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Isis Borge

Executive Director Talenses & Managing Partner Talenses Group
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Como passar pelo filtro das máquinas e ter seu currículo lido

É humanamente impossível dar conta de ler todo o perfil de tantos candidatos, principalmente considerando a alta rotatividade no mercado

Por Isis Borge, colunista de VOCÊ RH
29 jul 2022, 08h39
A

área de recrutamento e seleção está evoluindo em uma velocidade muito grande. A cada dia surgem novas tecnologias que ajudam os recrutadores em todas as frentes, desde o controle do fluxo dos processos, passando pela criação de indicadores, pelo acompanhamento de tempo das seleções e por análises de aderência comportamental e cultural à empresa almejada. Muitos já utilizam ferramentas de automatização para fazer a triagem de perfis. Alguns desses softwares operam com a ajuda da inteligência artificial.

Na outra ponta dos processos de recrutamento estão profissionais que têm interesse em trabalhar em determinada empresa. Em busca de concretizar seu objetivo, esses potenciais candidatos buscam formas de contato com a sonhada organização. Alguns enviam o currículo por um amigo ou conhecido que trabalha na companhia, outros fazem o envio por meio das informações de um anúncio e há ainda aqueles que se cadastram proativamente em campos específicos do site da organização. Dentro dessa dinâmica, uma vaga pode receber milhares de candidaturas.

Como funcionam os processos seletivos dentro das organizações

Pois bem, como funciona a partir daí? Tudo vai depender do grau de tecnologia existente nos processos da empresa. Pode ser que exista uma pessoa que vai abrir e ler cada um dos currículos. Mas muitas já possuem recursos de tecnologia para fazer uma triagem com base em palavras-chave, reduzindo o volume de currículos a serem avaliados de 3 mil para 200, por exemplo, para que, então, um humano possa abri-los e avaliar os conteúdos com mais atenção.

Acredito que você esteja se questionando o que acontece com os demais currículos. Eu respondo: eles retornam ao banco de dados daquela empresa para serem acessados em uma nova oportunidade também pelo processo de busca por palavras-chave. Esse processo se justifica porque, muitas vezes, é humanamente impossível para o recrutador dar conta de ler todo o perfil de tantos candidatos, por mais vontade que ele tenha e, principalmente, considerando a alta rotatividade no mercado.

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O poder das palavras-chave

A falta de palavras-chave corretas ou adequadas no currículo é um dos motivos que fazem com que algumas pessoas com ótimas qualificações para uma vaga não sejam chamadas para entrevistas. Entendo que a escolha desses termos pode não ser fácil, mas você pode começar pensando em, pelo menos, uma lista de dez palavras conhecidas no mercado que traduzem as funções que você desempenha ou deseja desempenhar.

Na descrição do cargo, por exemplo, vejo algumas pessoas inserindo no currículo siglas internas de empresas nas quais atuam ou atuaram, mas que não são linguagens comuns a todas as companhias e, consequentemente, não seriam usualmente palavras-chave buscadas. Em geral, os recrutadores irão colocar nos filtros palavras macros que definem as atividades, como “especialista” ou “gerente”, para a nomenclatura do cargo, acompanhadas de idiomas e nome do curso de graduação.

Um exemplo: pense na posição de um gerente de compras de serviços que precisa saber utilizar o SAP e ter conhecimento nos idiomas inglês e espanhol. Certamente, a busca do recrutador será guiada por palavras-chave como compras, suprimentos, indiretos, serviços, inglês, espanhol, avançado, fluente e SAP, tanto em inglês quanto em português. Quanto mais palavras-chave o candidato tiver no currículo, maiores serão as chances de ser considerado no processo.

O formato do arquivo também pode ser uma barreira

Além disso, é importantíssimo ter certeza de que o currículo é legível pelas máquinas. Um exemplo é um currículo que recebi um dia desses. Um executivo me enviou um documento lindo, visualmente muito bem estruturado e em formato pdf. A questão é que ele tinha sido elaborado com templates de um programa de diagramação de imagens, que, ao converter para pdf, transformou o documento em foto, dificultando a leitura do software de recrutamento. Eu avisei o executivo, que refez o currículo utilizando um template mais usual, e ele comentou que passou a ter mais retornos dos envios por parte das empresas.

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Um teste muito simples que você pode fazer com o currículo que deseja enviar para uma vaga é o seguinte: abra o documento e tente encontrar palavras nele por meio do recurso de busca. Se você conseguir, o software da área de recrutamento também conseguirá. Caso contrário, prefira o caminho mais tradicional: redija o currículo em formato word com letras Arial ou Times New Roman e, ao final, converta-o para pdf. É sempre melhor o envio em pdf para garantir que o arquivo não será desconfigurado na máquina do destinatário.

É claro que, com o tempo, recrutadores mais experientes vão fazendo uma mescla entre seus próprios processos de busca e os recursos oferecidos pela tecnologia. Assim ampliam, de maneira qualitativa, o volume de opções de perfis para tentar preencher uma vaga. Mas, ainda que passe pelas vistas de um ser humano, as palavras-chave seguem muito importantes. Por isso, recomendo que, ao elaborar um currículo, você pense na sua experiência em tópicos e vá garantindo que cada frase tenha uma ou mais palavras chaves.

A mesma prática é válida para o perfil na rede do LinkedIn. Vale, inclusive, revisar a sua página agora para garantir que os descritivos da função estão preenchidos considerando palavras-chave, bem como o resumo do seu perfil e o campo que acompanha o nome. É lá também que os recrutadores ampliam a busca por profissionais.

Desejo boa sorte na sua busca por ingressar no mercado, se recolocar ou se movimentar.

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