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Foto de Jackie de Botton Jackie De Botton Por The School of Life Diretora e sócia-fundadora da The School of Life

Cinco reflexões para renovar as energias

Em um ano difícil como o de 2020, é normal estar com as energias baixas. Para mudar esse quadro, o primeiro passo é recalibrar pensamentos e emoções

Por Jackie de Botton Atualizado em 27 jan 2021, 14h30 - Publicado em 15 dez 2020, 15h26

Como você está se sentindo? Não se sinta mal caso esteja encerrando o ano emocionalmente mais frágil e mais abalado do que gostaria. Muitas pessoas estão na mesma situação que você, entre elas algumas que você admira muito. Às vezes, tudo o que precisamos é de uma pausa, de uma recalibragem de pensamentos e emoções. É como se separássemos um tempo para fazer um download do que habita o nosso interior para uma reorganização geral.

Eu sei que nem sempre é fácil ou confortável fazer esse trabalho por conta própria. Mas você pode começar com cinco reflexões:

1. Pratique a autocompaixão

Precisamos ser mais gentis com nós mesmos, valorizar nossos esforços tanto quanto as nossas vitórias, nos permitir ser “bons o suficiente” e acolher os nossos sofrimentos e as nossas dificuldades da mesma forma que fazemos com as pessoas queridas. Tudo isso é importante,  principalmente, em um ano tão atípico quanto o que estamos vivendo. Essa gentileza se chama autocompaixão, algo que não tem nada a ver com dó, mas sim com amor por nós mesmos.

 2. Busque a eudaimonia no lugar da felicidade

Vivemos em uma sociedade que nos pressiona a estar felizes o tempo todo. Essa pressão pode ser extremamente assustadora e nos gerar culpa caso a gente se sinta em desacordo com o resto da sociedade. É por isso que na The School of Life sugerimos que as pessoas substituam a felicidade por eudaimonia, um termo grego antigo que significa realização. A eudaimonia nos inspira a crer que é perfeitamente possível nos sentirmos realizados ainda que estejamos sob pressão, com dores, sobrecarregados ou de mau humor. Ela nos incentiva a valorizar a boa sensação de fazer a diferença no nosso dia a dia e das pessoas, sem a cruel necessidade de sorrir o tempo todo para demonstrar felicidade.

3. Não é preciso ter coragem sem ajuda

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Enfrentamos um ano legitimamente muito difícil. Não sei quanto a vocês, mas em alguns momentos eu experimentei a sensação de que a ansiedade estava a minha espreita. Se você tem vivenciado esse ou outros sentimentos desconfortáveis, procure admitir isso em conversas com você mesmo ou com outras pessoas. Falar e escrever a respeito de sentimentos e pensamentos é muito útil para identificarmos a raiz do que nos incomoda e encontrarmos formas de lidar melhor com tudo o que vai no nosso interior. Se julgar necessário, busque o apoio de psicólogos, psiquiatras ou outros profissionais da saúde. Assim como qualquer outro órgão do seu corpo, a sua mente pode apresentar falhas e precisar de cuidados. Quanto antes você fizer isso, será melhor.

4. Permita-se ser vulnerável

Em geral, nos esforçamos para ser perfeitos no contato com o outro, sem nos darmos conta de que o que conecta as pessoas e incentiva uma conversa transformadora é justamente a vulnerabilidade. Um grande número de pessoas está tão cansado quanto você. Então, quando se sentir pronto, experimente se expor mais. Você vai ver que, na verdade, todos estamos em busca de evidências externas de que não somos os únicos rodeados por pensamentos, comportamentos e sentimentos estranhos.

5. Conecte-se

Aristóteles dizia que “sem amigos, ninguém escolheria viver”. Na The School of Life também acreditamos que a conexão com o outro é um dos pilares para uma vida mais significativa. Mesmo as pessoas que valorizam os momentos na própria companhia tendem a se sentir mais confortáveis quando sabem que têm a porta da amizade aberta em algum lugar. Recomendo que você não se feche no seu mundo. Busque o outro, ainda que seja virtualmente.

Se você observar fatos da história, verá que a humanidade já enfrentou e superou momentos tão ou mais difíceis, se comparado ao que estamos vivendo. Não quero com isso estimular um otimismo romantizado ou desqualificar a dor de ninguém. Minha intenção é apenas recordar a você e a mim mesma de que somos capazes de suportar muito mais coisas do que imaginamos.

Caso me permita te dar um conselho para 2021, eu diria: conheça-se. Quem não se conhece está sujeito a viver exclusivamente guiado por expectativas e acontecimentos externos, sem se dar a chance de degustar a própria essência, ainda que o momento seja desafiador ou incerto.

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Jackie de Botton
Arte/VOCÊ RH
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