Saúde mental: cabe aos líderes evitar a percepção de “carewashing”
Algumas atitudes passam a impressão de que o gestor não se importa com o bem-estar de sua equipe – e prejudicam a reputação da empresa.

Em 2025, as discussões sobre saúde mental devem ganhar mais espaço dentro das organizações. Dois fatores estão por trás desse fenômeno: a atualização da NR-1, que estabeleceu a necessidade de identificar e gerenciar riscos psicossociais no ambiente de trabalho; e a criação do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, uma honraria dada pelo governo federal a organizações que zelam pelo bem-estar de seus colaboradores.
São novidades que surgiram devido ao aumento no número de casos de transtornos mentais nas empresas brasileiras e por conta do reconhecimento crescente de que ambientes de trabalho disfuncionais impactam a saúde e o desempenho dos colaboradores.
Diante desse cenário, as lideranças não podem mais ser parte do problema – precisam contribuir para solucioná-lo.
A gestão é um dos principais fatores de estresse na rotina dos profissionais. Os gestores podem até receber treinamentos e orientações específicas para cuidarem da saúde mental de seus colaboradores. Mas alguns comportamentos geram o efeito contrário – e passam a impressão de que o líder não se importa genuinamente com o bem-estar de sua equipe.
Trata-se de um fenômeno chamado carewashing: quando as políticas de saúde mental são superficiais, não combinam com a atitude das lideranças e não contribuem para construir ambientes saudáveis e seguros. Como afirma o ditado, uma ação vale mais do que mil palavras. Por isso, a reputação da empresa fica em risco quando a prática não condiz com o discurso.
Como evitar o carewashing
Mas como as lideranças podem evitar o carewashing? Minha sugestão é que os gestores invistam em três comportamentos que ajudam a construir relações de confiança com suas equipes:
1) Preste atenção aos limites. Não envie mensagens de trabalho fora do expediente: isso faz os colaboradores se sentirem pressionados e gera uma cobrança para que eles estejam sempre disponíveis, o que prejudica o bem-estar. Esse comportamento também faz com que a equipe enxergue o gestor como alguém que não respeita a privacidade nem se preocupa com o descanso de seus funcionários.
2) Dê orientações claras e celebre as conquistas. As demandas são muitas, e o tempo é curto. Mas os líderes precisam tomar mais cuidado com a comunicação. Mudanças abruptas de rotina, direcionamento incerto e falhas na comunicação fazem com que os colaboradores se sintam inseguros e frustrados.
Mantenha sua equipe informada sobre o que está acontecendo no escritório, atualize as prioridades com frequência e compartilhe as informações necessárias para que todos entendam suas decisões. Se possível, lembre a equipe constantemente sobre qual é seu propósito e sua visão de futuro. De tempos em tempos, celebre os avanços da equipe.
3) Esteja disponível – de verdade. Não adianta dizer que os funcionários podem contar com você se sua agenda está sempre lotada de reuniões e você interage de forma superficial entre os compromissos do dia. É fundamental estar junto com a equipe e ter conversas focadas nos colaboradores para entender quais são suas ambições e como eles lidam com a rotina de trabalho.
Dedicar tempo aos funcionários é uma forma de reconhecimento, que favorece o diálogo e forma relações de confiança. Por consequência, pode aumentar a motivação e o senso de pertencimento dos profissionais. Lembre-se: exercitar a escuta atenta e promover um ambiente de segurança psicológica é uma forma de cuidar verdadeiramente da saúde mental da equipe.
Gestos valem mais que palavras, principalmente quando ocupamos um cargo de liderança. Apoie as políticas da empresa que visam cuidar da saúde mental dos profissionais e busque conhecimento sobre o assunto. Mas, sobretudo, esteja atento às suas próprias atitudes para que elas sejam coerentes com o posicionamento da empresa.
O cuidado emocional não está associado à garantia de uma rotina perfeita e uma relação tranquila com o trabalho, mas à certeza de que temos alguém de confiança ao nosso lado nos momentos difíceis.