Menopausa: um tema para a agenda do RH
74% das mulheres já enfrentaram caladas os desafios físicos e emocionais dessa fase por medo de serem discriminadas ou demitidas.

O etarismo ainda não é um assunto fácil de ser abordado nas organizações. Um exemplo desse cenário são os dados de uma pesquisa recente do Talenses Group, que apurou que 74% das mulheres entrevistadas já enfrentaram caladas os desafios físicos e emocionais da menopausa por medo de serem discriminadas ou demitidas.
Entre as que atravessam essa fase natural da vida feminina, 63% já deixaram de produzir de maneira adequada em razão dos sintomas. E 80% afirmaram que menopausa não é um tema abordado na empresa. Somente 5% das pessoas ouvidas disseram que suas companhias têm iniciativas como rodas de conversa ou suporte médico e psicológico.
Diante da demanda por mais mulheres em cargos de liderança, é fundamental apoiar as profissionais que estão na menopausa. Afinal, os sintomas dessa fase da vida tendem a se apresentar no momento em que a mulher está no ápice de sua carreira em termos de experiência, conhecimento e maturidade emocional.
Um dia desses, em um jantar com amigas executivas – seniores e bem-sucedidas –, uma delas revelou que estava vivendo momentos de angústia relacionados à menopausa e que se sentia sozinha no mundo corporativo, sem espaço para conversar sobre a questão. Na mesa, todas relataram não se sentir confortáveis para tocar no assunto com seus líderes – ou seja, os CEOs.
Homens precisam entender do assunto
Outro ponto de desconforto é a falta de informação. Não basta que os membros da equipe saibam o que é a menopausa. É fundamental que todos entendam quais são os sintomas, como ela age no corpo da mulher, o que a colaboradora pode fazer para lidar com essa fase e o tipo de acolhimento de que ela precisa na empresa.
É importante lembrar que os sintomas começam na chamada perimenopausa, por volta dos 40 anos – a idade pode variar de uma mulher para outra. Nesse período de perda da capacidade reprodutiva, a montanha-russa hormonal tende a gerar cansaço físico, névoas mentais momentâneas, sensação de calor e, em alguns casos, depressão.
Tenho conhecimento de empresas que têm apoiado colaboradoras na menopausa ou prestes a ingressar nessa fase. Algumas oferecem suporte para o tratamento de reposição hormonal, via convênio ou por reembolso. Há iniciativas de inclusão do tema no comitê de etarismo e rodas de conversa em grupos por afinidade.
No exterior, o tema já está mais avançado. Em alguns países, empresas e governos apoiam que, em períodos específicos, essas mulheres desfrutem de home office ou flexibilidade no expediente. Há, ainda, benefícios de licenças remuneradas e salas climatizadas.
Caso você queira se aprofundar no assunto, eu recomendo a leitura de alguns livros: O Cérebro e a Menopausa, de Lisa Mosconi, e O Que Ninguém Conta sobre a Menopausa, de Jancee Dunn, além das obras do Dr. Malcolm Montgomery. Há, ainda, os livros de Suzanne Somers, como o Breakthrough, que aparece na série Sex and the City como uma das leituras da personagem Samantha Jones.
Das conversas que tive sobre o tema, é unânime que as mulheres têm receio de se sentir expostas na própria organização com relação a menstruação, gravidez, menopausa e outros tópicos do universo feminino. É fundamental, então, que exista um esforço por parte dos empregadores para que tais assuntos não sejam tratados como impróprios ou com piadinhas.
Afinal, todas as mulheres, em algum momento, vão passar por essa migração. O tema, infelizmente, ainda é visto como tabu, mas é uma realidade que não pode mais ficar de fora do radar das organizações.
Este texto é parte da edição 96 (fevereiro e março) da Você RH. Clique aqui para conferir outros conteúdos da revista impressa.