‘Geração prateada’ cresce no mercado de trabalho, mas enfrenta informalidade
A participação de trabalhadores 60+ aumentou em 69% desde 2012. Mais da metade não tem registro na carteira, segundo pesquisa da FGV.

O Brasil está envelhecendo. De 2012 a 2024, a população acima de 60 anos cresceu 55,4%, chegando a 35,2 milhões de pessoas. No mercado de trabalho, esse salto foi ainda maior: passamos de 5,1 milhões profissionais da geração prateada para 8,6 milhões. Trata-se de um aumento de 68,9%, segundo pesquisa realizada pela FGV com base em dados da PNAD Contínua do IBGE.
O estudo também indica que mais da metade desses trabalhadores (53,8%) está na informalidade – uma taxa 15,2% acima da média geral da população brasileira, que soma 38,6% sem registro na carteira de trabalho. Os informais chegam a 68,5% entre os trabalhadores 60+ que tem apenas o ensino fundamental completo.
Os números, de acordo com a economista e pesquisadora Janaína Feijó, responsável pelo levantamento, refletem não apenas o aumento da expectativa de vida, dos avanços da medicina e da maior valorização da autonomia e do bem-estar das pessoas 60+, mas também o impacto do custo de vida mais elevado, especialmente em grandes centros. Nesses casos, a aposentadoria não é suficiente para pagar as contas, que incluem valores mensais significativos com medicamentos e planos de saúde.
“A remuneração média dos idosos que atuam no setor informal é de R$ 2.210, o que equivale a apenas 40% do que ganham, em média, os que estão em empregos formais (R$ 5.476)”, descreve Janaína. Ela ressalta ainda que o país está diante do desafio de se adaptar a essa força de trabalho, que seguirá crescendo.
Confira o estudo publicado pela autora neste link.