Jane, esses funcionários têm capacidade de estimular e implementar novas ideias, identificar problemas que muitas vezes passam despercebidos pela empresa e mobilizar uma rede de pessoas para a busca de soluções. “Esses colaboradores são capazes de influenciar seus pares por meio da aprendizagem social, porque quem vê a maneira de trabalhar deles pode evoluir para comportamentos semelhantes”, diz Jane.

Em um contexto em que tudo se transforma em uma velocidade grande, funcionários que não buscam constantemente o desenvolvimento de novas competências perdem espaço nas empresas. Um estudo da consultoria Gartner mostra que 29% das habilidades requeridas para o trabalho em 2018 não serão mais necessárias em 2022. “Não é só o mundo que está se transformando, mas também a forma como pensamos e agimos”, diz Milena Pacheco, consultora de carreira e desenvolvimento de talento da Right Management, empresa do ManpowerGroup.

Hierarquia perde espaço

A mentalidade gig ganhou força com a adoção dos novos modelos de trabalho, já que a atuação remota e a híbrida promovem naturalmente maior autonomia, capacidade de autoliderança e necessidade de agilidade e criatividade. “Atualmente, diante de tantos desafios complexos, essas são características essenciais para as organizações”, afirma Milena.

Para Alexandre Marins, diretor de desenvolvimento de talentos para a América Latina na LHH, trata-se de uma competência que incentiva as relações horizontais, o que encurta níveis hierárquicos para a rápida comunicação e tomada de decisão e coloca as pessoas no centro do aprendizado e da evolução dos negócios. E essas qualidades trazem ganhos também para os profissionais, não só para as companhias. “Pessoas com a mentalidade de freelancer são capazes de agir a partir de suas ideias, expressando sua autenticidade. Elas são abertas ao aprendizado e apresentam alta capacidade de adaptação”, diz Alexandre. “Consequentemente, elevam seu poder de influência e impacto e ampliam sua contribuição nos ambientes em que atuam. Como resultado, conquistam maior realização pessoal e, por se exporem mais, ampliam as chances de maiores e melhores oportunidades de carreira.”

Continua após a publicidade

As sete competências de um gig mindsetter

  1. Adota a experimentação e o aprendizado contínuos e aceita o fracasso como parte do processo
  2. Quando lidera, forma equipes flexíveis que atuam por projetos, em vez de grupos tradicionais com funções e atribuições predefinidas
  3. Pede sugestões aos demais e permite que os outros acompanhem seu trabalho à medida que progride
  4. Trabalha de forma autônoma, muitas vezes se envolvendo em questões fora de sua área de atuação
  5. Questiona o status quo e se esforça para aprimorar os processos estabelecidos
  6. É um networker ávido e cultiva contatos dentro e fora da empresa
  7. Para aumentar seu valor em um mercado em constante evolução, desenvolve e aprimora habilidades continuamente

Curiosidade como motivador

Para uma mudança efetiva dentro das empresas, no entanto, é preciso adotar práticas que permitam o florescimento dessa mentalidade. Mas não se trata apenas de aprimorar a cultura organizacional, afirma Jane, porque investir em mudanças em grande escala pode não ser a melhor escolha, já que essa estratégia é estruturada de cima para baixo e a maioria falha por não permitir que as pessoas tomem iniciativas individuais. “Uma cultura de aprendizagem de mentalidade gig começa dentro de cada um e cresce para servir às pessoas e à organização”, afirma Jane McConnell.

Alguns segmentos, como o das startups e das empresas de tecnologia, são mais propensos a atrair e reter profissionais com essa mentalidade. “Elas já nascem com esse DNA para conseguir crescer rapidamente, por isso reúnem quem tem um olhar mais curioso e aberto ao novo”, afirma o executivo da LHH. Mas é possível cultivar esses comportamentos em qualquer companhia. Uma das formas é incentivar que os líderes demonstrem “ignorância sábia”, pedindo a opinião de outros antes de tomar grandes decisões. “Outra prática eficiente é implementar a tomada de decisão descentralizada, com diretrizes estratégicas definidas de forma colaborativa”, diz Jane. “Isso permite que mais pessoas tomem decisões fundamentadas, respeitando os princípios organizacionais gerais.”

Facilitar a interação entre profissionais de diferentes equipes, dentro e fora do ambiente corporativo, também ajuda, porque a troca é a principal fonte de aprendizagem. Além disso, é fundamental deixar claro que os erros são oportunidades para aprender. Para isso, é importante que as lideranças compartilhem tanto os fracassos quanto os sucessos com igual franqueza, criando uma cultura livre de culpa por eventuais erros. Estimule a abertura ao novo e ao questionamento, acolha ideias, incentive a experimentação e a busca do aprendizado a partir da prática. Valorize a diversidade e garanta a inclusão de todos os públicos. Crie e incentive espaços para trocas de ideias e aprendizados, tanto internamente como externamente. “Laboratórios de ideias, agendas criadas para que colaboradores de diferentes áreas possam criar e testar são estratégias bem-vindas”, aconselha Milena. “E foque o aprendizado e o desenvolvimento das pessoas, e não apenas o resultado financeiro”, afirma Alexandre Marins, da LHH. “Desafie os profissionais a sair de sua zona de conforto, por exemplo questionando quando foi a última vez que ousaram fazer algo novo. O desenvolvimento de novos traços e mentalidades precisa estar ancorado no desejo de mudança e na abertura para testar e experimentar.”

Os desafios da liderança

Com as mudanças acontecendo de forma acelerada no mundo do trabalho, as lideranças e o RH têm enfrentado o desafio de incentivar e apoiar os profissionais no desenvolvimento de novas competências.

  • 59% dos líderes de RH afirmam que têm como prioridade desenvolver nas equipes competências-chave para o futuro
    dos negócios
  • 49% dos líderes entrevistados admitem que não têm uma estratégia estruturada para lidar com os desafios do futuro do trabalho
  • 40% dizem que não podem criar soluções de treinamento e desenvolvimento com rapidez suficiente para atender às necessidades da empresa
  • 6,3% é o aumento anual no número médio de habilidades necessárias para exercer uma função em TI, finanças ou vendas desde 2018
Compartilhe essa matéria via:

Esta reportagem faz parte da edição 79 (abril/maio) de VOCÊ RH.

Clique aqui para se tornar nosso assinante

Continua após a publicidade

Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Continue no caminho para se tornar uma referência. Assine VC RH e continue lendo

Impressa + Digital

Plano completo da VOCÊ RH! Acesso aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias e revista no app.

Acesso ilimitado ao Site da VOCÊ RH, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Pautas fundamentais para as lideranças de RH.

Cobertura de cursos e vagas para desenvolvimento pessoal e profissional.

Receba todo bimestre a VOCÊ RH impressa mais acesso imediato às edições digitais no App VOCÊ RH, para celular e tablet.

a partir de R$ 14,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos no site e ter acesso a edição digital no app.

Acesso ilimitado ao Site da VOCÊ RH, com conteúdos exclusivos e atualizados diariamente.

Pautas fundamentais para as lideranças de RH.

Cobertura de cursos e vagas para desenvolvimento pessoal e profissional.

App VOCÊ RH para celular e tablet, atualizado mensalmente

a partir de R$ 12,90/mês