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Jovem Aprendiz: como criar um programa estratégico

Com 20 anos de existência, o programa Jovem Aprendiz é consolidado no Brasil. Empresas devem tomar cuidados para garantir sua efetividade

Por Hanna Oliveira Atualizado em 10 dez 2020, 20h15 - Publicado em 26 out 2020, 17h20

Este texto faz parte da série de três reportagens Jovens e o Trabalho, que será publicada semanalmente no site de VOCÊ RH. 

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), levantados por meio da Pnad Contínua, suplemento Educação em 2018, 11 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos não estudavam e tampouco trabalhavam naquele ano. Esse dado alarmante corre o risco de ter se intensificado devido à crise da covid-19. Por isso, programas como Jovem Aprendiz se mostram ainda mais importantes para a empregabilidade dessa parcela da população. 

Além dos ganhos sociais, programas de aprendizados que buscam integrar o trabalho com a capacitação podem ser uma boa alternativa para as companhias. “Quando a empresa entende que tem a possibilidade de estimular o crescimento de um jovem e, com isso,  preparar sua força de trabalho, é extremamente saudável para os dois lados”, diz Danilca Galdini, líder da área de pesquisa na consultoria Cia de Talentos. 


Quais são as regras? 

O programa Jovem Aprendiz surge com a Lei 10.097/00 de 2000, a famosa Lei da Aprendizagem. Ela prevê que as empresas tenham entre seu quadro de funcionários de 5% a 15% como aprendizes. Essa foi a forma do poder público incentivar as companhias a ajudarem na empregabilidade jovem do país sem que eles tivessem que deixar a escola e a capacitação de lado. Um Jovem Aprendiz necessariamente precisa ter carteira assinada e passar 30% do seu tempo realizando atividades de capacitação fora do ambiente de trabalho. 

Quem pode participar do programa são jovens entre 14 e 24 anos que estejam cursando o ensino médio, técnico ou até mesmo uma universidade. E, justamente, por esses jovens serem também estudantes que as férias precisam coincidir com as férias escolares e o jovem aprendiz não pode realizar horas extras, não podendo ter uma carga horária maior do que 22 horas semanais.
Além disso, o jovem aprendiz tem todos os direitos que a CLT prevê: férias, décimo terceiro salário, contribuição previdenciária e não pode ganhar menos do que um salário mínimo.  

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Transparência e protagonismo 

O programa é a porta de entrada ao mercado profissional, no entanto, Danilca diz que um erro comum cometido por algumas empresas é tratar esse profissional apenas como uma mão de obra barata, sem pensar em se futuro. “Ele é um profissional em início de carreira que pode ter um potencial gigantesco se bem estimulado”. É o que também acredita Humberto Casagrande, CEO do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola). Para o executivo, o jovem é uma ponte valiosa entre as empresas e as tendências de mercado: “Todas as empresas precisam ser permeadas por esses jovens para estar integradas com os consumidores”.

Esse protagonismo deve começar ainda no recrutamento. “Perdemos talentos porque buscamos experiência profissional, e não olhamos a história de vida dessas pessoas. O quanto são batalhadores, estão antenados, se adaptam com mais facilidade”, diz Danilca. No dia a dia de trabalho, é fundamental manter proximidade e comunicação e estimular o desenvolvimento dos jovens. Danilca sugere, por exemplo, o estabelecimento de conversas sobre carreira – que só são produtivas se os chefes tiverem clareza sobre o que a companhia espera dos funcionários. “O gestor precisa saber qual o caminho a empresa quer seguir para que possa conversar com esse jovem aprendiz, mostrar as possibilidades e entender seus interesses.” 

Isso ajudará em outra questão importante: aumentar o protagonismo desses jovens. “O futuro do trabalho é incerto e eles estão entrando num momento mais incerto ainda”, diz Danilca. É papel da liderança, portanto, explicar quai são as habilidades necessárias (e mais exigidas) para o mercado e para a empresa. Também cabe ao gestor mostrar como o jovem pode conquistar essas competências. Uma das maneiras de fazer isso é envolvê-lo em projetos de áreas e escopos diferentes. “É a forma que a organização tem de ir preparando as pessoas para trabalharem dentro da sua cultura”, diz Danilca. 

Jovem Talento: uma alternativa 

Como alternativa ao Jovem Aprendiz, o CIEE lançou o programa Jovem Talento que busca alinhar empregabilidade com a diminuição da evasão escolar dos jovens brasileiros. 

No programa, que é regido pela Lei do Estágio, as empresas remuneram os jovens que estão na escola ou no ensino técnico com um salário de R$ 500. Eles devem cumprir uma carga horária de 6 horas, sendo 1 hora para capacitação profissional através de cursos online que devem ser escolhidos a partir das funções realizadas na companhia. O foco são nas pequenas e médias empresas brasileiras. 
 “Temos 48,5 milhões de jovens no Brasil, é um quarto da população. Nem o governo nem as empresas têm um olhar especial para essa juventude que representa o futuro da nação”, diz Humberto, CEO do CIEE. 

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