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Auxílio home office cresce: conheça as tendências para os benefícios

Vale refeição e assistência médica são os benefícios mais comuns, mas a pandemia potencializou o auxílio ao home office. Como criar um cesta atraente?

Por Elisa Tozzi Atualizado em 31 ago 2021, 15h42 - Publicado em 8 set 2021, 07h00

Como estão os benefícios das empresas brasileiras? Foi para responder a essa pergunta que a Vee, startup de benefícios flexíveis, e a Leme Consultoria, conduziram uma pesquisa com 1.156 empresas brasileiras que deu origem ao Guia Nacional de Benefícios 2021. Segundo o levantamento, os benefícios mais comuns são vale refeição (oferecido por 81% das empresas), assistência médica (oferecido por 77,5% das empresas) e transporte/mobilidade (oferecido por 68,7% das empresas). E o que teve mais crescimento em 2021 foi o auxílio home office, hoje ofertado por 45% das companhias.

Para Felipe Witt, CMO e sócio da Vee Benefícios, a tendência é que as organizações comecem a flexibilizar cada vez mais a cesta de benefícios e que passem a ouvir mais o que os funcionários têm a dizer sobre o que a empresa oferece. Na entrevista a seguir, ele comenta os principais pontos do Guia, que está acessível na íntegra neste link.

O que torna uma cesta de benefícios realmente atraente?

Essa é a pergunta de um milhão de reais. E não existe uma resposta exata para isso.

Nosso guia de benefícios se propõe a mostrar o panorama dos benefícios no país com uma visão livre de dogmas, nós não conseguimos afirmar que um benefício é bom ou ruim, mas podemos mostrar quão popular ele é. Uma cesta de benefícios atraente é aquela que custa X, mas tem valor percebido de 2X.

A nossa recomendação envolve duas etapas simples: primeiro explorar o conteúdo do Guia Nacional para entender como a sua empresa se posiciona em relação às práticas de mercado. O guia é literalmente isso, um guia, uma bússola.

A segunda etapa é a mais importante: perguntar aos funcionários da empresa o que eles valorizam. Cada empresa é um ecossistema único, por isso é fundamental entender o que as pessoas que o compõe valorizam. Talvez uma empresa do interior identifique que nada é mais valioso do que um VR que seja realmente aceito nos restaurantes e sem ter de pagar mais pelo almoço por usar um vale, quem sabe a startup cosmopolita descubra que educação é importante e que o cuidado com a saúde emocional é uma prioridade dos colaboradores. Ou ainda é possível que tudo isso seja uma visão dogmática e a pesquisa aponte para resultados totalmente diferentes do que até então era considerado uma verdade absoluta.

As empresas adoram dizer que os colaboradores vêm em primeiro lugar, pois é hora de perguntar a opinião deles sobre os benefícios que eles mesmos recebem.

  • Segundo o levantamento da Vee, os benefícios de alimentação e plano de saúde ainda são os mais tradicionais nas empresas. A pandemia os tornou ainda mais importantes?

    A pandemia não aumentou a importância desses benefícios, não vimos grandes evoluções na oferta e inclusive surpreende que 19% das empresas participantes não ofereçam VR e 45% não oferecem VA.

    O grande impacto da pandemia nos benefícios foi o formato com que deve ser oferecido. Se as empresas já entendiam que as pessoas são diferentes e têm necessidades diferentes, quando essas pessoas passaram a trabalhar em ambientes e até cidades ou países diferentes, esse problema foi muito exposto.

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    O que nós vemos é um movimento em direção à autonomia dos colaboradores através da adoção dos benefícios flexíveis: 26% das empresas participantes oferecem um benefício flexível, outros 27% afirmaram que desejam oferecer a modalidade em breve. Se essa tendência se consolidar, nós veremos no Guia de 2022 que benefícios flexíveis serão mais oferecidos do que vale alimentação.

    Existem benefícios que ainda não são tão comuns, mas que são bem avaliados pelos funcionários, como auxílio educação e creche. Por que são negligenciados?

    À frente do auxílio educação temos apenas os benefícios convencionais como VR, VA, VT, assistência médica e odontológica e assim por diante. Junto com o auxílio home office que cresceu por necessidade em 2020/21, é o primeiro benefício “não-convencional” a aparecer na lista. Então podemos dizer que entre as zebras, ele é o vencedor.

    O motivo pelo qual ele não é maior tem muita relação com o custo desse benefício. Por tradição, as empresas ainda relacionam educação com certificados e diplomas, então quando desejam conceber um benefício como esse, pensam primeiro na educação formal e incentivam cursos técnicos, graduações, pós e cursos de idiomas – que são investimentos altos e de longo prazo. Mas existe um mar de oportunidades na educação não-formal com conteúdo de altíssima qualidade mais acessível e que certamente pode contribuir com a prosperidade dos negócios. Reconhecer o valor da educação não-formal é o que falta para esse benefício decolar.

    Já o auxílio creche permite uma discussão bastante profunda. Para começar, identificamos na pesquisa que ele tem uma alta concentração para a diretoria e quase não está presente nos demais níveis hierárquicos, um dos principais motivos para isso é que esse é um benefício relativamente caro, que dificulta a oferta em massa.

    Mas podemos colocar o dedo na ferida e questionar como as empresas enxergam o retorno das mães após a licença maternidade. Uma pesquisa da FGV aponta que após 12 meses da licença maternidade, mais da metade das mulheres está fora do mercado de trabalho. Por algum motivo, empresas não querem mães em seu quadro de colaboradores, então por que investiriam em um benefício para elas?

    O benefício que mais cresceu foi o vale home office. Isso é uma tendência para o futuro?

    O auxílio home office era quase nulo em 2020 e agora tem uma prevalência maior que 45%. Com essa quantidade de empresas oferecendo, eu diria que esse benefício não é mais uma tendência, é uma realidade bem consolidada.

    Com a ascensão do trabalho híbrido e a necessidade de oferecer uma estrutura que permita aos funcionários estarem confortáveis e serem produtivos, a adoção vai continuar crescendo. Principalmente porque é muito mais fácil você oferecer um valor mensal através de um cartão e permitir que o colaborador utilize-o para resolver os principais problemas do momento do que empacotar um “kit home office” igual para 10, 100 ou 1000 pessoas sem pensar que elas trabalham a partir de  10, 100 ou 1000 ambientes diferentes com necessidades diferentes.

    O vale cultura é o benefício menos oferecido pelas empresas, existe uma explicação para isso?

    A nossa avaliação é que diversos fatores influenciam esse cenário. Para começar, o Vale Cultura governamental é regido pelo PCT – Programa de Cultura do Trabalhador, que imprime diversas regras que tornam o benefício difícil de gerir pelo RH e de pouco valor para o colaborador (por exemplo, o valor máximo do vale cultura é de R$ 50, poucos locais online o aceitam e é mais focado em quem ganha até três salários mínimos).

    O crescimento dele depende da reinvenção dessa modalidade, como acontece com o Vale Cultura da Vee. O nosso benefício não tem um teto de valor específico, pode ser usado para uma gama de coisas, do tradicional livro ou ingressos para o cinema, mas também a contratação de serviços por assinatura como Netflix, Spotify e Kindle Unlimited.

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