Embraer recua em direção ao presencial após protesto dos funcionários
Força de trabalho tem um argumento forte. Em 2024, no home office, a empresa teve o maior faturamento de sua história: R$ 35,4 bilhões.

Muitas empresas têm se questionado sobre o retorno ao escritório agora que já se passaram cinco anos desde o início da pandemia de Covid-19. A Embraer, empresa nacional de aviação, é uma delas. Já havia rumores desde o início do ano de que o modelo de trabalho remoto seria encerrado, mas o anúncio oficial foi feito no início de março. A decisão unilateral revoltou os funcionários, e um protesto organizado garantiu o adiamento da medida até janeiro de 2026.
A mobilização foi organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, cidade onde a empresa é sediada. A decisão, que previa o retorno ao modelo 100% presencial a partir de 4 de agosto, afetaria 5 mil trabalhadores dos setores administrativo e de engenharia. Muitos deles já haviam sido contratados para atuar no regime híbrido ou remoto.
Além disso, a decisão da empresa também previa que, com a volta ao escritório, o vale-alimentação seria suspenso, nos casos de funcionários que passassem a contar com refeitório nas instalações da empresa; haveria também, claro, a mudança na rotina das famílias que já estavam habituadas a contar com a presença do trabalhador em casa, ao menos em alguns dias da semana.
Os argumentos contra e a favor
Segundo a empresa, o fim do home office seria positivo para fortalecer os vínculos entre as equipes e para estimular experiências compartilhadas e o espírito de colaboração. Mas um dos argumentos dos funcionários foi que o trabalho remoto não afetou em nada a produtividade, pelo contrário. Em 2024, a empresa apresentou o maior faturamento de sua história: R$ 35,4 bilhões, o que representa uma alta de 36% em relação ao ano anterior.
Após os protestos, a companhia recuou na decisão e decidiu que, a partir de janeiro de 2026, os funcionários trabalharão em escala 3×2, com três dias de trabalho presencial na semana e dois dias em home office.
POSICIONAMENTO EMBRAER
“Considerando o momento de crescimento da empresa, a Embraer decidiu voltar 3 dias presenciais por semana, com possibilidade de 2 dias de trabalho à distância (home office). Para dar tempo aos colaboradores se adaptarem e também adequar a infraestrutura das unidades para maior fluxo de pessoas, a mudança ocorrerá apenas a partir de janeiro de 2026 nas unidades do Brasil.
A Embraer acredita que a iniciativa contribui para o fortalecimento do vínculo entre as equipes por meio de experiências compartilhadas, colaboração em projetos, desenvolvimento de pessoas, bem como maior agilidade na comunicação e tomada de decisões.”