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A inteligência emocional precisa fazer parte do plano de desenvolvimento

Autoconsciência, empatia, autogestão, habilidades sociais... Essas competências fazem toda a diferença na hora de influenciar pessoal.

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH
9 fev 2024, 18h27

No meu dia a dia como headhunter, tenho conduzido recrutamentos de posições para as quais ter algum conhecimento de neurociência é um diferencial, além de um olhar para a antropologia e para as emoções humanas. É a ciência entrando para, por exemplo, entender o comportamento do consumidor e ajudar na decisão de fragrâncias, texturas, embalagens, posicionamentos de banners em sites…

Esse olhar para as emoções, porém, ainda é tímido na preparação dos líderes. Profissionais e empregadores reconhecem que é um tema importante, mas na prática poucas organizações têm programas estruturados para ensinar seus colaboradores a lidar com as próprias emoções.

A inteligência emocional não é um tema novo. Há muitos anos vem sendo abordada pelas escolas de negócios mais renomadas do mundo. Mas saber como desenvolver e aperfeiçoar essa habilidade não é algo tão simples quanto parece.

Daniel Goleman começou a fazer publicações sobre o tema em Harvard, em 1990. Em seu livro Inteligência Emocional na Formação do Líder de Sucesso, ele afirma que “as habilidades da inteligência emocional são as habilidades que distinguem aqueles com desempenho excepcional. E quanto mais se sobe em uma organização, maior a importância da inteligência emocional para distinguir líderes mais eficazes”.

Yale foi a escola de negócios pioneira em adicionar um teste de inteligência emocional em seus processos seletivos. Desde então, a forma de mensurar essa habilidade vem sendo aprimorada e tem diversos embasamentos teóricos. É com base nessa habilidade por exemplo, que muitos empregadores destacam os melhores entre um grupo que tem similaridade nos quesitos QI e formação acadêmica.

A meu ver, assim como um plano de carreira não é responsabilidade das organizações, e sim do indivíduo, trabalhar para melhorar a própria inteligência emocional também deve ser meta de cada um. Todo indivíduo deve ser responsável por querer ser melhor como pessoa e profissional por meio da capacidade de lidar com emoções.

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Para cargos de liderança, cada um pode ter um estilo próprio, mas a demanda por gestores mais humanizados é uma realidade sem volta. O mercado não tolera mais líderes extremamente autocráticos, ditadores e arrogantes. No entanto, existe uma linha tênue entre um líder humanizado, disposto a expor as próprias vulnerabilidades, e outro com baixa inteligência emocional, que não inspira confiança nas pessoas ao seu redor. Qual deles você quer ser?

Pontos que são parte da inteligência emocional

Para melhorar a capacidade de influenciar pessoas, precisamos falar de inteligência emocional. E, para trabalhar esse ponto, o melhor caminho é destrinchar o tema em subtópicos que possam nos ajudar a definir os focos de atuação. Utilizando a abordagem de Daniel Goleman, podemos considerar os seguintes pontos como partes da inteligência emocional:

Autoconsciência

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Significa a compreensão profunda das próprias emoções, forças, fraquezas, necessidades e impulsos. Envolve também conhecer seus próprios valores e suas metas.

Autogestão

Engloba autocontrole e impulsos biológicos. É saber escolher as palavras, os sentimentos e os impulsos com cuidado mesmo em momentos de raiva ou decepção.

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Empatia

Significa, de forma ponderada, levar em conta o sentimento de outras pessoas para a tomada de decisão. Não tem a ver com ser sentimental, tentar agradar a todos ou adotar as emoções dos outros como sendo suas. Tem relação com a capacidade de entender os sentimentos e pontos de vista das pessoas para saber como agir e direcionar as equipes.

Habilidade social

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Tem relação com a capacidade de se relacionar com as pessoas. Não é apenas a cordialidade, mas também saber direcionar as equipes no dia a dia, negociar para chegar a um denominador comum com pessoas de todos os perfis. Profissionais socialmente hábeis são fortes em networking e no desenvolvimento de círculos amplos de relacionamento.

No livro Um Dicionário da Psicologia, o autor Andrew Colman define inteligência emocional como sendo “a capacidade do indivíduo de reconhecer as emoções das outras pessoas e as suas próprias emoções, identificar sentimentos diferentes e usar essas informações para orientar seu pensamento e seu comportamento”.

Para Paul Wiseman, um jornalista que tem publicações sobre o tema, uma boa inteligência emocional impacta positivamente na vida e na carreira de quem deseja trabalhar bem em equipe, ter uma comunicação clara e eficaz, adaptar-se melhor às mudanças, ter boa interação com uma grande variedade de pessoas e saber pensar claramente para resolver problemas sob pressão.

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Um exercício

Quanto a pensar nas nossas próprias competências, Daniel Goleman sugere, em seu livro, que deveríamos começar o exercício de reflexão tentando responder às seguintes perguntas:

  • Você costuma estar consciente de seus sentimentos? E por que se sente assim?
  • Você está consciente de suas limitações, bem como de suas forças pessoais, como um líder?
  • Você consegue lidar bem com suas emoções negativas – por exemplo, recuperar-se rapidamente quando fica contrariado ou tenso?
  • Você consegue se adaptar facilmente à realidade diante de mudanças?
  • Você mantém o foco em seus objetivos principais e conhece os passos necessários para chegar lá?
  • Você, normalmente, consegue perceber os sentimentos das pessoas com as quais interage e entende suas formas de ver as coisas?
  • Você possui um dom para persuasão e para usar sua influência com eficácia?
  • Você consegue conduzir uma negociação a um acordo satisfatório e ajuda a dirimir conflitos?
  • Você trabalha bem em equipe ou prefere trabalhar sozinho?

Existem, porém, alguns contrapontos com relação ao tema. Steve Tobak, autor do livro Real Leaders Don’t Follow, afirma que personalidades de sucesso do mundo dos negócios, como Steve Jobs, Bill Gates, Larry Page, Mark Zuckerberg e Elon Musk não têm inteligência emocional, apesar, indiscutivelmente, de terem uma carreira de sucesso. Tobak também compartilha que desenvolver inteligência emocional não é uma tarefa fácil. Ele diz: “Bem, se fosse simples assim, as pessoas não precisariam de anos de terapia, nem de trabalho duro e muita disciplina para abandonar certas atitudes, como a tendência à autodestruição, para adotar outras”.

Tão importante quanto tudo isso é a seguinte realidade: diferentemente de habilidades cognitivas e de QI, inteligência emocional é algo que pode ser desenvolvido e aprimorado. Todos os especialistas que pesquisei dizem isso. E tenho certeza de que esse é um investimento que vale a pena tanto para a nossa vida quanto para a nossa carreira.

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