Inteligência temporal
Conheça a habilidade que nos ajuda a lidar com as incertezas do futuro, a criar tempo para o que realmente importa e a pensar no legado que queremos deixar.

Muito se tem falado sobre inteligência artificial e emocional, na vida e no trabalho. Neste artigo, porém, eu gostaria de jogar luz sobre a inteligência temporal, que diz respeito à capacidade de pensar, planejar e agir com base nos múltiplos horizontes de tempo: presente, passado e futuro. Algo muito útil para navegar pelas diferentes complexidades do mundo atual.
Por meio da inteligência temporal, somos instigados, por exemplo, a avaliar o que aprender com o passado para lidar com os problemas de agora e do amanhã. É uma habilidade que nos ajuda a lidar com as incertezas do futuro, a nos planejar melhor, a viver com menos pressa, a criar mais tempo para o que realmente importa e a tomar decisões pensando no legado que queremos deixar.
Funciona como um exercício para equilibrar as necessidades atuais com os objetivos de longo prazo. É um eficiente recurso para que organizações e profissionais expandam seus pensamentos e suas ações para além do relatório trimestral, das metas de curto prazo. É uma forma de viver e trabalhar pensando não apenas na qualidade de vida das futuras gerações, mas também no mundo e na humanidade, que estão em preocupante colapso.
Dentro da mente de Roman Krznaric
É possível que o termo inteligência temporal não seja novo para você, assim como não é para mim. O que tenho sentido e observado, no contato com tomadores de decisão de empresas de diferentes portes e segmentos, é que a frenética rotina do dia a dia tem nos afastado desse conceito. O tema está vivo em mim porque, recentemente, fui conduzida a um mergulho nessa habilidade durante a passagem pelo Brasil de Roman Krznaric, filósofo australiano e cofundador da The School of Life.
Criador do Museu da Empatia e um dos principais pensadores da atualidade, Roman Krznaric é uma daquelas pessoas que nos motiva a expandir a nossa mente por meio de perguntas aparentemente simples e despretensiosas, a formular respostas com base nas percepções do nosso “eu profundo”, a dizer coisas que nunca dissemos, a ouvir o outro com a mente aberta. Todas iniciativas que estão em falta no mundo corporativo.
O que mais me tocou nessas semanas ouvindo o Roman Krznaric falar em órgãos governamentais, grandes e pequenas corporações e com as pessoas em geral, foi conseguir pensar no longo prazo, no futuro como decisor. Pensar em ter uma cadeira para a próxima geração em uma reunião e levar em conta como estará a empresa, a pessoa e o planeta daqui a cem anos? Considera-se um século algo muito longe, então daqui a 20 anos já terá sido um bom exercício.
Aproveitando que estamos no início de um novo ano, minha sugestão é que, seja você líder, liderado ou empreendedor de um negócio, dedique um tempo para reimaginar quem é, o que faz e o que poderia fazer melhor ou diferente em prol de si mesmo, do outro, do planeta, da sociedade e das futuras gerações. Qual atitude imediata você pode tomar com base nos aprendizados do passado e pensando no futuro?
Na vida, sempre haverá a escolha de deixar tudo como está ou expandir. O que tenho aprendido com os ensinamentos da psicologia, história e filosofia é que poucas coisas são tão gratificantes quanto se dispor a ser um agente de transformação. É também quando deixamos algo ou alguém melhor do que encontramos que conseguimos comprovar que vale a pena estar aqui. Feliz 2025!